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Australiano Top 5 em 2021 busca profissão fora do surf

A trajetória de Morgan Cibilic é um retrato fiel do quanto é complicado para um atleta sobreviver do surf, mesmo num país rico como a Austrália onde é um dos esportes mais cultuados

Quem acompanhou o Circuito Mundial da WSL em 2021 se surpreendeu com a atuação de Morgan Cibilic. O jovem australiano de apenas 21 anos de idade fez sua estreia no Tour de maneira eletrizante. Logo nos eventos iniciais conquistou bons resultados e terminou o ano entre os cinco surfistas que disputaram o título mundial no Final 5 em Trestles. Ninguém poderia imaginar que em 2022 ele cairia no corte do meio do ano e somente três anos depois de ter chegado muito perto do topo, estaria em busca de uma profissão fora do surf.

Na semana passada Morgan surpreendeu novamente o mundo do surf, mas dessa vez foi pelo motivo oposto do que jogou ele para debaixo dos holofotes em 2021. Ele apareceu em um vídeo da Acciona, empresa líder global em energias renováveis ​​e soluções de infraestrutura, vestido como um operário da construção e revelando que está considerando seguir carreira como agrimensor. O vídeo, publicado no canal do YouTube da Surfing Australia, órgão que representa a ISA na Austrália, gerou uma série de comentários protestando contra a WSL, acusando o corte do meio do ano de  ser injusto, causando desperdício de esforço e talento.

 

No início do vídeo, Morgan aparece surfando enquanto ele mesmo vai descrevendo o quanto ficou entusiasmado com o início de sua carreira na elite da WSL. “Tudo estava indo perfeitamente – ganhar um bom dinheiro, poder fazer o que quisesse, viajar e se divertir muito com todos os meus amigos”, são algumas das lembranças da temporada de estreia. “Não poderia ter pedido um início melhor para minha carreira”. 

Mais adiante, ele muda o tom do seu discurso, que passa a ser o de frustração e declara sem rodeios que “não tem muito dinheiro no esporte se você não estiver no Circuito Mundial”, acrescentando o quanto ficou abalado com o corte do meio do ano e a dificuldade em requalificar. “Eu não tinha dúvidas de que voltaria. Mas eu não voltei e pensei, “o que eu vou fazer?”.

Foi aí que surgiu a ideia de conseguir outro emprego, que lhe proporcionasse maior estabilidade. A opção de buscar uma formação para se tornar agrimensor tomou força por ser um trabalho que permite estar a maior parte do tempo fora de um escritório, ao ar livre e no meio da natureza. Aparentemente é uma ocupação procurada por muitos surfistas e Morgan acredita que seria possível encaixar uma sessão de surf antes e outra depois de cumprir seu turno na empresa.

Estar à procura de uma carreira alternativa não quer dizer que Morgan tenha desistido totalmente do seu sonho de triunfar no Circuito Mundial. Ele está agora em sua terceira temporada na Challenger Series, e continua exibindo o logo da Rip Curl, sua patrocinadora, em roupas e pranchas. O problema é que seus resultados até agora não foram muito animadores, um 33º no Bonsoy Gold Coast Pro, onde foi eliminado por Mateus Herdy, e um 49º no Sidney Surf Pro, no qual perdeu para Jett Schilling.

+Alejo Muniz é vice-campeão Sydney Pro; Samuca lidera ranking do CS

A trajetória de Morgan Cibilic é um retrato fiel do quanto é complicado para um atleta sobreviver do surf, mesmo num país rico como a Austrália onde é um dos esportes mais cultuados. Se a culpa é da maneira muito criticada como a WSL tem conduzido o esporte, da indústria do surfwear falida, ou do próprio Cibilic por não ter conseguido repetir suas performances do início da carreira é difícil de precisar. Até mesmo porque tudo indica que se trate de uma combinação de fatores. Bom para Cibilic já ter uma ganha pão à vista. Ruim para o esporte que perde o investimento de anos num atleta que ainda poderia oferecer muita alegria aos fãs.



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