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“Coração de pedra”: Kelly Slater revela o que descobriu sob o efeito da ayahuasca

"Isso não significa que eu não tinha amor na minha vida, mas havia esse objetivo que era maior do que eu, e que eu estava perseguindo"

O assunto “aposentadoria do Kelly Slater” tem sido um dos mais discutidos na mídia voltada para surfistas. Aos 52 anos de idade, o 11x campeão mundial segue sendo um dos principais personagens do universo surf, e há um bom tempo vem dividindo opiniões sobre se ele deve parar ou não de surfar competitivamente. Com o anúncio algumas semanas atrás feito por Kelly e sua parceira Kalani de que um bebê está a caminho, finalmente parece que esse dilema chegou ao fim. Numa conversa recente, gravada pela equipe do site Surfline em Bell’s Beach, Kelly Slater revela ao seu amigo de longa data e ídolo da infância, o australiano bicampeão mundial Tom Carroll, o que descobriu sob o efeito da ayahuasca: “fui o melhor competidor de todos os tempos porque meu coração era de pedra”.

“Isso não significa que eu não tinha amor na minha vida, mas havia esse objetivo que era maior do que eu, e que eu estava perseguindo”, prossegue Kelly no vídeo, que surpreende ainda mais justamente por apresentar uma outra face dele, a de alguém que está justamente num momento de coração mole. A referência às suas conhecidas experimentações com ayahusca, que aconteceram anos atrás na Costa Rica, e e ele menciona a Carroll como uma “jornada com plantas medicinais”, é apenas um dos momentos em que Kelly fala abertamente sobre seus sentimentos como nunca antes.

A conversa é marcada pela iniciativa do próprio Kelly em se manifestar com muita sinceridade sobre temas que dificilmente alguém teria a ousadia de o questionar. Aliás, a participação de Tom Carroll praticamente se reduz à de um ouvinte passivo, já que é o próprio Slater quem puxa os assuntos mais delicados. Como quando ele fala da sua difícil relação com a filha Taylor, a quem não teria dado a devida atenção quando ela era criança, justamente por ter devotado todas suas energias a ser o mais vitorioso da história do esporte.

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Contendo as lágrimas, mas visivelmente emocionado ao ponto de engasgar com as palavras, Kelly reclama de envelhecer, da perda recente de vários amigos e do que aconteceu com Sunny Garcia. Fala bastante também, num tom de despedida de quem sabe que deve ter sido sua última vez competindo em Bell’s, sobre o quanto foi importante para ele ter vencido lá. Comentando o que as pessoas falam de sua aposentadoria, ele esclarece que há um bom tempo seu interesse maior em permanecer no Tour não era por uma vontade de continuar vencendo baterias, mas sim de perpetuar o estilo de vida que tanto apreciava, visitando amigos ao redor do mundo.

Mas o vídeo não é só a lamentação de quem está com um pé já pra fora da WSL. “Kalani e eu estamos num bom momento, super contentes em ter um filho, e eu quero ser um bom pai e quero dar ao meu filho tudo, mas não demais, apenas o suficiente para que ele possa ter a vida que ele aspirar”. Para quem acompanhou Kelly por tantos anos no Circuito Mundial, conferir na íntegra a conversa orquestrada pelo site Surfline é uma oportunidade única para colocar em perspectiva a trajetória do maior ídolo que o surf já teve. Certamente muitas entrevistas serão feitas quando ele anunciar oficialmente sua aposentadoria, mas dificilmente alguma irá superar esse momento precioso dele abrindo seu coração duro/mole para o amigo e ídolo Tom Carroll.

Vale lembrar que Kelly Slater conversou com Tom Carroll estando em 33º lugar no ranking, só a frente de Filipe Toledo e João Chianca, que não estão participando do Tour em 2024. Só um milagre vai fazer com que ele escape do corte do meio do ano da WSL, que vai acontecer após o Margaret River Pro, que pode começar a qualquer momento.

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