A emocional vitória de Miguel Pupo no terceiro QS de 10 mil pontos do ano pode ser o começo de uma das grandes voltas por cima do surf

Por Fernando Guimarães

Miguel Pupo desabou em lágrimas após sagrar-se campeão do Abanca Galicia Classic Surf Pro, terceira etapa de 10 mil pontos do QS finalizada nesta sábado (7) na praia de Pantín.

Em 2017, Pupo não conseguiu se reclassificar para o CT pela primeira vez desde que entrou para a elite mundial, em 2011. No ano seguinte, 2018, ele ficou como primeiro alternate no Circuito Mundial e foi convidado para quase todas as etapas.

O que parecia uma oportunidade acabou funcionando como um golpe. Por um lado, os resultados não foram o esperado entre os top 34. Por outro, a correria de fazer os dos circuitos impediu o já veterano Miguel de se concentrar no QS.

A temporada teve um resultado desanimador, e não ajudou nada o fato de Miguel ser cortado da equipe de seu patrocinador de longa data, a Hurley, e ficar sem um apoio principal para viajar e competir. No começo de 2019, seu segundo ano seguido fora da elite, a sorte começou a virar quando a empresa de construção civil Nosso Lar anunciou patrocínio de bico para Miguelito. Mas ele tampouco vinha fazendo uma campanha de destaque no QS.

Até esta última semana.

Miguel venceu todas as baterias de quatro atletas que disputou no QS de Pantín, até chegar em um duelo especial na quinta rodada: ele e seu irmão mais novo Samuel, foram escalados para o mesmo confronto, junto com o norte-americano Michael Dunphy.

Samuel venceu importante títulos nacionais e internacionais nas categorias de formação do surf e é uma das grandes promessas do Brasil para os próximos anos. Chegar até aquela rodada de um evento de pontuação máxima do QS era seu melhor desempenho como profissional até então, e ele conseguiu avançar mais uma rodada. Mas atrás do irmão mais velho.

A partir daí, baterias homem a homem — vencer ou vencer.

Miguel Pupo decola em Pantín

Os aéreos foram uma importante arma para Miguel na conquista do título em Pantín

As esquerdas de Pantín, com o vento batendo de frente, se tornavam boas pistas de decolagem para os goofies. Miguel pareceu reencontrar sua melhor forma e completou diversos aéreos ao longo da competição, uma marca de seu surf no início da carreira que parecia estar se apagando.

Venceu nas oitavas de final e foi para o último dia de competição já com um excelente resultado garantido. Mas poderia ser muito melhor.

Como fazem os grandes campeão, Pupo foi subindo seu nível ao longo da reta final. Foi bem nas quartas, melhor ainda na semi, e fez sua melhor atuação de todas no campeonato na grande final. Confiante, abriu vantagem com duas notas excelentes logo no primeiro terço da bateria, e nunca deu chance para seu rival, o jovem californiano Jake Marshall.

“Tem sido anos difíceis pra mim”, disse Pupo, deixando a emoção correr. “Mas eu consegui. Eu parei de acreditar em mim mesmo há algum tempo, mas agora estou aqui de volta, graças a Deus”.

Os dez mil pontos pela conquista do título levam Miguel para a terceira posição no ranking do QS. Ainda não é possível cravar matematicamente sua vaga entre os dez primeiros ao final do circuito, mas sendo um dos mais experientes — e vencedores — de toda a concorrência e com três etapa de 10 mil pontos ainda por vir, a posição é muito boa. E o mais importante de tudo: a confiança voltou.

Confira abaixo os melhores momentos da incrível vitória Miguel Pupo na Galícia:

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