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O surf competição precisa de novidades. E não são de novos surfistas…

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Não podemos ficar presos a monotonia do passado, é preciso ter coragem

Passei alguns momentos da semana passada assistindo o Vans Pipe Masters 2023, um evento para 60 convidados que distribuiu 420 mil verdinhas em prêmios. Nada mau! Considerado pela galera mais tradicional como o “verdadeiro Pipe Masters” por contar com locais e experts escolhidos a dedo entre os participantes, a verdade é que o nome Pipe Master pertence há algum tempo a Vans e por isso não pode ser usado pela WSL na abertura do seu Circuito, o Pipe Pro, também em Pipeline, no final de janeiro próximo.

O evento fugiu da manjada chave de baterias eliminatórias onde 30 minutos de falta de ondas, ou de sorte, podem tirar a chance de o melhor surfista ter a chance de vencer o evento. O formato escolhido foi de quatro surfistas por bateria (dez baterias no masculino e cinco no feminino) em três rounds onde as três melhores médias são somadas, definindo os quatro melhores que disputaram a final.

John John Florence liderou a pontuação dos três rounds do masculino e venceu a final com facilidade. Carissa Moore viveu novamente a sina de ser a líder geral até a bateria decisiva, onde sucumbiu para a local do pico Moana Jones. Ela e JJF levaram 100 mil doletas cada um para casa.

Mais importante do que os vencedores, por sinal os melhores surfistas no pico entre os homens e mulheres que estiveram competindo, foi a novidade do formato. Lembrou um pouco o do Eddie Aikau, que não tem uma final. A chance dos competidores de terem três oportunidades numa onda que de longe não é conhecida por sua constância, foi um belo exemplo de que o surf ainda tem uma enormidade de degraus até evoluir a um esporte atrativo para o público em geral.

Penso que novas ideias deveriam ser testadas em competições de menor importância, como Mundial Pro Junior ou até divisões de acesso para o Championship Tour, assim como a FIFA faz na evolução, quase sempre tardia, de suas centenárias regras e modelos. A humanidade está em constante evolução, tanto social como econômica e estar antenado com o que acontece de mudanças ajuda qualquer atividade a se manter em destaque ou ao menos viva.

O surf, na minha humilde opinião, precisa desse ajuste. Apesar de muita gente não concordar com o corte e o WSL Finals, eu entendo que é necessário fazer alguma coisa pois a realidade é que a WSL não consegue ser lucrativa. Ideias colocadas em prática, sejam elas boas ou ruins, são sementes que podem crescer e se transformar em belas árvores que darão ótimos frutos no futuro. Não podemos ficar presos a monotonia do passado se assim for, temos que ter a coragem de ensaiar alternativas mesmo que elas não sigam os padrões nem sejam um primeiro desejo da maioria.

Muitas das grandes ideias geralmente são oriundas de gente desacreditada, que na simplicidade do pensamento consegue enxergar aquilo que quase todos ignoram. O surf não foge disso. Quando, nos anos 80, o ex-Top australiano Robbie Page inventou o formato Round Robin, com 48 surfistas divididos em 16 baterias de três surfistas, avançando o primeiro colocado com os dois perdedores indo para uma repescagem e depois baterias eliminatórias até a final, muitas críticas foram feitas e o tempo mostrou que o modelo era satisfatório.

Mais de 40 anos depois, o formato basicamente é o mesmo, só que adaptado para 36 surfistas. Ou seja, já está na hora de alguém tomar a iniciativa de tentar algo mais de acordo com o que se precisa para que o surf saia dessa estagnação, tanto de qualidade técnica, quanto de comunicação com seus fãs.

Não sei se a WSL tem planos de rever isso, mas tem gente grande por aí testando novos modelos e surfistas de nome desanimados com o que vem rolando no Tour. Que os executivos da liga fiquem espertos, porque sem os surfistas, a World Surf League é apenas um nome, com uma sede bacana e um bilionário como dono.

Alex Guaraná
Alex Guaraná
Carioca e flamenguista roxo, mandou sua primeira manobra na Barra da Tijuca, em 1980, aos 13 anos de idade. Após uma bem sucedida carreira de competidor amador, passou a atuar como jornalista especializado. Primeiro nos jornais Staff e Now. Na sequência, trabalhou com Ricardo Bocão e Antônio Ricardo no programa Realce, pioneiro em esportes de ação na TV brasileira. Após um período como dirigente, e outro como assessor de imprensa do Circuito Mundial no Brasil, assumiu o posto de editor-chefe da Revista Fluir, onde ficou até 2007. Desde então se tornou comentarista esporádico, e agora fixo aqui na Hardcore, do esporte que conhece como poucos.

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