Tati Weston-Webb e Silvana Lima (foto) fazem dobradinha e avançam. No masculino, Caio Ibelli passa em 2º, Deivid Silva e Jadson André são eliminados

Por Fernando Guimarães

As primeiras rodadas eliminatórias do Quiksilver e Roxy Pro foram para a água na manhã deste sábado (5) em Hossegor, França. O dia começou com as baterias da repescagem masculina, em ondas pesadas e difíceis na casa dos seis pés e quebrando muito perto da areia.

Os tubos eram a melhor opção, mas ao longo da manhã as condições foram piorando, provocando o cancelamento da segunda rodada do campeonato masculino, inicialmente programada para acontecer na sequência da repescagem feminina.

Jadson André entrou no primeiro duelo do dia, ao lado de Kolohe Andino e do convidado local Marco Mignot.

O brasileiro se jogou sem medo nas maiores que apareciam. Ele colocou pra dentro de alguns tubos bem grandes, mas não conseguiu completar nenhum — seu score mais alto ao final da bateria não chegou à casa dos dois pontos.

Ele ainda passou um perrengue ao fazer uma última tentativa numa direita muito grande. Ele vacou no drop, entrou de cabeça na água, rodou junto com uma enorme massa de água e levantou zonzo. Os salva-vidas entraram em ação para garantir sua segurança, mas nada demais havia acontecido.

Marco apoiou sua bateria em um tubo muito rápido numa das menores ondas que entraram, logo no começo, para garantir a segunda posição. Kolohe completou um canudo grande para a direita e morreu dentro de outro, que ainda assim lhe garantiu nota suficiente para a primeira posição.

Kolohe Andino pronto para ser engolido (reprodução/WSL)

Logo no começo da bateria seguinte, outro convidado, Marc Lacomare, mostrou o que era possível ser feito no dia. Dropou uma esquerda muito atrás do pico, correu muito por dentro do maior túnel do dia e saiu limpo, em pé, do outro lado. Os juízes seguraram a nota que tinha cara de dez, deixando a média em 9,10. Marc avançou naquele duelo junto com Michel Bourez, eliminando Sebastian Zietz.

Dois brasileiros vieram na sequeência, Caio Ibelli e Deivid Silva, ao lado do australiano Soli Bailey.

Soli, que já foi campeão em Pipeline (Volcom Pro, 2017), entendeu que era melhor pegar tubos menores e rápidos e garantir alguma nota do que tentar só os mais sinistros, como Jadson. O australiano mostrou novamente o talento para ondas rápidas e pesadas e rapidamente somou um score decente. Deivid, menos experiente que Caio, não conseguiu se encontrar e terminou na terceira posição.

Na última bateria da rodada entre os homens, Conner Coffin foi muito bem, completando um tubo enorme para a esquerda, mais curta que a de Marc, mas com o drop ainda mais atrasado, despencando de backside junto com o lip. A nota saiu idêntica, 9,10. Conner fez a melhor soma dessa fase, 14,27, com Wade Carmichael em segundo e Ricardo Christie eliminado.

 

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#QuikPro France Wildcard @marclacomare fully disappears for a 9.10 🇫🇷

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Stephanie Gilmore não achou nada e acabou eliminada, atrás de Nikki Van Dijk e Paige Hareb, na abertura da repescagem feminina. É um estranho último lugar para a sete vezes campeã mundial, que dificulta um pouco sua defesa do título e que não foi muito bem digerido, como mostrou seu desconforto ao ser entrevistada na sequência.

Silvana Lima, Tati Weston-Webb e Bronte Macaulay disputaram a sobrevivência na etapa em seguida, com final feliz para a dupla brasileira. Tati, que foi para o Taiti e pegou altas ondas durante o free-surf em Teahupoo, mostrou novamente que é uma das melhores em ondas rápidas, verticais e pesadas. Muito à vontade no difícil quebra-coco francês, ela entrou e saiu de diversas ondas, manobrou no limite, entubou e liderou do começo ao fim. Em sua última onda, completou um difícil floater no seco, desceu da prancha já caminhando na areia e em alguns segundos já estava distribuindo autógrafos.

Silvana teve vida mais difícil. A cearense foi para a terceira posição na metade final da bateria e tinha dificuldade de achar uma nota. Como Jadson, ela se jogou nas maiores que viu, botando pra dentro sem medo em sessões que pareciam impossíveis (e eram mesmo). Ela precisava de uma nota na casa dos três pontos e conseguiu manobrando numa direita inteira branca muito perto da areia em sua última onda, nos momentos finais do confronto.

A organização convocou para a sequência do dia a última etapa do circuito de aéreos da WSL, o Red Bull Airborne. Para assistir ao campeonato ultra-progressivo, entre aqui.

Quiksilver e Roxy Pro – resultados e próximas baterias

Round 3 masculino:

1. Jordy Smith x Frederico Morais
2. Jeremy Flores x Caio Ibelli
3. Owen Wright x Ezekiel Lau
4. Ryan Callinan x Michael Rodrigues
5. Filipe Toledo x Marc Lacomare
6. Wade Carmichael x Willian Cardoso
7. Julian Wilson x Jorgann Couzinet
8. Kanoa Igarashi x Jack Freestone
9. Gabriel Medina x Marco Mignot
10. Conner Coffin x Adrian Buchan
11. Seth Moniz x Peterson Crisanto
12. Kelly Slater  x Leonardo Fioravanti
13. Kolohe Andino x Soli Bailey
14. Griffin Colapinto x Yago Dora
15. Michel Bourez x Joan Duru
16. Italo Ferreira x Jessé Mendes

Round 2 masculino

1. Kolohe Andino 9.66, Marco Mignot 6.06, Jadson André 2.46
2. Marc Lacomare 11.20, Michel Bourez 7.94, Sebastian Zietz 6.07
3. Soli Bailey 11.07, Caio Ibelli8.43, Deivid Silva4.30
4. Conner Coffin 14.27, Wade Carmichael8.80, Ricardo Christie 6.33

Round 3 feminino:

1. Lakey Peterson x Silvana Lima
2. Malia Manuel x Macy Callaghan
3. Carissa Moore x Coco Ho
4. Tati Weston-Webb x Keely Andrew
5. Sally Fitzgibbons x Paige Hareb
6. Johanne Defay x Brisa Hennessey
7. Caroline Marks x Nikki Van Dijk
8. Courtney Conlogue x Vahine Fierro

Round 2 feminino

1. Nikke Van Dijk 8,60, Paige Hareb 8,37, Stephanie Gilmore 6,97
2. Tati Weston-Webb 10,94, Silvana Lima 7,63, Bronte Macaulay 7,53

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