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As incertezas da natureza mostram a fragilidade da WSL

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A realidade é que com o atual número de surfistas, 36 homens e 18 mulheres, fica praticamente impossível ter condições ideais para a WSL fazer um evento, que demora cerca de 4 dias se tudo der certo

Não falta assunto para detonar nessa coluna. Críticas ao julgamento, brasileiros com chance de serem dizimados no corte em Margaret River, novo CEO da WSL, enfim, um punhado de bons temas, mas que ficarão para uma próxima pois vou descrever o meu sentimento em ver essas três últimas etapas do Circuito Mundial: frustrante!

A premissa é bem simples, por mais que existam Medinas, Toledos, Florences e Colapintos a grande verdade é que sempre serão as ondas o principal protagonista em qualquer evento de surf. Somente os extremamente fissurados conseguiram ficar assistindo mata-barata em ondas cheias na praia de Winki Pop durante o Rip Curl Pro Bell’s. Não tem como, foi impossível ficar vendo por mais de 60 minutos seguidos os melhores surfistas do mundo em ondas ridículas. “Ah, mas é ruim para todos!” Dane-se, é muito pior para quem está assistindo. É igual ficar vendo um jogo do Manchester City X Real Madrid num campo todo esburacado de terra. Vira uma pelada!

Na verdade, é exatamente isso que anda acontecendo nas etapas do CT, várias peladas. E fora a maré de azar dos caras, a realidade é que com o atual número de surfistas, contando homens (36) e mulheres (18), fica praticamente impossível ter condições ideais para fazer o evento, que demora cerca de 4 dias se tudo der certo. Com janelas de no máximo 12 dias de espera, as etapas basicamente só apresentam ondas excelentes em um par de dias, se muito. Não consigo pensar noutra solução que não seja diminuir o número de atletas correndo o Tour.

Há bastante tempo digo que para mim o ideal seriam 24 surfistas, exatamente como é depois do corte. Acho muito mais dinâmico e agradável. E o fato é que se formos ser bem críticos, temos apenas uns 15 caras que são de um nível superior, sendo que no máximo uns 10 brigam por alguma coisa. Trinta e seis competidores é um exagero. 

Para as meninas, acho o número de 18 legal, até porque está mais equilibrado o nível. Eu apenas tentaria separar o Circuito Feminino do Masculino (Marcelo Bôscoli, no Por Dentro do Tour, também abordou isso). O mercado das mulheres é infinitamente maior do que o dos homens e atrair marcas de moda e cosméticos não me parece ser tão complicado para pessoas que entendem do riscado na área comercial e marketing.

Me parece que a WSL une ambos os Circuitos por uma simples questão financeira, pois o custo seria menor. Acho essa visão míope, pois é um pensamento muquirana, já que um empresário de visão com dois bons produtos pensaria em faturar o dobro alcançando uma margem de lucro maior. Sem saber os sagrados números da WSL fico apenas no chutômetro e palpite, mas desde já acho que uma reforma no Circuito, diminuindo sua estrutura, melhoraria os custos, seria mais agradável para quem assiste e principalmente à quem transmite para a TV e streaming.

O Circuito Mundial da WSL não é igual aos eventos da ISA, onde é necessário ter o maior número de países confirmando a inclusão de todos os continentes numa única entidade. A WSL pensa em qualidade, e isso encontramos em pouquíssimos países atualmente. Sim, daqui uns anos, pode ser que surjam novos Slaters em algum canto da África ou Ásia, mas a verdade é que EUA, Austrália e Brasil são os lugares dominantes e não vejo como isso irá mudar a curto prazo.

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Já que é assim, porque não aceitar e tentar fazer eventos em ondas de qualidade, na época certa com possibilidade de termos nossos ídolos se apresentando num tapete verdinho (ou mar azul) onde a bola rola com facilidade?

Do jeito que está, logo somente os tarados pelo Tour ficarão vendo John John se atolar nas merrecas de Winki Pop ou Medina ser alvo de um julgamento esquisito porque o mar está tão ruim que as notas acabam achatadas sem distinguir o grau de dificuldade exercido por cada surfista. Para ser justo, Margaret River menor que 8 pés é um saco também.



Alex Guaraná
Alex Guaraná
Carioca e flamenguista roxo, mandou sua primeira manobra na Barra da Tijuca, em 1980, aos 13 anos de idade. Após uma bem sucedida carreira de competidor amador, passou a atuar como jornalista especializado. Primeiro nos jornais Staff e Now. Na sequência, trabalhou com Ricardo Bocão e Antônio Ricardo no programa Realce, pioneiro em esportes de ação na TV brasileira. Após um período como dirigente, e outro como assessor de imprensa do Circuito Mundial no Brasil, assumiu o posto de editor-chefe da Revista Fluir, onde ficou até 2007. Desde então se tornou comentarista esporádico, e agora fixo aqui na Hardcore, do esporte que conhece como poucos.

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