Jack Robinson (foto), Matthew McGillivray e Morgan Cibilic são os únicos estreantes no CT masculino em 2020 — menor número da era WSL e 1ª vez sem brasileiros

Por Redação HC

O ano de 2020 terá o menor número de estreantes no circuito mundial entre os homens desde a passagem das rédeas do surf profissional das mãos da ASP para as da WSL. São apenas três novos rostos, no piso de uma curva decrescente que em outros anos viu oito novos nomes ingressarem à elite mundial pelo Qualifying Series.

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Foi o que aconteceu em 2015, primeiro ano dos circuitos sob controle da WSL. Caio Ibelli e Alex Ribeiro foram os brasileiros que conseguiram se posicionar entre os dez primeiros do QS (Caio foi o campeão do circuito), ao lado dos australianos Jack Freestone, Davey Cathels, Ryan Callinan e Stu Kennedy e da então dupla de californianos Kanoa Igarashi e Conner Coffin (Kanoa passaria a defender a bandeira japonesa alguns anos depois).

Naquele ano, o QS contou com 9 etapas de pontuação máxima (10 mil pontos): Trestles, Saquarema, Ballito, Huntington, Açores, Cascais, Maresias, Haleiwa e Sunset. Nas temporadas seguintes, foram apenas cinco eventos desse porte, até 2019, quando uma etapa foi acrescentada.

Em 2020, o QS voltará a ter um número mais alto de etapas desse porte: se confirmado o calendário atual, serão oito campeonatos de 10 mil pontos, com uma importância acentuada pela redução na pontuação das etapas do segundo nível mais alto do circuito, que passaram de 6 mil para 5 mil pontos.

Italo Ferreira na Cacimba do Padre, Fernando de Noronha, durante o Oi Hang Loose Pro 2019

O Oi Hang Loose Pro, em Noronha, vai valer menos pontos em 2020. Para Italo Ferreira, tanto faz: o que vale são os tubos da Cacimba, como esse (foto Ricardo Alves)

Se por um lado a WSL espera que a mudança aumente a rotatividade de surfistas na elite mundial, com o surgimento de novos nomes através do QS, por outro a situação não é exatamente a melhor para os competidores do Brasil. Se em 2015 dois dos nove eventos de 10 mil pontos rolaram em ondas brasileiras, em 2020 todos eles serão em outros países. Para completar, nossa melhor etapa, o Oi Hang Loose Pro, em Fernando de Noronha, abaixo de 6 mil para 5 mil pontos.

Ou seja, para caras como João Chumbinho, Weslley Dantas e Mateus Herdy — apenas alguns dos novos talentos do Brasil que vêm batendo na porta do CT — entraram no Top 34, vão ter que fazer bonito em águas estrangeiras. Nada demais, é verdade. Mas em 2019, entre as novidades, quem se deu bem foram os gringos — dois australianos e um sul-africano. Conheça um pouco mais deles:

Matthew McGillivray (África do Sul)

Local de Jeffreys Bay, Matthew terminou o QS em um seguro quarto lugar com uma campanha baseada em boas atuações em direitas grandes e fortes: 3º lugar em Haleiwa, quartas de final em Sunset e Ericeira. Aos 22 anos, tem algum domínio das manobras aéreas mas não é nenhum prodígio. O ponto forte é a leitura de onda e o surfe de borda em ondulações grandes de mar aberto — afeito a picos como Bells Beach, o Main Break de Margaret River e Jeffreys Bay.

Jack Robinson (Austrália)

Jack é a grande esperança australiana para retomar os momentos de glória vividos por Joel Parkinson e Mick Fanning. Vive sob os holofotes da mídia internacional desde criança, atenção justificada sobretudo por uma atitude destemida e muita habilidade nos tubos. Tem um bom jogo de aéreos mas não costuma ganhar baterias com eles: seu forte mesmo são ondas pesadas e que metem medo na maioria dos outros surfistas, e ele deu um jeito de classificar-se ao CT com elas, com vitórias espetaculares no Volcom Pro, em Pipeline, e na Vans World Cup, em Sunset. Deu um baile em Filipe Toledo competindo como convidado nos tubos casca-grossa de The Box, seu pico local, durante o Margaret River Pro, onde será um dos favoritos. Também deve causar algum estrago em picos como Supertubos e Barrinha, se tiver onda, além de Teahupoo, G-Land, La Graviere e, sobretudo, Pipeline (foto de capa). O surf nas ondas menores vai dizer se será um top 20, top 10 ou até, quem sabe, se brigará pelo título.

Jack Robinson a caminho do título do Volcom Pipe Pro, no início de 2019 (WSL/divulgação)

Morgan Cibilic (Austrália)

O mais jovem dos estreantes ficou se mostrou quase assustado nas primeiras entrevistas após confirmar sua vaga na elite mundial, na 11ª posição do QS, graças a uma boa atuação de Yago Dora em Pipeline que abriu mais uma vaga no acesso. Cresceu surfando point-breaks para a direita, como Angourie, onde Bede Durbidge, por exemplo, moldou um surf que deixou lá suas marcas na elite mundial. Teve seu melhor resultado no 10 mil de Pantín, Galícia, neste que foi apenas seu segundo ano correndo o QS inteiro. Pode se dar bem nos vários points de direita do Tour — Snapper, Bells, J-Bay — , mas a verdade é que vai depender muito de um bom resultado no começo do ano. Caso contrário, deve ser relegado aos seedings mais baixos, um buraco difícil de sair ao longo da temporada, como demonstrou seu conterrâneo Soli Bailey em 2019.

Estreantes no CT – ano a ano desde 2015

2020: Matthew McGillivray, Jack Robinson, Morgan Cibilic
2019: Deivid Silva, Peterson Crisanto, Seth Moniz, Soli Bailey, Mikey Wright*
2018: Jesse Mendes, Yago Dora, Willian Cardoso, Tomas Hermes, Michael Rodrigues, Wade Carmichael, Griffin Colapinto, Michael February
2017: Ian Gouveia, Ethan Ewing, Frederico Morais, Connor O’Leary, Joan Duru, Leo Fioravanti, Ezekiel Lau
2016: Caio Ibelli, Jack Freestone, Kanoa Igarashi, Alex Ribeiro, Deivid Cathels, Conner Coffin, Ryan Callinan, Stuart Kennedy
2015: Matt Banting, Wiggolly Dantas, Italo Ferreira, Keanu Asing

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