Big rider Caio Vaz perdeu barco enfrentou tempestade e voltou nadando das Ilhas Cagarras para a costa do Rio Janeiro durante a noite

Por Redação, via FMA Notícias

Finalista do Big Wave Awards, da World Surf League (WSL), concorrendo com maior onda surfada na temporada, o bicampeão mundial de stand up paddle, Caio Vaz, passou um verdadeiro “sufoco” no mar, durante um forte temporal essa semana no Rio de Janeiro. Ele foi surpreendido pela tempestade enquanto praticava caça submarina com os amigos Nuno Greenman e Arthur Cumplido, próximo às Ilhas Cagarras, perdeu o barco e foi obrigado a retornar para o continente nadando no escuro.

A aventura durou algumas horas, entre o início da tempestade no arquipélago, situado a cerca de 4,5 km da costa da capital fluminense, e a chegada em terra firme, passando por momentos tensos, como ficar totalmente no escuro no meio do mar, com ondulações. Mas o que poderia ser uma tragédia, terminou com sentimento de alívio.

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Os três ancoraram o barco “Val de Mar” e ao notarem o tempo mudar, decidiram voltar, mas não encontraram a embarcação. Subiram numa pequena laje, ficaram em pé, tentando a localização e ali enfrentaram a tempestade com raios.  Depois, com a melhora do tempo, quando começou a anoitecer, conseguiram avistar as luzes da Cidade, na Praia de Ipanema e, sem expectativa de achar o barco naquele momento, decidiram nadar.

Ficaram no mar por uma hora e meia até que um barco os avistou e deu uma “carona” até a Praia. Apesar do “perrengue”, Caio contou que os três enfrentaram o desafio com tranquilidade, o que mais os ajudou. “A ideia era pescar numa laje próxima à Ilha Cagarras, estava ventando, mas o tempo tranquilo. Quando fomos voltar para o nosso barco, o mar estava balançando e não achamos. Subimos na laje e começou a cair uma tempestade forte, vento apertou, raios e trovões bizarros, que parecia até cena de filme. A gente em cima de uma pedra, tentando avistar o barco e os raios atrás. Cena tenebrosa”, contou.

“Ficamos num lugar mais abrigado, onde não batia onda, e quando a chuva passou, já quase escuro, já dava para ver as luzes de Ipanema e decidimos nadar. Era uma distância de uns quatro quilômetros e conheço a minha capacidade, o Nuno também é surfista e pescador casca-grossa e o Arthur oceanógrafo. Todos estavam na disposição e sabíamos que conseguiríamos”, lembrou.

Caio Vaz na laje do Shock

Watermand completo, Caio Vaz está acostumado a situações desafiadoras, como nesta bomba na laje do Shock (Matheus Werneck)

A saga, como Caio mesmo definiu, começou às 18h50. Eles deixaram arpões, lastros e tudo de excesso na ilha e seguiram em direção à Cidade, guiados pelas luzes. “Começamos a nadar, estávamos preocupados em manter um perto do outro, a gente estava dando a mão, batendo o pé, de snorkel, olhando para frente e fundo do mar. Tinham muitos plânctons na água, brilhando. Estava irado”, lembrou.

Ele também ressaltou outras atitudes importantes para que tudo terminasse bem, a calma e a união. “Em momento algum deu pânico, ninguém surtou. Sabíamos que esse tipo de sentimento ou atitude não levaria a gente a lugar algum, então fomos cantando, falando, mas sempre bem ligados, para tomar a decisão certa”, explicou.

Depois de uma hora e quarenta minutos no mar e ainda longe da costa, avistaram um barco de pesca e como estava muito escuro, ficaram preocupados em ser atropelados. “Começamos a jogar água para o alto, o barco estava com a luz de proa apontada para frente, nos avistou e parou, por volta das 20h30. Nos deram uma carona até Ipanema e chegamos em terra depois de duas horas e dez minutos”, falou.

Depois de sãos e salvos em terra firme e avisarem suas famílias, começou a segunda parte da aventura, localizar o barco perdido. “Daí, a irmã do Nuno teve a brilhante ideia de procurar pelo aplicativo ‘buscar Iphone’. O barco estava próximo a ilha de Palmas, também no arquipélago. Encontramos o Felipe Coutinho, outro pescador e saímos com ele na chuva e achamos o Val de Mar perto da meia-noite. Estava exatamente onde estava marcando no Iphone”, disse.

“Deu tudo muito certo. Claro que várias coisas poderiam ter acontecido e ter complicado muito a nossa situação, mas acredito muito em energia. Caíram vários raios em cima da gente e nenhum aconteceu nada. Chegamos bem. Ficamos felizes da vida em chegar bem, uma sensação de alívio muito grande. História para contar. E se tivesse que nadar mais dois quilômetros, disposição não ia faltar”, comemorou.

Agora, o surfista de 26 anos, que demonstra ser um autêntico ‘waterman’ vive a expectativa do WSL Big Wave Awards 2020, em maio, concorrendo em duas categorias: Ride of The Year e Biggest Wave of The Year. “Estou amarradão. Peguei uma ‘bomba’ dia 16 de dezembro em Nazaré (Portugal), puxado pelo meu irmão Ian. Ficamos lá muito tempo treinando e deu tudo certo. Acho que tenho mais chance de ganhar a Biggest Wave da maior onda surfada no ano. Nunca fui finalista do WSL Awards e estou bem feliz de ter feito uma temporada incrível, surfado altas ondas e aprendido muito”, concluiu.

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