RU.BU 994 traz apanhado de ondas insanas surfadas por Noa Deane ao longo de 2019, entre tubos, rasgadas e tentativas de aéreos inéditos

Por Fernando Guimarães

Noa Deane é conhecido pelo talento em cima da prancha desde criancinha. Envolveu-se com o lado mais livre da cultura do surfe australiano para deixar de lado competições antes mesmo de virar um adulto, e hoje vive de dar retorno para seus patrocinadores publicando seus filmes.

O momento atual do surf é de marcas fechando, encolhendo, sendo vendidas, o que faz parecer que essa equação aí de cima não pode dar certo. E honestamente, não sabemos se dá mesmo ou não. Mas se tem alguém que pode fazer isso funcionar, é ele. Talvez junto de Craig Anderson, e assim como Dane Reynolds foi por tempo, pouco depois de Bruce Irons…

O surf de Deane combina o faro e o gosto por ondas pesadas e tubulares com o arsenal mais atualizado possível de manobras aéreas, e este último filme, RU.BU 994, mostra isso: na transição entre as duas metades, cenas do que provavelmente seriam — corrija-nos se estivermos errados — os primeiros varial 360 do surfe, um de front e um de backside. Ele não completa nenhuma, mas chega perto. E o surf de borda não fica atrás, com rupturas de linha e mudanças de direção que jogam caminhões de água pro alto.

A gente sabe a diferença entre um competidor e um free-surfer: o competidor tem que fazer isso em meia hora de surf. Italo, Medina, Filipe, John, Julian, são caras que conseguem, e por isso a gente pira nos campeonatos. Deane é o cara que demora um ano pra mostrar seu trabalho, mas apresenta um filme de primeira. Então preste esse reconhecimento ao seu trabalho e dedique unis minutinhos a RU.BU — você não vai se arrepender.

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