Yago Dora faz melhor apresentação do dia em condições difíceis no Quiksilver Pro. Medina, Jordy, Kolohe e Italo se mantêm na disputa

Por Fernando Guimarães

O Quiksilver Pro entrou na fase de duelos mano-a-mano na manhã desta segunda (7), em Hossegor, sudoeste da França, com a realização das 16 baterias da terceira rodada entre os homens no formato dual heat, com dois confrontos simultâneos dentro da água.

Foi um dia de grande impacto sobre a corrida pelo título mundial de 2019, com o atual vice-líder do ranking Filipe Toledo eliminado pelo convidado local Marc Lacomare — veja aqui. Gabriel Medina, o nº1, venceu uma bateria muito difícil, garantindo que aumentará a distância para Filipe na próxima etapa, a penúltima da temporada, em Portugal. Entre os demais candidatos ao título, Jordy Smith (3º), Kolohe Andino (4º) e Italo Ferreira (5º) venceram suas baterias e seguem na briga pelo troféu da etapa francesa.

O melhor surf do dia foi apresentado por Yago Dora, apenas o 22º colocado no ranking do CT, mas já garantido na elite mundial em 2020 graças a excelentes resultados alcançados nos últimos eventos do Qualifying Series.

Italo e Yago vencem, e a marcha de Medina rumo ao tri continua

A WSL tinha a expectativa de boas condições de surf para esta segunda, tanto que já tinha confirmado o prosseguimento do campeonato. Entretanto, a previsão se materializou de forma um pouco diferente do ideal, com ondas de até seis pés sem um pico definido erguendo-se muito próximas à areia da bancada de La Graviere para os competidores, entre tubos fechando e rampas quase no seco, algumas oportunidades e muita confusão.

Yago conseguiu usufruir da melhor maneira das condições ao combinar um aéreo alley oop muito alto completado com perfeição em uma esquerda logo no início de seu duelo com Griffin Colapinto com um rápido e difícil tubo, também de frontside. Griffin ainda completou um dos melhores tubos do dia, em uma direita com um bom tamanho, para fazer a melhor individual do confronto. Mas não conseguiu complementá-la com outra nota razoável foi eliminado pelo brasileiro.

Logo depois de Yago, Italo Ferreira fez um duelo brasileiro com o guarujaense Jessé Mendes na última bateria da rodada. Após completar um full rotation muito alto para a esquerda, Italo assumiu a liderança e passou a aplicar um ataque variado às sessões que fechavam quase na areia seca, com floaters e batidas em junções brancas e assustadoras. Jessé tentou um ataque aéreo e foi aumentando sua nota aos poucos até acertar também um full rote, com um giro muito rápido. Assim como Griffin, foi recompensando com a melhor nota da bateria, mas foi eliminado por não ter um back-up à altura.

Italo, Yago e Gabriel Medina foram os únicos brasileiros que venceram hoje e seguem na competição.

A vitória de Gabriel foi a mais apertada de todas. Na bateria número nove, ele enfrentou um convidado local, assim como Filipe Toledo. Marco Mignot é um jovem talento que havia na segunda posição do Red Bull Airborne, o campeonato de aéreos da WSL, no sábado, e surfou confiante e sem pressão contra o bicampeão mundial.

Marco achou um bom tubo no início do duelo e assumiu a liderança. Medina arriscou aéreos de todo o tipo, em direitas e esquerdas, mas não chegou a completar nenhum — embora tenha tentado convencer os juízes do contrário ao aterrissar errado e erguer-se no meio da espuma, já atrás da onda.

Medina tinha 10 ondas surfadas antes de sua bateria ter a prioridade no outside e nada parecia dar certo. A aposta mudou da tentativa frenética para uma postura mais seletiva, buscando identificar ondas ou sessões mais promissoras.

A mudança de atitude rendeu frutos a cinco minutos do final, quando ele entubou em uma esquerda e manobrou para selar a junção. A nota veio justa, um pouco acima, apenas, do que ele precisava, deixando o rival à procurar de um 4,06. Os últimos minutos foram de marcação cerrada, com Medina bloqueando Mignot em uma direita a menos de um minuto do final. Gabriel tinha esgotado seus recurso, e estava à mercê da sorte — sem a prioridade, apenas torcia para nenhuma onda entrar nos últimos segundos. E não entrou.

Medina não foi brilhante e mostrou dificuldade numa onda em que, a despeito do mar meio loteria, deveria ser o favorito absoluto. Ainda assim, deu um jeito de cumprir sua tarefa — nessa altura do ano, meio gol é gol de placa. Com seu principal adversário eliminado, a marcha rumo ao terceiro título mundial continua: incólume, constante.

Seis brasileiros derrotados no round 3

Caio Ibelli surfou na segunda bateria do dia, um duelo de poucas oportunidades contra Jeremy Flores, que levou a vitória por 8,37 a 6,07.

Michael Rodrigues fez uma de suas melhores apresentações das últimas etapas contra Ryan Callinan, com dois bons tubos para a direita. Ryan venceu por uma diferença entre as segundas notas de ambos, em dois tubos que, na verdade foram muito parecidos.

Peterson Crisanto surfou bem contra Seth Moniz. Mas o havaiano mostrou estar um nível acima, com uma excelente leitura em duas direitas tubulares, a primeira delas selada com um longo floater no seco.

Willian Cardoso fez uma bateria correta contra Wade Carmichael. O Panda pegou um tubo atrás do outro e vencia até o minuto final, quando o australiano acertou duas fortes manobras em uma direita. Ele precisava de apenas 3,87 e ganhou mais de 6 dos juízes. Willian saiu da água revoltado, pois nada indicava, até então, que manobras na face da onda poderiam ser tão bem julgadas — o próprio Willian adequou sua estratégia aos tubos, e desempenhou muito bem.

Willian, Michael, Peterson e Caio são, junto de Soli Bailey, Griffin Colapinto e Joan Duru, os principais derrotados do dia, com importantes pontos eu jogo na busca pela permanência na elite. Os principais vencedores nessa briga foram Jack Freestone e Ezekiel Lau, e talvez até Leo Fioravanti, que derrotou Kelly Slater e com algum milagre talvez ainda consiga alcançar os top 22.

Após vencer Joan Duru num duelo entre representantes franceses que chateou a torcida local, Michel Bourez educadamente sugeriu que a direção espere para continuar o campeonato na quinta-feira, quando a previsão indica condições excelentes para a bancada de La Nord.

Jessi-Miley Dyer é quem toma a decisão, e fará a próxima chamada na madrugada dessa terça, 3h30 no horário de Brasília.

Quiksilver e Roxy Pro – resultados e próximas baterias

Round 3 masculino:

1. Jordy Smith 13,83 x 12,40 Frederico Morais
2. Jeremy Flores 8,37 x 6,07 Caio Ibelli
3. Ezekiel Lau 11,16 x 5,30 Owen Wright
4. Ryan Callinan 14,33 x 13,00 Michael Rodrigues
5. Marc Lacomare 12,83 x 12,17 Filipe Toledo
6. Wade Carmichael 11,93 x 9,70 Willian Cardoso
7. Julian Wilson 11,33 x 6,17 Jorgann Couzinet
8. Jack Freestone 8,56 x 8,33 Kanoa Igarashi
9. Gabriel Medina 9,76 x 8,84 Marco Mignot
10. Adrian Buchan 8,93 x 8,60 Conner Coffin
11. Seth Moniz 12,60 x 10,77 Peterson Crisanto
12. Leonardo Fioravanti 12,43 x 11,00 Kelly Slater
13. Kolohe Andino 10,34 x 9,27 Soli Bailey
14. Yago Dora 14,50 x 13,23 Griffin Colapinto
15. Michel Bourez 11,67 x 7,56 Joan Duru
16. Italo Ferreira 13,83 x 11,77 Jessé Mendes

Oitavas de final:
1. Jordy Smith x Jeremy Flores
2. Ezekiel Lau x Ryan Callinan
3. Marc Lacomare x Wade Carmichael
4. Julian Wilson x Jack Freestone
5. Gabriel Medina x Adrian Buchan
6. Seth Moniz x Leo Fioravanti
7. Kolohe Andino x Yago Dora
8. Michel Bourez x Italo Ferreira