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A imensa satisfação em fazer o bem por meio do surf

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Meu olhar é para crianças e adolescentes de famílias de baixo poder aquisitivo e, também, pessoas com deficiência. O rumo é sempre a prática do surf, com a mensagem forte de que este é um esporte para todos

Meu pai, Bernard Rajzman (ex-jogador de vôlei da Seleção Brasileira, o famoso dono do saque ‘Jornada nas Estrelas’), sempre se dedicou a projetos sociais, por meio do esporte. Por isso, eu comecei desde novo nessa empreitada, pois o acompanhava. Durante toda a minha vida, iniciativas do bem fizeram parte como algo muito natural. E quando conheci, há 13 anos, a minha esposa Julli Roldão Rajzman, que também já tinha isso no sangue, a prática se intensificou e unimos forças na contribuição para uma sociedade melhor.

Meu olhar é para crianças e adolescentes de famílias de baixo poder aquisitivo e, também, pessoas com deficiência. O rumo é sempre a prática do surf, com a mensagem forte de que este é um esporte para todos, independentemente da idade, das características e condições físicas, do nível social, etc. A ideia é passar coisas positivas sobre saúde, bem-estar, preservação da natureza, e se divertir no oceano de forma segura e consciente.

Nesse sentido tenho me envolvido em uma série de iniciativas. A começar pelo projeto Respirar, criado em 2011, com a Julli. Quando a conheci, ela já fazia um trabalho social na comunidade de Rio das Pedras/RJ, com crianças do Centro Integrado de Ensino Profissionalizante – CIEP. Dava aulas de teatro e me uni a ela passando meus conhecimentos sobre surf e mobilizando empresários para auxiliar socialmente.

Na mesma época, me aproximei de Wellington Cardoso, idealizador e coordenador do projeto Surf no Alemão, cujo objetivo é afastar as crianças e adolescentes da criminalidade, mostrando uma nova realidade, através da arte, música e esportes. Cardoso é um apaixonado por surf e começou a usar um espaço do CineCarioca Nova Brasília (da qual era gerente), no Complexo do Alemão, para sessões de filmes e rodas de conversas com as crianças da comunidade, vulneráveis e que crescem em um ambiente de muita violência e drogas. 

O projeto Surf no Alemão, do qual Phil é padrinho, virou até documentário.

As crianças também têm aulas de surf na praia da Macumba (RJ), de libras, inglês, balé e música, além de visitas a pontos turísticos do Rio e atividades do Jovem Aprendiz (primeiro emprego), entre outras. A maioria nunca tinha visto o mar, apesar de morarem no Rio de Janeiro. Ao longo dos anos, tivemos resultados significativos desse projeto, como o ingresso de algumas dessas crianças em universidades, na Marinha e até um caso que foi para a Escola do Teatro Bolshoi. Tenho orgulho de ser padrinho deste projeto, que tem como principal objetivo formar cidadãos de bem. A história é tão marcante que o Surf no Alemão virou documentário, dirigido por Eduardo Dornelles (Abaetê Filmes) e lançado em 2018. 

Eu apadrinho também o Surf do Bem, projeto da Bel Kurtz, que atende meninas entre 7 e 17 anos, de Búzios, com atividades diárias de surf e natação, nas praias da Barra e Geribá. Sempre convidamos uma participante do projeto para as edições do Surf Experiences, evento que promovo desde 2019 e que reúne diferentes gerações de famílias, netos, pais e avós, em uma experiência única, de imersão no surf e na natureza. 

Outro aspecto é que sempre tive em mente o esporte inclusivo, que envolve não só pessoas de famílias de baixo poder aquisitivo, mas também aquelas que têm dificuldade de locomoção, que possuem alguma deficiência. Neste caso, mais uma vez minha grande referência é meu pai, que ajudou muito as Paraolimpíadas e, em 1992, fez até um documentário sobre o assunto e eu, adolescente, assisti e me inspirei ao ver as pessoas superando desafios e provando que somos capazes de tudo o que quisermos fazer.

Marquinhos surfou na prancha adaptada que Phil criou para ele, inspirado no Taiu Bueno.

Uma história de superação é a do Marquinhos Schulz Siqueira, de 11 anos, de Ubatuba/SP, que tem paralisia cerebral que afeta sua parte motora. Eu o conheci no Saquarema Surf Festival (promovido pela 213 Sports) e surfamos juntos. Foi quando o convidei para meu evento Surf Experiences, sabia que precisava criar uma prancha adaptada e para isso me inspirei no equipamento usado por Taiu Bueno (tetraplégico), um dos grandes nomes nacionais do surf. Consegui construir uma prancha que tem uma cadeira acoplada e Marquinhos pode estar em nossa 8ª edição da clínica, nos contagiando com sua alegria em poder surfar. 

E como uma coisa leva a outra. Marquinhos abriu portas para ampliar uma relação que já existia com a ASAS – Associação de Surf Adaptado de Saquarema. Então, na 9ª edição do Surf Experiences nós convidamos quatro surfistas adaptados do ASAS para também participarem. E foi sensacional. Para a nossa próxima clínica (25 a 28/4) teremos cinco surfistas adaptados. Assistir essa galera surfando é inspirador. A alegria que eles transmitem neste momento é algo fantástico. Esses surfistas nos deixam uma grande lição: a de que o esporte quebra barreiras, não existem limites. Depois desses eventos, todos saímos mais fortalecidos e revigorados.

No ano passado também fiz doação de uma prancha adaptada com uma cadeira para a Associação. Uma prancha com mais flutuação e estabilidade do que fiz para o Marquinhos para poder receber adultos também. Dando oportunidade de acessibilidade também para adolescentes e adultos. 

+Mundial de Surf Adaptado: Brasil leva mais três ouros e fica em terceiro por equipes

É lindo demais e enche os olhos de todos de alegria e de esperança ver uma criança de projeto social se tornando um cidadão de bem ou um surfista que necessite de equipamentos adaptados, pegando onda e se divertindo.

Aloha!



Phil Rajzman
Phil Rajzman
Foi tricampeão mundial de longboard (em 2007 e 2016, campeão mundial pela World Surf League e em 2004 campeão mundial pelo Oxbow Pro), bicampeão Pan-Americano (2007 e 2009) e atleta da elite mundial por 25 temporadas (até 2022). Carioca, 41 anos, foi o primeiro brasileiro a entrar para a história como Campeão Mundial de Surf, conquistando o título no pranchão. Tem um canal no YouTube (@PhilGood21) e marca presença forte também no Instagram e no Facebook como @philrajzman

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