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Surf injeta quase US$ 3 bilhões anuais na economia australiana, mas picos seguem ameaçados

Um estudo recente da Universidade Nacional Australiana (ANU) revelou que o surf injeta quase 3 bilhões de dólares na economia australiana todos os anos. A pesquisa, publicada na revista Marine Policy, destaca o papel crucial do esporte na geração de renda, impulsionando o turismo e a venda de produtos relacionados ao esporte no país.

Conduzida por Asad Yusoff (ANU), Mark Lane e Katja Verreydt (Surfing WA), a pesquisa envolveu 569 participantes de todo o país. “Perguntamos aos participantes quanto eles gastaram em viagens domésticas e com que frequência viajaram para surfar durante os últimos 12 meses, além de quanto gastaram em novas pranchas, roupas de borracha e outros acessórios relacionados ao surf”, explicou a líder da pesquisa, Dra. Ana Manero, líder da pesquisa da ANU.

De acordo com a pesquisa, surfistas adultos na Austrália gastam, em média, US$ 3.700 por pessoa anualmente. Com mais de 720 mil surfistas adultos ativos no país, o surf gera pelo menos 2,71 bilhões de dólares para a economia australiana a cada ano. A coleta de dados incluiu gastos com viagens domésticas, pranchas, roupas de borracha e outros acessórios relacionados ao surf.

Além do impacto econômico, o estudo revelou que 94% dos entrevistados relataram que o surf teve um impacto positivo em seu bem-estar físico e mental. Além disso, 80% dos participantes acreditam que o surf promove um senso de conexão comunitária. “Embora o surf seja tipicamente percebido como uma atividade de busca de emoções e um esporte individual, na verdade é um empreendimento muito mais social do que se pensava anteriormente”, disse a Dra. Manero.

Apesar dos benefícios que o surf oferece, os picos de surf na Austrália estão cada vez mais ameaçados por diversos fatores, como mudanças climáticas, erosão costeira, má qualidade da água e excesso de crowd.

Diante dessa realidade, a Dra. Manero defende a necessidade de medidas para proteger esses ambientes naturais. “Os picos de surf são valiosos recursos naturais, mas as ondas só se formam sob um conjunto muito delicado de condições que podem ser facilmente alteradas por qualquer coisa que façamos na costa”, alerta a pesquisadora.

A pesquisa também mencionou exemplos de impactos negativos em picos de surf devido a ações humanas, como o desaparecimento de uma onda em Mundaka, na Espanha, por causa de dragagem, e a perda de três picos de surf em Perth, na Western Australia, devido à expansão da Marina de Ocean Reef. “Um recife artificial foi proposto, mas teria sido melhor reconhecer o valor dos picos naturais em primeiro lugar”, comentou Dra. Manero.

Para preservar os ambientes de surf, ela sugere que a Austrália siga o exemplo de países como Nova Zelândia e Peru, que possuem legislações nacionais reconhecendo picos tradicionais de ondas como ativos valiosos. Atualmente, apenas 20 locais na Austrália têm algum tipo de proteção legal. “Isso significa que, na Austrália, você pode basicamente fazer uma onda desaparecer e ninguém pisca um olho porque esses picos de surf estão em um vácuo legal”, concluiu.

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Se por um lado, o estudo da ANU reforça a importância do surf como atividade econômica e social na Austrália, por outro também traz à tona a necessidade urgente de medidas para proteger e valorizar os picos de ondas do país, garantindo que continuem a ser uma fonte significativa de benefícios econômicos, sociais e ambientais.

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