O contato humano à longo prazo com as micropartículas de HPA pode ocasionar no desenvolvimento de câncer; especialistas explicam

Por Redação HC

Cientistas da Universidade Federal da Bahia (UFBA) buscam esclarecer quais serão os desdobramentos que a crise do óleo no Nordeste trará para o futuro dos ecossistemas da região e da alimentação humana. Recentemente, foi detectada uma substância conhecida como HPA (hidrocarbonetos policíclicos aromáticos) nas partículas do óleo, fator que preocupou os cientistas devido ao caráter cancerígeno do material.

Maior preocupação dos cientistas está na contaminação microscópica que o óleo pode causar (Foto: Correio do Brasil)

De acordo com Ícaro Moreira, professor no Departamento de Engenharia Ambiental da UFBA, os HPAs não se misturam com água e são geralmente absorvidos por fissuras em rochas, corais e até ingeridos por animais. O pesquisador alerta que mesmo não visível, o óleo ainda permanece encrustado na areia e nos mares em micropartículas e que mesmo que a praia pareça “limpa”, não quer dizer que ela esteja apta para ser frequentada.

“Temos ouvido muitos relatos de pessoas que andam pelas praias ou brincam na areia e se sujam. Isso acontece porque, mesmo não estando visível, o óleo continua impregnado nas camadas mais profundas de areia e aparece de acordo com os fluxos das marés”, ressaltou Moreira em entrevista.

Como não há um controle do que ainda está contaminado e o que está realmente limpo, os pesquisadores advertem para o fato de que muitos podem se contaminar caso o contato com as substâncias do óleo seja frequente. O risco aumenta porque o material é invisível a olho nu e uma avaliação minuciosa de cada praia é algo realmente trabalhoso dada as proporções atuais da crise.

Os pesquisadores da UFBA também emitiram um alerta para o governo federal afirmando que não tão somente devem ser observados a contaminação nos pescados, mas também deve ser analisada a qualidade da água dos rios interligados aos mares na região que abastecem a população, já que estes não possuem estações de tratamento que lidam com a limpeza de substâncias de petróleo.

Até agora, segundo dados do Ibama, 288 localidades já foram atingidas em toda a região e 110 animais marinhos morreram devido ao contato com o óleo de petróleo. O governo federal está há quase três meses sem saber a origem do vazamento. A nova aposta é um navio grego que apresentou irregularidades no descarte de óleo. A suspeita é que, no dia 28 de julho, data em que a embarcação estava à 700 km da costa da Paraíba, o petróleo tenha sido derramado. Em contrapartida, a dona da empresa do navio disse que não foram registrados problemas na passagem pela costa do Brasil e que nenhuma autoridade brasileira contatou a empresa em busca de esclarecimentos.

 

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