Os oito finalistas do Surf Ranch Pro entre os homens foram definidos neste sábado (8), com as últimas duas tentativas de cada um na piscina de ondas mecânicas de Kelly Slater. O onze vezes campeão mundial segue como um dos destaques do torneio, o que não é necessariamente bom. Slater surfou bem, mas teve notas ridiculamente supervalorizadas e foi o melhor exemplo de quão perdidos e confusos os juízes estão.

No lado dos destaques positivos, Miguel Pupo deu um show na sua direita no começo do dia. Entubou com técnica refinada e emendou uma jogada de quilhas na última sessão para passar dos oito pontos e subir, àquela hora, para o terceiro lugar.

Veja também:

Pupo terminou o dia como sétimo melhor surfista do ranking, carimbando o passaporte para a final e mandando um recado para parte da torcida brasileira que insiste em duvidar de sua capacidade de surfar entre os melhores do mundo. Gente que acha que o cabelo rosa é motivo para criticar Miguelito precisa começar a cair na real – ou virar comentarista de moda.

O havaiano Sebastian Zietz é a outra surpresa no grupo dos oito. O local da ilha de Kauai tinha feito a melhor onda do dia na quinta (8,67). Não precisava de muito para entrar no top 8, e conseguiu a nota com uma apresentação segura e relativamente conservadora na esquerda.

Julian Wilson conseguiu melhorar suas duas notas, uma delas com um aéreo reto de frontside que foi a melhor manobra do dia, e subiu à segunda colocação geral. Sem espetáculo, Filipe Toledo melhorou sua esquerda e se garantiu na final sem grandes problemas.

Formato tem potencial; julgamento segue falhando demais

Ítalo Ferreira tirou menos de sete pontos por uma onda com dois aéreos, um underscore ridículo. Por outro lado, Kanoa Igarashi caiu na finalização de sua direita e teve oito pontos.

Para quem acredita em teorias da conspiração contra os brasileiros, vale dar uma olhada no ano de Kolohe Andino. O californiano tem um grande patrocinador, nasceu e cresceu dentro do epicentro econômico do surf, é um querido da mídia internacional desde a adolescência. Ainda assim, vem sendo consistentemente roubado durante todo o ano de 2018. Em Uluwatu, venceu Julian Wilson com sobras, mas viu os juízes discordarem. Na piscina de ondas, teve uma nota diminuída em pelo menos meio ponto. Com razão, descarregou toda sua frustração na entrevista ao vivo, sem meias palavras.

Não há conspiração contra brasileiros. O que há, além da relação completamente bizarra de Kelly Slater com a liga, é um sistema de julgamento muito impreciso e difícil de ser compreendido. Um impedimento enorme à popularização do surf para um público leigo que a WSL tanto almeja.

Veja também

Em compensação, o formato do evento na piscina começa a demonstrar suas virtudes nesse aspecto. Para quem nunca assistiu surf, o sistema de ranking unificado é mais simples de entender do que as baterias com perdedores e repescagens e segundos colocados que se classificam.

Kelly Slater usou o exemplo de Miguel Pupo, um dos surfistas com ranking mais baixo do campeonato e que havia acabado de subir à terceira posição geral, para defender a ideia de que todos são capazes de fazer ondas excelentes – que, portanto, não há problemas com a quantidade de surfistas.

A gritante diferença no desempenho dos 10 ou 12 primeiros para o restante do batalhão diz o contrário. Se quer ser ainda mais popular e emocionante e espetacular, a WSL precisa de eventos mais curtos e diretos.

Slater ainda falou abertamente sobre as falhas da piscina. A esquerda é pior que a direita e agora constatou-se que, de vez em quando, ela vem menor. O dono da bola foi claro: ainda não sabem como nem por que isso acontece.

A falha serviu para Willian Cardoso ganhar uma nova chance na canhota. Ele aproveitou a oportunidade usando a cabeça de uma fantasia de panda durante sua preparação e na carona de jet até o pico. A indumentária já tinha rendido um post no Instagram da WSL. Engraçadinho mas um pouco fora do tom nessa situação. Uma tentativa de fazer o surf soar descontraído? Uma aposta para “viralizar nas redes”? Nenhum dos dois deu muito certo. (pessoalmente, foi um pouco constrangedor. Foi assim para vocês também? O que acharam?) 

Willian pertence ao grupo dos surfistas que foi mal na piscina. Nada do que tentou deu muito certo. Pertencem a esse grupo Wiggolly Dantas, Adrian Buchan, Wade Carmichael, Ezekiel Lau – para dar apenas alguns exemplos.

Outros foram bem, mas ou não conseguiram ter uma onda boa para os dois lados (Jessé, Wilko, Griffin) ou foram contidos pela misteriosa barragem das avaliações para ondas boas ou medianas (Ian, Tomas, Joan Duru, Connor O’Leary).

Medina, Julian, Kanoa, Filipe, Owen, Slater, Miguel e Seabass disputam a final amanhã a partir das 13h. Acompanhe ao vivo em www.worldsurfleague.com – se o site não como neste sábado no fim do dia. Caso isso aconteça, o jeito é apelar para o Facebook.

Ranking final da primeira fase do Surf Ranch Pro:

Texto: Fernando Maluf
Imagens: WSL/Cestari