A câmera lenta nos drops insanos de Russell Bierke ajuda a refletir sobre o peso da decisão de se jogar em picos cabulosos como Shipsterns e Teahupoo

Por Fernando Guimarães

Russell Bierke é um free-surfer australiano famoso pela atitude e habilidade em ondas cabulosas. Ganhou holofotes em escala mundial em 2016, ao vencer o Red Bull Cape Fear nas ondas potencialmente assassinas de Ours, em Sydney.

Seu surf não se encaixa exatamente na categoria de ondas grandes, como Nazaré ou Mavericks, e sim de ondas sinistras, como Teahupoo grande, The Box e Shipesterns Bluff — a demoníaca direita da Tasmânia é palco de alguns dos melhores momentos deste curta, por sinal.

Relativamente avesso a competições e ao mainstream do surf em geral, Bierke mantém uma personalidade discreta fora da água.

Assim, Flow State ajuda a nos aproximar desse cara um pouco esquisito — especialmente para os padrões brasileiros: cabeludão, quase albino, calado e meio despreocupado com sua conta no Instagram.

Um filme de surf sobre Russell poderia ser pancadaria pura, para injetar adrenalina no fundo dos ossos de qualquer ser humano. Em vez disso, a câmera lenta é usada — acertadamente, uma coisa rara no surf — para trazer medo e suspense antes do desenrolar de cada drop. Uma tensão que faz refletir sobre a coragem, ou a maluquice — ou ambas — envolvidas na decisão de se jogar do topo de uma avalanche de água salgada num vazio de quatro ou cinco metros de altura.

O filme é um bom curta, que alterna uma entrevista com perguntas realmente interessantes com alguns momentos de insanidade pura no mar. Assista:

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