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Saquarema vai pegar fogo e vou torcer para Mateus Herdy no CT

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Não lembro de tanta gente brigando por quase dois punhados de vagas na última etapa de um circuito (trinta e dois atletas ainda têm possibilidades matemáticas)

Por Alex Guaraná 

Para poder escrever essa coluna, que era para ter sido publicada semana passada, tive que aguardar o término do Challenger Series de Portugal, em Ericeira, neste domingo, dia 8 de outubro. Como o mar por lá ficou com preguiça, o evento acabou terminando no último dia da janela.

Queria divagar sobre as chances dos brasileiros em conseguirem vagas para disputarem o Championship Tour em 2024. E a vitória de Deivid Silva, além da 3ª colocação de Mateus Herdy, serviram para embolar mais ainda o ranking que vai definir os 10 sortudos que irão enfrentar Toledo e Cia. A definição será em águas brasileiras, tendo como palco a mítica Itaúna, em Saquarema. De 14 a 21 deste mês alguns poucos sairão felizes enquanto a enorme maioria ficará decepcionada.

Para ficar um pouco mais complicado, dois dos nossos melhores surfistas, João Chianca e Ítalo Ferreira estão inscritos no Corona Saquarema Pro e, se competirem, certamente vão se tornar fantasmas assombrando os postulantes aelite do surf. É bem provável que um dos nossos peregrinos do CS esbarre em alguma dessas feras e tenha seu ano findado de modo cruel. Torceremos para que o triodespache gente que está na briga, mas com bandeiras diferentes do verde e amarelo.

Quatro brasileiros estão entre os 15 primeiros do ranking, com uma diferença de 5560 pontos entre o português Fred Morais e o australiano Jake Marshal (atuais 3º do CS) ante o ianque Jett Schilling (o 15º da lista). Apenas o americano Cole Houshmand e o aussie Jacob Willcox já garantiram lugar no CT 2024. Não lembro de tanta gente brigando por quase dois punhados de vagas na última etapa de um circuito (trinta e dois atletas ainda têm possibilidades matemáticas). O pequeno número de eventos do CS em 2023 explica em parte isso, foram apenas 6 campeonatos (contando com Saquarema). Muito pouco para tamanha responsabilidade que os heroicos surfistas do Tour têm.

Com os resultados de Portugal, Deivid Silva (6º) e Mateus Herdy (10º) são, hoje, os brasileiros classificados para o WSL Tour 2024. Mas nada está garantido. Por isso a tensão será enorme e a emoção certamente aflorará nas areias do “Maracanã do Surf”. Vamos aos quatro brazucas com mais chances de estarem no CT ano que vem.

Mteus Herdy CS Deivid Silva
Deivid Silva com seu backside imbatível nas direitas de Ribeira D´Ilhas. Foto: @WSL / Damien Poullenot

O paulista goofie Deivid Silva, com sua vitória em águas lusitanas, deu um enorme passo para retornar aos Top 32 do CT. Com um backside hiper vertical e manobras bem potentes, ele tem tudo para retomar seu sonho, interrompido em 2022, quando foi obrigado a deixar as pressas a etapa de Bell’s Beach para acompanhar sua esposa na recuperação de sua filha Julia, que quase se foi por causa de uma broncopneumonia. Acabou sendo vítima do corte. A justiça divina parece estar interferindo e corrigindo um lapso do destino.

Sou fã de Mateus, filho do meu camarada Alexandre “Cemoga” Herdy. O jovem de 22 anos, criado nas águas de Santa Catarina, herdou o talento do pai e do tio, Guilherme (ex-Top), com um surf criativo de manobras aéreas impressionantes além de muito estilo e uma bela linha. Da sua turma, João Chianca e Samuel Pupo já conseguiram furar a mureta que separa os bons dos ótimos, mesmo ambos tendo sentido o amargo gosto do corte no meio da temporada. Chumbinho deu a volta por cima. Agora Samuel tem sua oportunidade.

Samuel Pupo EDP Vissla Ericeira Pro
Samuel Pupo é outro brasileiro com chances de confirmar vaga no CT 2024 em Portugal. Foto: @WSL / Damien Poullenot

Irmão de Miguel Pupo e filho do grande surfista Wagner “Vala” Pupo, Samuca é brilhante! Sua saída pela guilhotina da WSL no meio da temporada foi meio que surpreendente. Acho ele completo. Bom nos tubos, nas manobras, em ondas maiores, bom competidor… Não se encontrou nas marolas de Ericeira, mas tem um bom retrospecto em Itaúna, onde já até eliminou Medina precocemente na repescagem nesse ano na etapa do Circuito Mundial. Na 12ª posição, ele basicamente está 530 pontos atrás de Mateus, fungando em seu cangote.

Além de Silva, Pupo e Herdy, outro com boas chances nesta briga é o catarinense Michael Rodrigues. Da mesma idade que David, 28 anos, MRod já tem uma certa experiência no Tour e tem um surf explosivo e rápido, principalmente em ondas pequenas. Na 14ª colocação no ranking da CS, ele já precisa ter um resultado mais forte, como ao menos chegar nas quartas-de-final torcendo para quem está acima dele também não vá bem. A seu favor entra o fato de já ter conseguido garantir sua vaga dessa forma, como no ano passado onde chegou à final em Haleiwa, no Havaí. Ou seja, não é uma novidade essa pressão em seus ombros.

De qualquer forma, torço para que todos os quatro tenham sucesso, mas como não poderia deixar de palpitar, adoraria ver Mateus estreando como Top 32 (ele já fez uma semifinal em 2021 numa etapa em Barra de La Cruz, no México, aos 20 anos, perdendo para Jack Robinson).

Samuel e Mateus têm 22 anos, estão com sangue nos olhos e são o futuro do Brazilian Storm. Junto com Chianca, esse trio tem tudo para herdar o trono de Medina, Toledo e Ferreira. É uma renovação esperada e que terá muito trabalho com os surfistas locais de Trestles, Califórnia, Griffin Colapinto e o novato goofie Cole Houshmand. Me parece que, salvo uma grata surpresa (pode ser Ethan Ewing), a briga nos próximos anos será entre Brasil e EUA.

Alex Guaraná
Alex Guaraná
Carioca e flamenguista roxo, mandou sua primeira manobra na Barra da Tijuca, em 1980, aos 13 anos de idade. Após uma bem sucedida carreira de competidor amador, passou a atuar como jornalista especializado. Primeiro nos jornais Staff e Now. Na sequência, trabalhou com Ricardo Bocão e Antônio Ricardo no programa Realce, pioneiro em esportes de ação na TV brasileira. Após um período como dirigente, e outro como assessor de imprensa do Circuito Mundial no Brasil, assumiu o posto de editor-chefe da Revista Fluir, onde ficou até 2007. Desde então se tornou comentarista esporádico, e agora fixo aqui na Hardcore, do esporte que conhece como poucos.

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