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Alejo Muniz é vice-campeão Sydney Pro; Samuca lidera ranking do CS

O catarinense Alejo Muniz ganhou dois duelos brasileiros com os irmãos Samuel e Miguel Pupo, mas o surfista local de North Narrabeen, Jordan Lawler, usou os aéreos para vencer o  Sydney Surf Pro na Austrália. Na decisão feminina, a também australiana Isabella Nichols conquistou o bicampeonato nesta etapa de Sidney contra a canadense Erin Brooks, que segue na frente no ranking do Challenger Series 2024. Isabella assumiu o segundo lugar, assim como o Alejo, que tiraria a liderança do Samuel Pupo se vencesse esta segunda e última etapa na Austrália. A próxima é o Ballito Pro, nos dias 1 a 8 de julho na África do Sul.

“Estou muito feliz por estar aqui neste pódio”, disse Alejo Muniz.  “Eu tenho trabalhado tanto, por tanto tempo, para voltar a surfar num nível mais alto. Passei por duas cirurgias, perdi a classificação para o CT por pouco algumas vezes, então estar de volta as finais, significa muito para mim. Quando eu saí de casa, prometi ao meu filho que levaria para casa um troféu de um desses eventos na Austrália, então papai cumpriu a promessa (risos). Estou realmente feliz com meu desempenho e com este bom resultado”.

A vitória seria a cereja do bolo da melhor apresentação brasileira na história do Challenger Series. A terça-feira começou com dois duelos verde-amarelos nas quartas de final e Alejo Muniz passou pelos irmãos Samuel e Miguel Pupo, para chegar na decisão pela segunda vez em Sidney. Os dois finalistas já haviam decidido um título do Sydney Surf Pro, mas em outra praia, Manly Beach, nos tempos que o Qualifying Series era o ranking de acesso para a elite do World Surf League (WSL) Championship Tour (CT). Jordan Lawler foi o campeão no QS 6000 de 2019 derrotando outro brasileiro na final, Jadson André. Alejo Muniz também tinha sido vice-campeão 1 ano antes, mas numa decisão verde-amarela com Deivid Silva.

Em 2018 os brasileiros dominaram o campeonato até mais do que neste ano. Também tiveram duas quartas de final 100% brasileiras e mais dois disputaram as outras duas baterias com dois australianos. Nelas estavam os mesmos Miguel Pupo, Ian Gouveia e Alejo Muniz deste ano. Miguel perdeu para Reef Heazlewood, depois Alejo derrotou Michael Rodrigues, Deivid Silva passou por Ian Gouveia e Peterson Crisanto parou em Matt Banting. Foi também na Austrália, onde Alejo tinha conseguido a sua última vitória, no QS 6000 Burton Automotive Pro de 2015 em Newcastle, sobre o australiano Jack Freestone.

Depois da criação do Challenger Series em 2021, Alejo Muniz nunca tinha passado das quartas de final, mas ganhou duas etapas do QS regional da WSL South America em 2022, o Rip Curl Pro Playa Grande na Argentina e a terceira do Circuito Banco do Brasil de Surfe em Ubatuba (SP). Com o vice-campeonato no Sydney Surf Pro, o catarinense sai da Austrália em segundo lugar no ranking que classifica 10 surfistas para completar a elite da World Surf League no CT 2025. Alejo fez parte do grupo dos melhores surfistas do mundo de 2011 até 2016 e vem tentando retornar desde então.

DUELOS BRASILEIROS – O líder é Samuel Pupo, vice-campeão da primeira etapa do Challenger Series 2024 na Gold Coast na semana passada, vencida por outro australiano, Mikey McDonagh. Samuca não escapou do corte do meio da temporada do CT esse ano, assim como seu irmão, Miguel Pupo. Alejo Muniz derrotou os dois na terça-feira, com seu ataque vertical de backside nas esquerdas de North Narrabeen. Miguel Pupo abriu o dia já usando seus aéreos de frontside, para derrotar Ian Gouveia na abertura das quartas de final.

Miguel Pupo Sydney Pro
Miguel Pupo usou os aéreos de frontside nas suas baterias na terça-feira. Foto: @WSL / Cait Miers

No duelo seguinte, Alejo escolheu a tática de pegar várias ondas, enquanto Samuel Pupo preferiu ser mais seletivo e ir nas melhores das séries. Só que quando Samuca surfou a primeira, que valeu 7,50, Alejo já havia construído uma boa vantagem, somando 7,93 com 6,50 para vencer por 14,43 a 11,33 pontos. Contra o Miguel nas semifinais, repetiu o ataque agressivo de backside, com batidas e rasgadas abrindo grandes leques de água. Alejo já conseguiu 7,83 na terceira onda que pegou e Miguel seguiu arriscando os aéreos. Quando ele acertou o melhor, que valeu 7,20, Alejo Muniz respondeu com 7,27 para confirmar a classificação para a final, por 15,10 a 12,87 pontos.

LOCAL HERO – Na outra chave, o local de North Narrabeen, Jordan Lawler, usou os aéreos para liquidar seus adversários na terça-feira. Nas quartas de final, ele perdia para o havaiano Eli Hanneman até o último minuto, mas pegou uma onda nos segundos finais e acertou um full rotation de frontside que arrancou a maior nota do campeonato, 9,43, virando o placar para 16,43 a 15,90 pontos. Nas semifinais, também superou o francês Gatien Delahaye por décimos, 13,90 a 13,20 pontos. O australiano nem competiu na abertura do Challenger Series 2024 na Gold Coast, porque ficou em 11.o lugar no ranking regional da Austrália, que classificou os 8 primeiros colocados.

“Honestamente, os últimos meses foram uma verdadeira montanha russa para mim”, disse Jordan Lawler. “Depois de não me classificar para o Challenger Series este ano, eu fiquei pensando bastante em desistir de tudo, então estou muito feliz agora por ter persistido. Fiquei muito desanimado, não conseguia um bom resultado há bastante tempo, mas estou feliz agora. Entrar no Championship Tour tem sido meu objetivo há muito tempo e vencer um evento deste nível pode realmente me ajudar nisso”.

Jordan Lawler participou desta segunda etapa como convidado, por ser local de North Narrabeen. E aproveitou muito bem a chance, colecionando seu segundo troféu de campeão do Sydney Surf Pro, 5 anos depois do conquistado em 2019 em Manly Beach. Na decisão do título, arriscou os aéreos desde o início. Errou o primeiro, mas na segunda tentativa, fez o giro completo no ar, completou a aterrissagem e ganhou nota 7,83. Alejo Muniz respondeu com 6,17 das suas manobras de backside. O australiano seguiu voando e usando a borda nas manobras de frontside também, para ir aumentando a vantagem a cada onda.

Depois do primeiro aéreo, conseguiu 6,10, que trocou por 6,83, depois por 7,27 e ainda levantou a torcida em mais duas ondas muito bem surfadas, acertando tudo para receber notas 7,93 e 7,60. Alejo Muniz reagiu no final da bateria, conseguindo notas 7,13 e 7,20. Mas, Jordan Lawler já havia consolidado a vitória por 15,76 a 14,33 pontos. Com o título no Sydney Surf Pro, o australiano entrou no ranking do Challenger Series, já ocupando a quarta posição com os 10.000 pontos recebidos.

“Eu quase nem consigo acreditar. Vencer em casa, diante de todos esses rostos familiares, é tão incrível que estou sem palavras”, disse Jordan Lawler. “Eu cresci admirando muitos desses surfistas, então competir contra eles e conseguir a vitória, especialmente em casa, é como um sonho que se tornou realidade. Eu trabalhei muito para estar aqui e estou ansioso para seguir em busca do meu grande objetivo este ano, a qualificação para o Championship Tour”.

SAMUEL PUPO LIDERA O RANKING

Apesar de ter perdido os títulos nas finais das duas primeiras etapas do Challenger Series 2024 na Austrália, o Brasil começa muito bem o circuito de acesso para o CT 2025, ocupando metade das 10 vagas que irão completar a elite dos top-34. Samuel Pupo lidera o ranking com Alejo Muniz em segundo lugar, Ian Gouveia em quinto, Miguel Pupo em sétimo e Michael Rodrigues fechando o G-10. Três australianos também estão na lista, o campeão na Gold Coast, Mikey Donagh, em terceiro lugar, Jordan Lawler em quarto e George Pittar em sexto. Empatados na sétima posição com Miguel Pupo, estão o francês Gatien Delahaye e Josh Burke, de Barbados.

A terceira etapa é o Ballito Pro, de 1 a 8 de julho na África do Sul. A quarta é o Lexus US Open of Surfing, nos dias 3 a 11 de agosto em Huntington Beach, na Califórnia. Depois, vem o EDP Ericeira Pro de 29 de setembro a 6 de outubro em Ribeira D´Ilhas, Portugal, e o Corona Saquarema Pro apresentado por Banco do Brasil fecha o Challenger Series 2024 nos dias 12 a 20 de outubro na Praia de Itaúna, onde serão definidos os 10 homens e 5 mulheres que completarão a elite do CT em 2025. Nas duas primeiras edições da etapa brasileira, Gabriel Medina e a californiana Alyssa Spencer ganharam na estreia em 2022 e Samuel Pupo e a canadense Erin Brooks venceram no ano passado.

FIM DA INVENCIBILIDADE – A jovem surfista de 16 anos de idade, também foi a campeã da primeira etapa do Challenger Series 2024 na Gold Coast e chegou na decisão de novo na terça-feira em North Narrabeen. Na semifinal contra a surfista do País Basco, Nadia Erostarbe, Erin Brooks fez os recordes femininos no GWM Sydney Surf Pro, nota 9,57 em um aéreo e 16,57 pontos. Só que ela ia enfrentar a campeã desta etapa no ano passado, disputada em Manly Beach, pois Isabella Nichols ganhou o duelo das duas australianas cortadas da elite do CT semanas atrás, com a veterana Sally Fitzgibbons.

“Tem muita coisa passando pela minha cabeça agora”, disse Isabella Nichols. “Eu quero agradecer a Erin Brooks. Ela me inspira muito e me sinto feliz em passar um tempo com ela nos últimos anos. Ela é tão dedicada, tão motivada e incrivelmente talentosa. Ela é como uma irmã mais nova pra mim e quero agradecer também ao Matt (Grainger), que me treinou essa semana. A energia que ele traz é incrível e funcionou muito bem nestas duas vitórias de hoje aqui”.

Este confronto entre Erin Brooks e Isabella Nichols já havia acontecido nas semifinais do Bonsoy Gold Coast Pro, quando a canadense surfou um tubaço nas direitas de Snapper Rocks, que valeu a segunda nota 10 da história do Challenger Series feminino. Ela começou na frente, com 5,33 na primeira onda. Quando Isabella achou uma onda boa para ganhar 7,50, com a potência do seu backside nas esquerdas de North Narrabeen, Brooks respondeu rápido com suas manobras de frontside recebendo 7,10 dos juízes. Mas a australiana acha outra onda que abre a parede para atacar forte e somar 7,77.

Então, a canadense começou a arriscar os aéreos de frontside e quase acertou duas vezes. Isabella Nichols chegou a botar as mãos na cabeça, mas Erin Brooks não completou os voos e o bicampeonato foi confirmado por 15,27 a 12,43 pontos. A classificação para a final do GWM Sydney Surf Pro, já garantia a liderança no ranking para a canadense e a australiana se isolou na vice-liderança. Sally Fitzgibbons é a terceira colocada, seguida pela espanhola Nadia Erostarbe e a brasileira Luana Silva, vice-campeã na Gold Coast, fecha o grupo das 5 que se classificarão para o CT 2025, após as duas etapas na Austrália.

HIGHLIGHTS

RESULTADOS FINAIS DO GWM SYDNEY SURF PRO:

Campeão: Jordan Lawler (AUS) por 15,76 pts (7,93+7,83) – US$ 20.000 e 10.000 pts
2.o lugar: Alejo Muniz (BRA) com 14,33 pts (7,20+7,13) – US$ 10.000 e 7.800 pts

SEMIFINAIS – 3.o lugar com US$ 5.000 e 6.085 pontos:
1.a: Alejo Muniz (BRA) 15,10 x 12,87 Miguel Pupo (BRA)
2.a: Jordan Lawler (AUS) 13,90 x 13,20 Gatien Delahaye (FRA)

QUARTAS DE FINAL – 5.o lugar com US$ 3.500 e 4.475 pontos:
1.a: Miguel Pupo (BRA) 14,40 x 9,54 Ian Gouveia (BRA)
2.a: Alejo Muniz (BRA) 14,43 x 11,33 Samuel Pupo (BRA)
3.a: Jordan Lawler (AUS) 16,43 x 15,90 Eli Hanneman (HAV)
4.a: Gatien Delahaye (FRA) 13,00 x 10,70 Taro Watanabe (EUA)

DECISÃO DO TÍTULO FEMININO:

Campeã: Isabella Nichols (AUS) por 15,27 pts (7,77+7,50) – US$ 20.000 e 10.000 pts
2.o lugar: Erin Brooks (CAN) com 12,43 pts (7,10+5,33) – US$ 10.000 e 7.800 pts

SEMIFINAIS – 3.o lugar com US$ 5.000 e 6.085 pontos:
1.a: Erin Brooks (CAN) 16,57 x 6,16 Nadia Erostarbe (ESP)
2.a: Isabella Nichols (AUS) 12,63 x 10,16 Sally Fitzgibbons (AUS)

QUARTAS DE FINAL – 5.o lugar com US$ 3.500 e 4.475 pontos:
1.a: Nadia Erostarbe (ESP) 11,50 x 8,50 Vahine Fierro (FRA)
2.a: Erin Brooks (CAN) 11,90 x 10,50 Alyssa Spencer (EUA)
3.a: Sally Fitzgibbons (AUS) 15,43 x 13,00 Bella Kenworthy (EUA)
4.a: Isabella Nichols (AUS) 13,60 x 11,33 Yolanda Hopkins (POR)

RANKINGS DO WSL CHALLENGER SERIES 2024 – 2 etapas:

TOP-10 DA CATEGORIA MASCULINA:

1.o: Samuel Pupo (BRA) – 12.545 pontos
2.o: Alejo Muniz (BRA) – 11.120
3.o: Mikey McDonagh (AUS) – 10.600
4.o: Jordan Lawler (AUS) – 10.000
5.o: Ian Gouveia (BRA) – 9.490
6.o: George Pittar (AUS) – 9.405
7.o: Miguel Pupo (BRA) – 6.685
7.o: Gatien Delahaye (FRA) – 6.685
7.o: Josh Burke (BRB) – 6.685
10.o: Michael Rodrigues (BRA) – 6.645
——-outros sul-americanos:
17: João Chianca (BRA) – 4.745 pontos
22: Caio Ibelli (BRA) – 3.920
22: Deivid Silva (BRA) – 3.920
32: Mateus Herdy (BRA) – 2.600
34: Jadson André (BRA) – 2.500
34: Edgard Groggia (BRA) – 2.500
39: Lucca Mesinas (PER) – 2.400
39: Lucas Silveira (BRA) – 2.400
51: Luel Felipe (BRA) – 2.150
55: Rafael Teixeira (BRA) – 1.300
65: Heitor Mueller (BRA) – 1.000
67: Leo Casal (BRA) – 950
75: Cauã Costa (BRA) – 550

TOP-5 DA CATEGORIA FEMININA:
1.a: Erin Brooks (CAN) – 17.800 pontos
2.a: Isabella Nichols (AUS) – 16.085
3.a: Sally Fitzgibbons (AUS) – 12.170
4.a: Nadia Erostarbe (ESP) – 10.830
5.a: Luana Silva (BRA) – 9.700
——-outras sul-americanas:
18: Sophia Medina (BRA) – 3.970 pontos
25: Laura Raupp (BRA) – 3.400
30: Sol Aguirre (PER) – 2.600
38: Anne dos Santos (BRA) – 1.700
40: Tainá Hinckel (BRA) – 1.400
43: Daniella Rosas (PER) – 1.350

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