Italo Ferreira é campeão dos ISA Games com direito à única nota 10 do campeonato na grande final; Kolohe Andino é vice e Gabriel Medina fica em terceiro

Por Fernando Guimarães

A história mais maluca do surfe competitivo em 2019 encerrou-se na madrugada deste domingo (15) com um resultado histórico em Miyazaki, Japão. Italo Ferreira, que chegou no Japão  (e na praia) no mesmo dia do início da competição, que quase perdeu sua bateria de estreia por vir correndo direto do aeroporto, e que surfou nela por apenas 9 minutos, com uma bermuda jeans e uma prancha emprestada de Filipe Toledo, conquistou a medalha de ouro para o Brasil em uma final contra Gabriel Medina, o californiano Kolohe Andino e o japonês Shun Murakami. Kolohe ficou com o segundo lugar, Medina foi o terceiro e Murakami, o quarto.

Italo começou o dia com o quarto lugar na tal superbateria, a última do caminho principal do campeonato, atrás de Kelly Slater (terceiro), Medina (segundo) e Andino (primeiro). Ele e Slater foram para a repescagem.

Eles enfrentaram o marroquino Ramzi Boukhiam e Shun Murakami, que haviam vencido todo o longo caminho do outro lado da chave. A superbateria poderia se repetir na final, mas Slater acabou no terceiro lugar, atrás de Italo e Murakami.

As ondas estavam absolutamente imprevisíveis. Um beach-break muito mexido, com diversas valas rendendo boas sessões para manobras e muitas oportunidades para quatro surfistas na água ao mesmo tempo, apesar da leitura quase impossível. O jeito era pegar o máximo de ondas possível e surfar no limite em cada uma delas.

Shun pegou dez ondas na final. Kolohe pegou doze. Italo, quartoze. E Gabriel computou incríveis 20 ondas surfadas na meia hora de bateria.

Com tanta onda surfada, seria normal que a transmissão não conseguisse captar todas ao vivo. Uma das que foram perdidas foi a primeira e única nota dez do campeonato.

Poucos minutos antes, Todd Kline, que apresentava o campeonato ao lado de Chris Coté, havia dado um longo discurso sobre como a finalização perfeita de uma onda era obrigatória para uma nota boa. Seu discurso foi desautorizado e jogado no lixo com a nota dez de Italo, um aéreo rodando em que o brasileiro se desequilibrou após aterrissar, caiu da prancha e conseguiu subir de novo com um layback.

Talvez tenha sido em retaliação ao brasileiro, que o fez queimar a língua ao vivo em rede mundial, que Kline errou seu nome 100% das vezes em que o pronunciou, insistindo em chamá-lo de Italo Fiéra.

Por sinal, a transmissão da ISA em geral foi uma boa lição para que possamos valorizar o trabalho da WSL, enxergando com um exemplo vivo como tudo poderia ser muito pior.

O campeonato terminou com uma longa cerimônia de premiação, em que a pessoa que mais apareceu, disparado, foi o presidente da ISA, Fernando Aguerre.

O melhor momento foi a ausência da equipe australiana, que ganhou a medalha da Aloha Cup mas não ficou para receber as medalhas. Sem nenhum surfista classificado para o último dia, toda a delegação se mandou de volta para Oz o mais rápido que pode.

Com o título de Italo, o vice de Silvana Lima, o bronze de Medina e o quinto lugar de Tati Weston-Webb, o Brasil terminou os jogos no primeiro lugar da competição por países. O hino nacional foi repetido duas vezes, uma para a medalha de Italo, outra para a conquista coletiva.

O time então juntou as mãos e soltou o grito improvisado:

Bê érre á, Brasil! Bê érre á, Brasil! Bê érre á, Brasil!

O último a sair do palco foi o presidente da CBSurf, Adalvo Argôlo, que posava feliz da vida para fotos com o grande e pomposo troféu da competição por equipes.

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