Os surfistas da metade de cima do ranking estrearam nesta sexta (7) no Surf Ranch Pro e desbancaram toda a lista dos oito melhores do primeiro dia. Gabriel Medina é o líder do ranking unificado do round preliminar da etapa da piscina de ondas, com 17,70 pontos (9,30 na melhor esquerda, 8,40 na melhor direita). Kanoa Igarashi vem em segundo e Owen Wright em terceiro. Filipe Toledo, Kolohe Andino, Julian Wilson, Jordy Smith e Italo Ferreira completam o top 8.

Medina foi o melhor surfista com folga. Acertou um alley oop perfeito na finalização de sua primeira onda para ser o primeiro a passar dos nove pontos. Já na segunda onda, passou dos oito pontos e disparou na liderança. Atual líder do ranking da WSL, Filipinho falhou em suas primeiras três ondas. Apenas na última, uma direita – e a última onda surfada no dia -, carregado de pressão, conseguiu completar uma linha como as que havia demonstrado nos treinos. Recebeu 9,17 dos juízes, subiu à quarta posição e deixou o recado de que pode competir de igual para igual com Gabriel.

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O final de dia espetacular protagonizado por Medina e Toledo demonstrou as principais virtudes do formato, mas também acabou deixando em segundo plano pontos negativos que precisam ser mencionados.

Até o meio do dia, a principal diferença para alcançar maiores pontuações nessa sexta foi a execução de manobras progressivas e arrojadas já nas primeiras sessões das onda – algo que apenas Yago Dora havia feito no primeiro dia.

 

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@gabrielmedina annhilating the left for a 9.30 💯 #SurfRanchPro Pres. By @hurley

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Entretanto, mesmo essa inovação acabou se tornando rotineira na piscina. Kanoa Igarashi foi o primeiro a chegar a esse nível, seguido por Griffin Colapinto e depois por Kolohe Andino, todos com um aéreo reverse na sessão imediatamente anterior ao primeiro tubo da direita.

Kolohe Andino tornou a subir o nível ao acertar um outro reverse, ainda mais alto e aterrissando direto no flat, na última sessão da onda. Ainda durante a entrevista a Rosanne Hodge, ouviu que sua nota tinha sido apenas um 7,70 e compartilhou do estranhamento de todas as outras pessoas que haviam acabado de ver sua onda.

A discordância clara sobre uma nota completamente bizarra ao vivo e falando direto às câmeras foi um momento estranho e um dos pontos altos do dia até aquela hora – o que diz muito sobre o evento na piscina.

O julgamento segue incompreensível (para não dizer falho ou simplesmente tendencioso).

Jordy Smith perdeu o tubo de sua primeira esquerda. Arriscou um rodeo flip, caiu errado mas conseguiu completar a manobra após ser jogado de volta. Tirou 7,27. Na quinta, Pat Gudauskas completou um rodeo perfeito, depois de sair do tubo, e recebeu 6,97. Por perder o tubo e completar um aéreo pior que o do californiano, Jordy foi premiado com uma nota 0,30 ponto maior.

As sessões de Medina, Toledo e Julian Wilson não foram apenas os únicos momentos de real tensão no dia. Também foram o ápice técnico de dois dias arrastados e repetitivos de competição na piscina de ondas.

A ideia de reduzir o circuito deve começar a parecer cada vez mais atraente para a WSL: menos dias de competição, atenção concentrada nos melhores surfistas, mais surf de alta performance, menos momentos descartáveis e mais momentos de alta tensão. Como viabilizar algo assim, que deve ter forte oposição dos próprios surfistas, ainda é um mistério.

Owen Wright foi muito sólido. Se fosse em formato homem a homem, seria um dos favoritos ao título. Apesar de claramente tenso, Italo Ferreira pareceu surfar brincando. Ficou com a oitava posição e foi um dos melhores do dia para a direita sem surfar metade do que consegue.

Cada surfista ainda terá a chance de mudar completamente seu destino com mais uma direita e uma esquerda neste sábado. A partir das 13 horas, ao vivo em www.worldsurfleague.com.

Texto: Fernando Maluf
Imagem: WSL/Cestari


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