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“Hardcore renasce durante temporada havaiana,” relembra Mauricio Moreira



A comunidade do surf está de luto após perder Alberto Sodré, um dos grandes mestres da fotografia aquática de surf, no dia 30 de janeiro de 2021.

Além de “excelente fotógrafo, Sodré foi um power surfer de primeira linha,” contou o seu amigo próximo, o surfista e jornalista Reinaldo “Dragão” Andraus.

+ Reinaldo Andraus “Exterminando o complexo de vira-latas” do surf brasileiro

O que talvez nem todos saibam, é que Alberto Sodré também foi um dos fundadores da Revista Hardcore.

Sua personalidade, suas histórias extraordinárias, e a sua expertise incomparável na fotografia aquática de surf, são relembradas abaixo.

“Mauricio Moreira, Marco Lorente (diretor de arte), Cação e Dragão. “Esse foi o dream team real mesmo,” conta Mauricio. Foto: arquivo pessoal / Mauricio Moreira

MAURICIO MOREIRA: “Quando falamos de Beto Cação sempre pensamos nas fotos iradas que estampavam as revistas de surf no Brasil e no mundo.”

“Eu penso que seria a melhor pessoa para falar dele, pois estudamos juntos no primário, surfamos no colégio e trabalhamos na Fluir e na Hardcore durante os anos 80 e 90.

O Beto sempre teve na veia aquela garra de empreender e fazer as coisas.

Sempre à frente de seu tempo, e, com a costumeira agitacão que fazia parte do seu dia a dia, ele queria fotografar, dirigir e ter a empresa para produzir esse conteúdo.

O surf acontece no Hawaii e é de lá que vêm as fotos mais legais a ser impressas aqui, na Califórnia e Austrália.

Portanto, ir ao Hawaii é fundamental para uma revista de surf.

Com a experiência de Fluir, ao montar a Hardcore tentávamos captar o necessário para que tudo se resolvesse e a revista pudesse estar na temporada havaiana todos os anos e ser uma realidade nas bancas mensalmente.

Não foi nem uma ou duas vezes em que esse sincronismo pôde acontecer da maneira como havia sido planejado e é daí que as histórias de Beto Cação se tornam hilárias e absurdamente incríveis.

“Isso é durante o festival brasileiro em Itamambuca. Nesta foto vemos os paulistas. Foi essa geração que começou a tirar os cariocas dos pódios. Da esquerda para a direita, Cação (abaixado), Taiu, Fantinha, Alemão de Pernambuco, Tinguinha, Alfredo Bahia, Picuruta, Edu Buram, Paulinho Esmeralda e Mário Albanese,” conta Moreira. Segundo Moreira, havia palpites de que a foto foi tirada na Prainha, ou na Itamambuca. Mais tarde ele confirma: Prainha.

A HARDCORE É LANÇADA

Para entender essa história, voltamos um pouco no tempo.

Em 1989, tínhamos a double M / A. Sodré, uma agência especializada em publicidade & marketing surf.

Esse trabalho nos trouxe o Wanderley Romano, um surfista da capital que editava um tablóide de surf nos moldes californianos (e que viria a ser dono do Bar Venice).

No dia seguinte, chego à agência e digo para o Marco Lorente, o M da double, que a gente poderia transformar aquilo numa revista tipo Fluir. Afinal, tínhamos trabalhado lá e seria fácil com o Sodré ao nosso lado.

Edição de arte ok, foto ok.

A gente precisava do cara de texto e a pessoa certa era o Alceu Toledo Junior, na época editor-assistente na Fluir.

A primeira coisa que fiz foi ligar para o Cação e sugerir algumas pautas.

Vale dizer que tudo isso aconteceu durante a temporada havaiana de 89/90. A Fluir estava com seu time de peso no Kuilima, North Shore, com Alberto de vizinho captando imagens para a agência.

Quando sugeri as pautas ele quis saber o porquê e, por conhecer ele a fundo, me recusei a abrir o jogo.

Bom, daí para frente ele me ligava, a cobrar, diariamente, e para não receber uma conta absurda de telefone, acabei contando toda a verdade.

Não deu outra, Beto chega em Sunset, no estacionamento em frente à praia, dizendo que é dono da revista de surf mais isso e aquilo, no bom estilo ubatubera.

Acontece que o Dragão, editor da Fluir, volta antes para o Brasil já com a novidade e isso cai como uma bomba na revista Fluir.

Foi aí que perceberam a razão da saída do Alceu, que estava querendo ser dispensado.

Não preciso dizer que, apesar das tentativas de barrar o lançamento, a Hardcore nasceu numa festa no Rose Bombom no dia 6 de fevereiro de 1990, uma terça-feira.

Em resumo, se não fosse ele, o Alceu Toledo Junior já estaria no time no começo, mas ele só veio se juntar à redação dois anos depois, quando o Dragao já era o novo editor.

Onde estiver, Beto Cação, você será sempre lembrado pelo teu sorriso, pelo seu astral e por camaradagem com todos que tiveram o privilégio de te conhecer. Vai na boa, rema forte e fica na paz das ondas celestiais. Nós aqui, da Hardcore raiz, vamos sempre te amar!,” conta Mauricio Moreira à Hardcore.

 

Reinaldo Andraus_R.I.P Alberto Sodré

“Acima está a capa da edição de 3 anos da Revista Hardcore. Brock Little em Waimea Bay. Cação entrou com um colchão inflável em um dia que a Baía fechou algumas vezes na temporada 1991/1992 e poucos fotógrafos se aventuraram para registrar de dentro d’água,” conta Reinaldo “Dragão” Andraus, surfista, historiador de surf e grande amigo de Alberto Sodré.


REINALDO “DRAGÃO” ANDRAUS: “Alberto foi o MAIOR fotógrafo de surf brasileiro nas imagens de dentro do mar.”

 

“A coragem de Alberto e seu preparo físico sempre foram preponderantes para que até hoje seja considerado o MAIOR fotógrafo de surf brasileiro nas imagens de dentro do mar. Ele chegou desta temporada com o prêmio BEST PRINT MEDIA que a ASP ofertou à Hardcore na temporada anterior. Ele recebeu como um dos donos da revista. Nesta edição outra das ideias revolucionárias foi reunir na redação Picuruta Salazar e Fabinho Gouveia (Elka Roichman Gouveia) para uma entrevista em que um fazia perguntas para o outro. Ideia de Alceu Toledo Junior, que teve a minha participação especial e de Alberto De Abreu Sodré no papo descontraído,” conta Andraus.

 

ROSALDO CAVALCANTI: “Um fotógrafo talentoso e atirado, um amigo querido”

 

R.I.P Alberto Sodré_capa Rosaldo

 

“Alberto de Abreu Sodré foi um dos pioneiros da fotografia aquática no surfe brasileiro. Cação – como era carinhosamente chamado pelos amigos – foi um fotógrafo talentoso e atirado. Seja no Hawaii, em Noronha ou no Tahiti. Estivemos juntos em várias ocasiões… em diferentes lugares. Dentro e fora dos tubos. Era um amigo querido. Nos anos 90 fomos juntos para o Tahiti produzir uma matéria para a @revistahardcore. O resultado foram muitas páginas de fotos (dele) e texto (meu). De souvenir ainda ganhei uma capa, surfando um tubo em Taapuna, que eu guardo com muito carinho, saudade e orgulho. RIP Cação!,” escreveu Cavalcanti. 

 

Reinaldo Andraus: “Trabalhei com Alberto também na Fluir”

 

R.I.P Alberto Sodré

“Trabalhei com Alberto também na Fluir, capa da edição 29 – Matin Potter – Backdoor. Ele e Basilio Bosque Ruy fizeram uma parceria incrível e tive o prazer de editar, ao lado de Bruno Alves as histórias e fotografias que traziam. FANTÁSTICAS!!! Cação saiu da Fluir para formar uma das primeiras agências de publicidade especializadas em anúncios de surf, a DOUBLE M / A. SODRÉ ao lado dos diretores de arte Mauricio Moreira e Marcos Lorente (que eram os 2 Ms). A parceria acabou desembocando na transformação do tabloide Hardcore em Revista, associando-se a Wanderley Romano e Simone Sanches. Eu acabei me associando a eles no final de 1990. Todos havíamos trabalhado juntos na Fluir,” relembra Reinaldo Andraus.

 

Luciano Ferrero (ex-editor de fotografia da Fluir): “Ao saber da notícia do encerramento da Fluir, Alberto caiu em choro” 

 

“Um dos caras que mais influenciou na formação de uma geração de fotógrafos de surf no Brasil partiu para seu descanso. Depois de encarar diversas temporadas no Hawaii e, em uma delas, a baía de Waimea fechando, depois de ver tubarões nadando ao seu lado no Tahiti com apenas seus pés de pato e sua caixa estanque, nosso amigo está agora seguindo seu caminho de luz. Resolveu partir numa linda noite de lua cheia. No último por do sol, visualizei nuvens formando linhas perfeitas como eu gostava. Exímio mergulhador tinha um fôlego admirável. Quando editava a última edição da revista Fluir em 2016 liguei pra ele pra pedir uma fotos e ao saber da notícia do encerramento caiu em choro. Se emocionou com a história de tantos outros fotógrafos e surfistas que passaram pelas páginas da revista. Se emocionou com suas fotos que ilustraram as primeiras edições e com tantas histórias que viveu no mundo do surf. Quando fundou a Hardcore me convidou para participar mas eu educadamente preferi continuar na Fluir. Saí do nosso encontro preocupado com a certeza que a concorrência iria ser de alto nível. Sempre foi muito educado e solícito quando eu precisava pesquisar seu maravilhoso e rico fotoarquivo. Nossa última conversa nesse plano foi em Ubatuba quando tomamos um café e ele me contou sobre os mergulhos e tocas de peixes que ele conhecia perto onde eu tinha uma maricultura. Sua vida deixa um legado de belíssimas imagens, feitas com o mais crítico profissionalismo e sempre em busca da emoção. Descanse em paz, amigo!,” diz Luciano Ferrero à Hardcore.  

 

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