Gabriel Medina é o campeão do Tahiti Pro, sétima etapa do Circuito Mundial da WSL em 2018. O surfista de Maresias conquistou neste domingo (19) o título em Teahupoo com uma virada emocionante em sua última onda da final contra o australiano Owen Wright.

Com a vitória, Gabriel Medina ultrapassa o australiano Julian Wilson e assume a segunda posição no ranking da WSL, que segue liderado por Filipe Toledo.

Veja abaixo alguns dos melhores momentos de Medina em Teahupoo:

Congratulations @gabrielmedina, winner of the 2018 #TahitiPro Teahupo’o! 🏆

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O título também reafirma Medina como um dos maiores surfistas da história de Teahupoo, considerada uma das ondas mais temidas do mundo. Nos últimos cinco anos, ele fez quatro finais e foi duas vezes campeão lá, em condições que variaram de ondas grandes e pesadas (2014) a um mar pequeno e imprevisível (2018).

Filipe também foi bem no domingo: venceu sua bateria das quartas de final contra o sul-africano Michael February e só foi parado na semi, pelo vice-campeão Owen Wright. A terceira posição foi a melhor classificação de Filipe em Teahupoo nos seus seis anos como membro da elite mundial.

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Condições difíceis no último dia

A edição de 2018 da etapa de Teahupoo foi escassa em ondas do início ao fim do evento. Neste domingo (19), a situação estava ainda um pouco mais difícil do que nos dias anteriores, com séries mais demoradas e uma oferta ainda menor de tubos.

Filipe Toledo venceu Michael February com uma onda pontuada pelas manobras e outra por um tubo de bom tamanho para a média do dia, e deu a tônica do que seriam as últimas baterias do campeonato.

A exceção foi Owen Wright, na segunda bateria das quartas, contra seu compatriota Wade Carmichael. E graças a um erro de Wade, que tinha a prioridade quando deixou passar a onda que seria dropada por Owen. Um longo tubo com a saída seca, que garantiu não só a vitória no duelo como as melhores nota (9,17) e média (16,00) deste domingo.

Na sequência, Gabriel Medina dominou seu duelo com Ítalo Ferreira do início ao fim. Na primeira onda, completou um tubo seco e emendou três manobras de força para largar na frente e já colocar a pressão em Ítalo. Logo na sequência, Medina cumpriu o que manda o livro de regras do competidor: sem a prioridade, pegou uma onda mediana desprezada por Ítalo e massacrou-a com algumas manobras na parede e lip. A nota foi mediana, mas garantiu a vitória na bateria. Foi a primeira vitória de Medina sobre o potiguar em cinco duelos entre os dois na elite.

Jeremy Flores demonstrou outra vez uma conexão profunda com os tubos de Teahupoo e passou com facilidade por Kolohe Andino, que tentou, sem sucesso, construir um score com aéreos e manobras na parede da onda.

Na primeira semi, Owen Wright mudou sua tática. Em vez de esperar as melhores ondas, pegou todas as menores que apareciam desde o soar da buzina. Construiu rapidamente um score mediano e colocou Filipe contra a parede. O resultado foi uma aparente insegurança que Filipe não havia demonstrado em nenhum momento do campeonato até então. Caiu em algumas ondas e não conseguiu se aproximar do australiano no placar. Filipe até esboçou uma reação no final da bateria, mas Owen conseguiu melhor ainda mais sua nota com uma série de manobras, acabando com as chances do brasileiro.

Gabriel Medina venceu Jeremy Flores na segunda semi graças a dois ótimos aéreos, ambos seguidos de uma série de manobras com muita pressão. O francês boiou na maior parte da bateria e completou o único tubo razoável do encontro, mas não conseguiu nada maior que 2 pontos para sua segunda nota.

Virada entre amigos

A final teve três boas trocas de ondas, com Owen levando a vantagem nas duas primeiras. O vento havia mudado e os tubos praticamente não existiam mais. A bateria entrou nos últimos dois minutos com o australiano vencendo por 0,60 pontos. Quando a última série entrou, ele se viu forçado a ir na primeira onda. Manobrou com força e certamente melhoraria sua nota. O que Owen não podia prever é que a onda de trás seria a melhor da final. Sozinho no line-up, Gabriel dropou já dentro de um ótimo tubo para os padrões do dia, emendou duas manobras e comemorou antes de finalizar a onda.

Gabriel e Owen são amigos. Patrocinados pela mesma empresa, costumam viajar e treinar juntos. E são ambos especialistas em Teahupoo, com a diferença de que o australiano, apesar de chegar duas vezes na final, ainda não conseguiu vencer um troféu da etapa.

Os dois se cumprimentaram após o final da bateria e aguardaram as notas. Virada para Gabriel Medina e festa para a torcida brasileira no canal.

Próxima parada: a piscina de Slater

A próxima etapa do Circuito Mundial da WSL é o Surf Ranch Pro, entre os dias 6 e 9 de setembro. Será a primeira etapa da história da elite em uma piscina de ondas artificiais, disputada no complexo idealizado e construído por Kelly Slater em Lemoore, interior da Califórnia.

Resultados do Tahiti Pro
Qf1: 
Filipe Toledo 11,43 x 8,60 Michael February
Qf2: Owen Wright 16,00 x 9,57 Wade Carmichael
Qf3: Gabriel Medina 13,10 x 7,57 Ítalo Ferreira
Qf4: Jeremy Flores 13,34 x 5,73 Kolohe Andino

Sf1: Owen Wright 12,60 x 10,03 Filipe Toledo
Sf2: Gabriel Medina 15,17 x 6,10 Jeremy Flores

FINAL:
Gabriel Medina 13,50 x 12,08 Owen Wright

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Texto: Fernando Maluf
Imagens: WSL/Damien Poullenot