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Pipeline for the fucking girls

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O grito de Caity Simmers ao vencer o Lexus Pipe Pro, acompanhado da performance espetacular das finalistas, liberta as mulheres do boicote que elas desde sempre sofreram em Pipeline

A recente performance feminina em Pipeline, durante o Lexus Pipe Pro, foi sem dúvida espetacular; entretanto, representa mais do que isso, ao sinalizar uma virada de chave para o surf feminino. Como a sensação da nova geração, a garotinha americana de apenas 18 anos de idade, Caity Simmers, ainda na água, gritou ao microfone, para o mundo todo escutar, após uma final disputada em condições épicas contra a australiana Molly Picklum: “Pipeline for the fucking girls”.

Por anos, e até hoje, o surf foi dominado por homens, restando às mulheres o segundo plano. Elas enfrentam a pior hora do mar, as piores ondas, os contratos menos vantajosos ou, em alguns casos, a completa ausência de apoio. Quantas profissionais lutam para conseguir apoio financeiro enquanto os homens prosperavam sem grandes dificuldades. O documentário “Girls Can’t Surf”, de Christopher Nelius, não me deixa mentir.

No entanto, o que o mundo presenciou no último Lexus Pipe Pro foi uma exibição de habilidade que desafiou todas as expectativas. É surpreendente pensar que, até bem pouco tempo, enquanto os homens competiam em Pipe, as mulheres eram relegadas a Honolua Bay. Quanto tempo foi perdido…

É por isso que o patriarcado é tão sacal, pois ele priva as meninas da chance de sonhar, já que muitas nem sequer ousam fazer isso por falta de exemplos, histórias ou referências. Certamente, após Pipeline, parece evidente que os títulos mundiais futuros serão disputados por esta geração liderada por Molly, Caity, Bettylou, Erin, Moana e Sierra.

Essas garotas estão à frente de uma revolução sem volta, diante da qual, audiência e mercado terão de se curvar. A audiência global que acompanha o surf começa a reconhecer que as mulheres oferecem tanto valor, emoção e entretenimento quanto seus colegas homens.

+Barron Mamiya e Caitlin Simmers vencem Lexus Pipe Pro

Este momento histórico reflete uma mudança significativa em toda a indústria esportiva, que passa a ver a igualdade de gênero cada vez mais como uma prioridade. Já que a performance de Caity, Sakura e Molly em Pipeline impulsiona e altera a percepção sobre o surf praticado por mulheres, reforçando a necessidade de igualdade de plataformas e reconhecimento.

O futuro é brilhante! Vivemos um momento extremamente empolgante para o surf feminino, um ponto de inflexão que promete transformar o esporte e a maneira como o mundo percebe e valoriza as surfistas.

Resta uma questão: quando, e se, o Brasil terá uma surfista, nascida e criada em solo brasileiro, brilhando na meca do surfe. Por enquanto, as brasileiras no CT foram criadas no exterior, com oportunidades de “primeiro mundo”. 

 

Janaina Pedroso
Janaina Pedroso
É mãe, surfista e jornalista, tudo junto e misturado, e em 2016 criou o site Origem Surf. Mora em Ubatuba, pertinho do mar que tanto ama. Foi colunista e blogueira da Folha de S.Paulo por quatro anos, colaborou para a Editora Trip e atua há mais de 20 anos na comunicação de diversas empresas. Como mulher, tem o propósito de ampliar a participação feminina no surf. Como surfista, experimentar o maior número de ondas possível.

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