Publicidade:

ONG aplica o poder transformador do surf em comunidade quilombola

Não há quem duvide do poder transformador do surf – que vai muito além da melhora do condicionamento físico.

A frase “o surf é bom para o corpo e para a alma” pode ser um dos maiores clichês que existem, contudo, ela é absolutamente verdadeira.

Dessa forma, muitas ONGs foram criadas nas últimas décadas com o objetivo de proporcionar um aprendizado ligado ao surf que envolve mais do que manobras e técnicas.

Sempre usando o surf como ferramenta de poder transformador, são projetos sociais que incluem bate-papo sobre boas condutas, notas boas na escola, alimentação, drogas e uma verdadeira relação de respeito com a natureza.

Uma delas, em especial, também tem a função de resgatar uma herança cultural quase perdida.

Fundada pelo surfista e jornalista Ramon Soares, a ONG Afrosurfe trabalha com crianças da comunidade quilombola de Caçandoca, em Ubatuba.

Veja também:
+ Rayssa Leal ganha prêmio e beneficia ONG Social Skate
+ Jojó de Olivença comenta baixo número de negros no surf: “Não traduz a realidade do país”
+ Afinal, por que há poucos surfistas negros?

Ramon conta que a ONG tem como missão tornar a vida dos pequeninos surfistas mais saudável por meio do esporte e conscientizá-las quanto à importância da preservação da natureza e de suas raízes.

Na entrevista abaixo, Ramon Soares fala sobre o trabalho com a Afrosurfe e dos seus planos para manter a ONG ativa e expandir suas atuações pela comunidade.

Afrosurfe: o poder transformador do surf

poder transformador do surf 02
Foto: @afro_surfe

De que forma a Afrosurfe trabalha o resgate da cultura quilombola?

A Afrosurfe busca fazer esse resgate reforçando a cultura quilombola dessa comunidade como forma de identidade para essas crianças.

Quem faz parte do time Afrosurfe, além de você?

Atualmente sou apenas eu realizando os trabalhos da ONG.

Quais os principais desafios do projeto hoje?

Ainda são muitos os desafios e busco parceiros para estar 100% estruturado. A Afrosurfe tem como metas proporcionar coisas além do surfe; capacitação profissional, gerar trabalho e renda para os jovens da comunidade e para o projeto para não depender de ninguém! Ter um fluxo de rentabilidade para trazer saúde; bem-estar físico, mental e pessoal!

Quais os planos para o Afrosurfe para este ano?

Estamos lançando um documentário contando um pouco sobre o primeiro campeonato de afro descendentes do país de origem quilombola; melhorar nossa estrutura mais com pranchas novas e outros equipamentos; e como as crianças estão se tornando adolescentes, proporcionar algum conhecimento e até mesmo um trabalho se for o caso para eles.

Quando o documentário será lançado?

Esse é um doc que eu fiz e que está em roda de negociação com o canal Off. Falando sobre o primeiro campeonato quilombola do Brasil, foi realizado apenas com as crianças do meu projeto aqui na comunidade.

Hoje o Afrosurfe atende 22 crianças? São todas da Caçandoca?

Sim, tem em torno de 45 crianças que moram na comunidade e 22 duas participam do projeto.

E quais os planos para o Afrosurfe para os próximos anos?

Uma escola de surfe com academia; sala de aula com cursos de capacitação de inglês, espanhol, fotografia e pranchas; uma mini-loja, para trazer capacitação profissional e trabalho para dentro da comunidade para ajudar os jovens a viver; e assim o projeto se estruturar dentro da comunidade.

Qual é o plano para realizar isso?

Tenho um projeto escrito, com a planta da escola e tudo, competindo em editais, e por meio de contatos, pessoas e empresas que queiram ajudar isso acontecer.

Para mais informações: @afro_surfe.

Receba nossas Notícias no seu Email

+Notícias