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Cordinha salvou Chumbinho, afirma salva-vidas brasileiro que participou do resgate

O surfista brasileiro João Chianca, o Chumbinho, sofreu um grave acidente enquanto surfava em Pipeline, no Havaí, no último domingo. O atleta foi resgatado com vida após ficar submerso por cerca de 2 minutos e 30 segundos.

Guilherme Tâmega, hexacampeão mundial de bodyboard e salva-vidas há anos em Pipeline, foi o responsável por prestar os primeiros socorros a Chumbinho. Em entrevista ao Jornal da Globo, Tâmega afirmou que a cordinha, também conhecida como leash ou strap, foi fundamental para o resgate.

“A sorte foi que o strap aguentou e o segurou. Ele estava grudado na prancha. O pior dos casos é quando o strap arrebenta. A prancha é um sinal de que ele estava ali embaixo. É muito desesperador, ainda mais quando é uma pessoa querida como ele”, disse Tâmega.

Ainda segundo o salva-vidas, Chumbinho não apresentava cortes profundos no rosto após o acidente, apenas um pequeno sangramento na parte de trás da cabeça, provavelmente causado pelo impacto em um coral.

Tâmega também falou ao Jornal da Globo sobre as medidas adotadas em situações como essas. “Ele tinha pulsação, respiração. O procedimento neste caso é colocar o corpo de lado e deixar a espuma e a água salgada saírem do corpo. A gente ficou esperando de cinco a dez minutos, enquanto a água e a espuma saíam do corpo dele. Ele ficou 24h em observação. O problema é que, quando a água salgada entra no organismo, a pessoa pode ter um segundo “afogamento”. Ela pode estar dormindo naquela noite e se afogar, até morrer. Ele ficou em observação no hospital por causa disso, limpando aquela água, mas ele está bem”, explicou.

A expectativa é que Chumbinho saia do hospital ainda nesta terça-feira (5). O surfista já está classificado para as Olimpíadas de Paris em 2024, e a comunidade do surf torce pelo seu retorno ao mar em breve. “O João tem garra e talento, tem tudo na mão para ser um campeão mundial. As coisas estão só começando para ele, e estaremos aqui para celebrar”, finalizou Tâmega ao Jornal da Globo.

A importância dos equipamentos de segurança

O leash foi inventado nos anos 1970, em meio a polêmicas sobre o fato de serem um acessório perigoso. Antes da introdução das cordinhas em 1971, os surfistas que caíam de suas pranchas tinham que nadar para recuperá-las, sendo que as pranchas desgovernadas poderiam ser perigosas para outros surfistas.

Inicialmente, havia preocupação de que, se um surfista caísse enquanto surfava com uma cordinha, a prancha poderia voltar e bater no surfista, causando ferimentos graves. Embora isso possa acontecer, não há dúvidas que as cordinhas previnem mais acidentes do que causam – e são um equipamento fundamental de segurança em qualquer condição de mar.

Além do leash, outros equipamentos de segurança podem ser extremamente úteis, especialmente em ondas perigosas como Pipeline. O capacete, por exemplo, pode proteger o surfista de ferimentos graves em caso de bater a cabeça no fundo de coral ou pedra.

Coletes infláveis também são recomendados em alguns locais, mas não são utilizados em Pipeline. Isso porque ali tudo acontece muito rápido e o maior perigo não é a duração do caldo, mas o choque contra a bancada.

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