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Pelo menos duas baleias-jubarte morrem presas a redes de pesca em Florianópolis

Com a aproximação do inverno no hemisfério sul, grandes populações de baleias da espécie jubarte migram para o litoral brasileiro para se reproduzir.

A principal área de concentração é o Banco dos Abrolhos, uma extensão da plataforma continental localizada no sul da Bahia e norte do Espírito Santo.

No caminho, porém, elas costumam se aproximar da costa Sul e Sudeste do Brasil em busca de alimento.

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As baleias jubarte saíram da lista de espécies ameaçadas de extinção e agora, com o aumento populacional, estão aparecendo com mais frequência em nosso litoral.

Em Santa Catarina, onda a temporada da pesca da tainha está a todo vapor, é grande o número de redes de espera instaladas por pescadores e algumas destas redes acabam por entram em rota de colisão com esses enormes mamíferos.

“O problema é que redes clandestinas de pesca são colocadas fora da nossa costa e longe da fiscalização. E com mais baleias por aí esse tipo de ocorrência tem acontecido com maior frequência”, esclarece o biólogo e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Jorge Freitas.

Em decorrência disso, quatro baleias ficaram presas a redes de pesca na costa de Florianópolis nos últimos dias, segundo a Polícia Militar Ambiental (PMA). Duas delas foram encontradas mortas com redes enroladas ao corpo no Sul da Ilha. As outras duas foram libertadas dos equipamentos de pesca após o desenredamento dos animais. Um dos resgates foi feito na terça-feira (15) no Norte da Ilha.

“A Polícia Militar Ambiental faz a fiscalização nos arredores da ilha de Florianópolis e recolhe essas redes diariamente. Ocorre que com o aumento no surgimento das baleias coincidentemente no inverno e na época da tainha, também houve aumento no número das redes fixas (proibidas pela legislação, portanto redes irregulares). O crescimento nas ocorrências de enredamento de baleias vem preocupando”, disse o policial militar ambiental Roberto Salles Pereira Oliveira ao portal G1.

14 registros de baleias-jubarte presas em equipamento de pesca no Brasil

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Segundo explica o biólogo Jorge Freitas, o perigo aumenta ainda mais quando essas redes se perdem no fundo do mar. Foto: R3 Animal/Divulgação

Segundo a equipe do Protocolo de Encalhes e Desenredamento de Baleias da APA da Baleia Franca, até terça-feira (15) houve 14 registros de baleias-jubarte presas em equipamento de pesca no Brasil. Pelo menos cinco acabaram morrendo. Em Santa Catarina foram registrados nove casos de emalhes de baleias. Seis sobreviveram.

Todos os casos estão sendo investigados e devem ser punidos caso fique configurada pesca irregular.

O biólogo Jorge Freitas afirma que o perigo aumenta ainda mais quando essas redes se perdem no fundo do mar. Como são feitas de um material resistente e que leva anos para se decompor, outras vítimas, como golfinhos e tartarugas, podem ser feitas se esses objetos não forem retirados do mar.

No sábado (12) na praia da Solidão, no bairro Pântano do Sul, em Florianópolis. Uma baleia-jubarte juvenil foi encontrada morta com uma rede na boca e “não se sabe o quanto mais de rede tinha na calda”, segundo as autoridades.

No mesmo dia, outra baleia morta, que também era jubarte, foi encontrada à deriva no costão da praia da Galheta, com uma rede enrolada pelo corpo. O corpos destes animais seguem à deriva na costa catarinense.

De acordo com o biólogo e professor da Universidade Federal de Santa Cataria (UFSC), Jorge Freitas, a densa capa de gordura das baleias acaba impedido a saída de gases resultantes da decomposição destes animais. Ele afirma que há chance de rompimento da estrutura do animal, o que pode promover uma poluição local com a matéria orgânica do mesmo.

“O mais coerente é esperar esses animais encalharem na costa. Há chance de ruptura, mas isso não gera risco sanitário ou ambiental. As carcaças no mar servem de alimento para outros animais. Inclusive para os tubarões. Mas isso não quer dizer que haja risco para a população, já que eles estão no local em razão do alimento disponível”, conclui Jorge.

Caso encontre um animal marinho morto ou debilitado:

  • Caso encontre um mamífero, ave ou tartaruga marinha debilitada ou morta na praia, ligue 0800 642 3341;
  • mantenha distância e ajude a isolar a área;
  • evite contato desses mamíferos ou outros animais silvestres com bichos de estimação, pois eles podem transmitir doença entre si. Os cachorros também podem atacar o animal.
  • evite tirar fotos com o uso de flash, nem forneça alimentos ou force o animal a entrar na água.


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