A Confederação Brasileira de Surf (CBSurf), órgão oficial do esporte filiado ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB), vem tomando uma série de medidas em prol do esporte em 2018, com circuitos nacionais e regionais e apoio a atletas. A entrada do surf nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 e consequente aporte de verbas do COB foram decisivos para isso. Mas um lance de pura e simples incompetência inviabilizou a participação da equipe brasileira nos ISA Games deste ano, que começam neste sábado, no Japão.

Os atletas Geovane Ferreira, Ian Gouveia, Anne dos Santos, Gilvanilta Ferreira, Larissa dos Santos e Marcos Corrêa estavam de malas prontas para ir ao aeroporto, nesta quinta (13), quando foram informados, por uma mensagem de Whatsapp, que a viagem foi cancelada. Imagine o tamanho da frustração.

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Os ISA Games garantem vagas para o Pan-Americano de Lima, em 2019. O Pan, por sua vez, classifica os dois campeões, masculino e feminino, para os Jogos Olímpicos. Os atletas ainda terão outra chance de se classificarem para Pan. Para isso, terão de participar do PASA Surfing Games, no Peru, entre os dias 2 e 9 de dezembro.

As justificativas iniciais da entidade para o cancelamento eram a demora para a concessão de vistos aos atletas e ainda questões relativas à organização do COB, que participava do projeto. Um comunicado emitido pelo COB, entretanto, explica com clareza que o que levou os atletas a serem informados de que não viajariam para o Japão horas antes de seu embarque foi na verdade uma série de incompetências.

Irregularidades com documentos de prestações de contas, indecisões, demora para executar projetos, falta de comunicação. Tem de tudo. Leia abaixo:

“Por decisão da CBSurf, a participação no Mundial foi então cancelada”

O COB aprovou a liberação de verba para o projeto apresentado pela CBSurf para o ISA Games no dia 17 de julho, com previsão de repasse de recurso e início da execução do projeto pela CBSurf em 1º de agosto. No entanto, na data prevista para repasse, a CBSurf estava impossibilitada de receber recursos da Lei Agnelo/Piva por não ter apresentado documentos necessários e obrigatórios para prestação de contas de projetos anteriores.

Assim que a CBSurf regularizou sua situação de prestação de contas, no dia 3 de setembro, o recurso foi disponibilizado. Durante o período em que a CBSurf estava impossibilitada de receber recursos, o COB informou que poderia executar o projeto, como atualmente atua com algumas Confederações, com o objetivo de não causar prejuízos aos atletas. A CBSurf optou por aguardar o momento que pudesse receber o recurso e executar o projeto.

Na quinta-feira, 6 de setembro, a CBSurf esteve no COB e informou diversas dificuldades operacionais internas para contratação de passagens aéreas, hospedagem, alimentação e aluguel de veículo, que poderiam acarretar problemas na futura prestação de contas da entidade junto ao COB. O COB então deu orientações para que a Confederação pudesse seguir com o planejamento.

Na segunda-feira, dia 10, a CBSurf esteve novamente no COB e informou que não tinha conseguido fazer nenhuma das contratações necessárias. Mesmo diante do curtíssimo prazo para a viagem, o COB buscou, mais uma vez, auxiliar a confederação na organização desta ação.

Em relação às passagens aéreas, na data em que as reservas foram solicitadas, só havia disponibilidade em empresas aéreas com conexão nos Estados Unidos, onde é necessário visto para entrada no país. A CBSurf era a responsável por conseguir os vistos para seus atletas e a equipe feminina não dispunha de visto americano. Pela Europa, só havia disponibilidade de passagens de primeira classe e a Lei Agnelo/Piva não permite a compra de passagens desta categoria. Desta forma, essa ação não pôde ser realizada no tempo necessário para participação no evento.

Por decisão da CBSurf, a participação no Mundial foi então cancelada.”

Texto: Redação HC
Imagem de capa: Equipe brasileira nos ISA Games em 2017. Crédito: ISA/Divulgação


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