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Qual a prancha ideal para a onda de Jeffrey’s Bay?

A onda de Jeffrey’s Bay, na África do Sul, palco da nona etapa do circuito mundial de surf, é considerada uma das mais perfeitas do mundo. Qual seria a prancha ideal para surfar essa “pista líquida”?

Por Luciano Meneghello

Conhecida também como J-Bay, essa mítica onda sul-africana possui uma localização privilegiada do ponto de vista oceanográfico, recebendo ondulações de diversas direções e intensidades. As águas geladas da baía são controladas pela intensa Corrente das Agulhas, oferecendo uma fonte de alimento abundante para aves, peixes, tubarões e mamíferos marinhos.

Jeffrey’s Bay apresenta uma longa e perfeita parede líquida, quebrando para a direita, oferecendo dez sessões diferentes. No entanto, a perfeição dessa onda também apresenta algumas peculiaridades típicas desse local. Uma delas é a sua velocidade, acima da média mundial.

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Conversei com Adriano “Teco” Oliveira, da Silver Surf / T.Patterson Surfboards, e Johnny Cabianca, da Cabianca Surfboards, responsáveis pelas pranchas de Italo Ferreira e Gabriel Medina, respectivamente, para saber o que tipo de equipamento eles utilizarão durante a etapa do CT.

Estamos utilizando basicamente o mesmo design das pranchas que o Italo usou em Bells Beach, com algumas alterações, como o formato da rabeta, round pin, com um ângulo um pouco mais fechado do que ele está acostumado. Italo levou um conjunto de pranchas fabricadas em EPS e resina epóxi, com tamanhos de 5’9″ a 6 pés“, conta Adriano Teco.

Johnny Cabianca diz que optou por um modelo testado e aprovado por Medina na hora de produzir as pranchas para J-Bay: “Meu modelo, que mais se encaixa em ondas progressivas, é o DFK (da Freak Kid). Este modelo tem evoluído nos pés de Gabriel e de muitos atletas, sem perder seu foil original desde 2008“, revela o shaper.

onda de Jeffrey’s Bay
O tema gráfico das pranchas, com animais da savana africana, foi uma escolha de Gabriel Medina para seu quiver em J-Bay. Foto: Reprodução / Gabriel Medina

Em relação ao tamanho das pranchas, Italo Ferreira terá opções até para eventuais dias de espera no caso de ondas muito pequenas: “Pensamos em todos os cenários possíveis. As pranchas de 5’9″, por exemplo, são para ele treinar em dias muito pequenos, para não ficar sem surfar caso o mar diminua muito. Já as pranchas de 5’10”, 5’11” e 6 pés são as que ele provavelmente usará durante a competição, dependendo do tamanho do mar“, esclarece Adriano.

Cabianca explica que Gabriel Medina usa como padrão pranchas 6’0” nas seguintes medidas: 6’0” x 19 x 2 1/2 x 29,5L. Para a etapa sul-africana, o tricampeão mundial estará equipado com um quiver de dez foguetes, sendo duas pranchas de 5’11, três de 6’0, três de 6’1 e duas de 6’2”.

As pranchas, tanto de Medina quanto de Italo, seguirão basicamente os padrões aos quais eles estão acostumados, com pequenas adaptações para o estilo de Jeffrey’s Bay e algumas opções mais ousadas, sempre pensando em formas de maximizar a performance dos atletas naquele tipo de onda.

Em uma das pranchas de 6’0, fiz com 6 canaletas, foi uma ideia do Andy King (técnico de Gabriel)”, conta Cabianca, que também revela uma curiosidade em relação ao tema gráfico das pranchas, com animais da savana africana: leão, búfalo, girafa e leopardo, uma ideia do próprio Medina.

No caso das pranchas de Italo Ferreira, Adriano revela que buscou o equilíbrio nas medidas do outline, no rocker e no concave das pranchas, com apenas a rabeta round em um ângulo mais fechado, além das quilhas que receberam uma marcação um pouco diferente para aproveitar a projeção típica dessa onda.

onda de jeffreys
Parte do “arsenal” que Italo Ferreira usará em J-Bay saindo do forno. Foto: Adriano Teco / Silver Surf

As quilhas receberam uma marcação um pouco diferente para se adaptar a Jeffrey’s, que é uma onda que te empurra para frente. O volume da prancha será o mesmo que Italo está acostumado a usar, o modelo IF15, que completa 15 anos em 2023, e o modelo Silver Surf Momentum, que ele utilizou na etapa do Final 5 em Trestels no ano passado“, esclarece Adriano Teco.

Ambos os shapers afirmam que a relação do surfista com o modelo da prancha é muito importante ao longo das competições e sessões de treino. Portanto, qualquer mudança acentuada no design do equipamento deve ser muito bem pensada, principalmente às vésperas de uma etapa do circuito mundial.

O fundamental é a intimidade que o surfista tem com a prancha. Curvas, bordas, posicionamento de quilhas, outline… Tudo precisa estar estudado, e o surfista deve ter uma leitura de onda já treinada. No caso de um surfista profissional, a última coisa com que ele precisa se preocupar é com a prancha, pois ela deve funcionar como uma extensão do seu corpo. Como esses surfistas possuem uma leitura apurada, minha função é ter a prancha afiada para cada situação“, esclarece Johnny Cabianca.

Mas, e no caso de nós, meros mortais? Quais são as medidas de prancha ideais para surfar a famosa onda de Jeffrey’s Bay?

Bem, uma prancha para Jeffrey’s, para um surfista comum, seria um pouco diferente, mas com medidas bem equilibradas também. Porém, nesse caso, eu adicionaria mais volume, pois você precisa de mais remada para surfar com roupas de borracha grossas, em água gelada e com correnteza. Para aqueles que não possuem o mesmo preparo físico de um atleta profissional, o aumento de volume compensaria isso. Também recomendo levar um conjunto com três pranchas, cada uma com uma, duas ou até três polegadas a mais“, finaliza Adriano Teco.

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