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João Chianca saiu do Billabong Pro Pipeline maior do que entrou

Por Luciano Meneghello

O Billabong Pro Pipeline ainda não terminou, porém, ao menos uma certeza nós já temos: João Chianca foi um dos grandes destaques do evento.

Estreante na elite mundial do surf, Chianca literalmente levantou a torcida mostrando atitude e habilidade nas ondas de Pipeline incomuns para um estreante do CT – Ainda mais em um Pipe pesado, como estamos acompanhando ao longo da competição.

E, mais que isso, o brasileiro encarou baterias dificílimas, batendo de frente com adversários duríssimos, incluindo o favorito ao título, John John Florence, que surfa em casa.

Contudo, sem se importar com favoritismos, Chianca não se intimidou e foi para cima, surfando como se fosse um veterano em Pipeline.

João Chianca Pipeline
Uma conexão diferenciada com Pipeline. Foto: Brent Bielmann/ World Surf League)

Essa habilidade em ondas de consequência foi lapidada em seu ‘home break’, a praia de Itaúna, em Saquarema, onde quebra a poderosa onda da Barrinha, cujo power pode ser comparado ao havaiano (palavras de Kelly Slater).

Mas o talento e a atitude do brasileiro também estão no sangue. É que João é irmão mais novo do big rider Lucas Chumbo, recentemente coroado com o título de campeão do Nazaré Tow Surfing Challenge.

Os irmãos têm uma diferença de cinco anos entre eles e foram conquistando seu espaço no mundo do surf, cada um à sua maneira.

Lucas seguiu o caminho das ondas gigantes, enquanto João sempre teve o sonho de chegar ao CT.

João Chianca Saquarema
João Chianca lapidando seu talento nas pesadas e tubulares ondas da Barrinha de Saquarema. Foto: Reprodução

Tendo como referências Raoni Monteiro e Léo Neves (In Memorian), dois locais de Saquarema que se destacaram na elite mundial do surf, João e Lucas também contaram com o apoio irrestrito da família para correrem atrás do sonho de se tornarem surfistas profissionais.

Não tinha como ser diferente, afinal, Gustavo Chianca, o “Chumbão”, pai de João e Lucas é um surfista apaixonado, amante das ondas grandes e pesadas de Saquá, que transmitiu para os filhos sua paixão pelo esporte.

Em Pipeline João Chianca deixou a melhor das impressões possíveis. Na primeira fase, encarou John John Florence e seu compatriota, Jadson André.

A sua primeira na bateria foi um 8,43 pontos, com um tubão que ele entrou após um drop incrível para Pipeline, sem as mãos na borda, deixando claro que não estava ali para brincadeira.

O que se viu na sequência foi um duelo polarizado entre o brasileiro e o havaiano, que terminou com uma pequena vantagem de Florence. Mas o “estrago” já estava feito…

Em seguida, João encarou outra pedreira pela frente: o australiano Jack Robinson, até o momento dono das maiores somatórias do evento.

Mais uma vez, o surf do brasileiro se sobressaiu, deixando transparecer uma conexão muito forte com Pipeline, sempre apostando nas maiores e melhores ondas.

Na terça-feira, enfrentou novamente o havaiano John John Florence nas oitavas de final em uma das melhores baterias desta edição.

João Chumbinho perdeu, mas deixou seu nome no topo da lista das maiores notas do CT 2022.

Para vencer o brasileiro, Florence surfou dois tubaços seguidos que valeram 9,77 e 8,00 no maior placar do dia: 17,77 pontos.

Mas, o novato João Chianca não se abalou e surfou um tubo fantástico e a história da bateria quase muda. Dos cinco juízes, dois deram nota 10 para ele e a média ficou em 9,87.

Vendeu caro a derrota e definitivamente saiu do evento maior do que entrou. Sem dúvida uma das melhores performances de um estreante no campeonato mundial de Pipeline. Oxalá que seja só o começo. O surf brazuca agradece!

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