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Assunto polêmico: Como se mede o tamanho de uma onda?

Sabe aquela história de “hoje tem meio metrinho”, ou “hoje tem 1 metrão”? Então, de fato a comunicação sobre o tamanho de onda pode ser um negócio complicado e, constantemente, gera polêmicas no dia a dia dos surfistas e das competições.

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Enquanto alguns surfistas tendem a exagerar, outros geralmente preferem subestimar o tamanho das ondas. Nesse caso, quando falamos do ‘boca a boca’, muitas vezes, esse assunto passa a ser puramente uma questão de perspectivas. Afinal, ninguém leva para a água uma fita ou uma régua para medir exatamente.

Além disso, um dos fatores mais decisivos para determinar os exageros ou a suavização do tamanho é o grau de dificuldade da onda. Buzzy Trent, um surfista de ondas grandes, disse uma vez que “as ondas não são medidas em pés e polegadas, mas em incrementos de medo”.

No entanto, existem algumas escalas e métodos que supostamente são considerados oficiais para medir tamanho de ondas. Apesar de haver certa controvérsia no assunto, devido a diferença dos resultados finais, listamos as principais:

Escala havaiana

Você já ouviu falar em pés havaianos? Então, quando o mar tem 6 pés havaianos estamos falando de um método específico para calcular o tamanho da onda. Esse tipo de escala faz a medição por trás da onda. Ou seja, a altura pode ser a metade das escalas mais usadas pelo mundo, que se referem à parte da frente da onda. A partir dessa lógica, uma onda de 30 pés no Brasil, poderia ser considerada 15 pés no Havaí. No entanto, enquanto os havaianos parecem gostar de “subestimar” o tamanho, em lajes pesadas como Teahupoo a escala pode ser considerada problemática. Isso porque, a parte de trás da onda pode ser relativamente pequena, enquanto a face da onda puxa toda a água da bancada e forma uma parede enorme e super cavada que supera o que a medida havaiana pode sugerir. Em sites como Surfline, um dos mais usados no mundo para previsão, tem uma opção para personalizar a previsão para a escala havaiana.

(Lembre-se: 1 pé = 0,3048m)

Método de Bascom

Desenvolvido por Willard Newell Bascom e publicado no documento Waves and Beaches: The Dynamics of the Ocean Surface, esse método sugere que o tamanho é a distância entre a linha do mar até o topo da onda. Isto é, se da linha do horizonte até a crista tem 1 metro, esse é o tamanho da onda medida pelo Bascom. Nesse caso, a melhor forma de ter uma noção mais próxima da realidade, é ter um surfista na onda como ponto de referência para ajudar na estimativa. Da seguinte forma: Se um surfista tem 5 pés agachado, então uma onda da altura da cabeça terá aproximadamente 5 pés. No entanto, a problemática desse método é que o tamanho depende tanto da experiência do indivíduo, quanto da perspectiva do lugar onde você a observa. Sabe-se que as ondas sempre parecem menores quando olhamos de cima de uma falésia, do que quando comparamos com o nível do mar. Além disso, a questão pode ser distorcida também em fotos e vídeos, afinal, fotógrafos são especialistas em fazer as ondas parecerem maiores e mais bonitas do que são na realidade.

Surfable wave face

Esse método leva em conta a face da onda, mas considera apenas a parte da onda que realmente pode ser surfada. Tendo em mente que a base da onda (onde ela fica na horizontal) é o ponto mais baixo da face da onda, a hipótese considera aproximadamente 2/3 da altura do Método Bascom e é maior do que a medida havaiana. Esta escala seria o tamanho da onda pela lógica da área surfável e pode ter uma diferente variação entre ondas cheias e buracos.

Afinal, como se mede com precisão os recordes de Nazaré?

Como você deve ter percebido, a ciência ainda luta para determinar o melhor método de medida de uma onda e quando falamos de ondas gigantes a questão se torna ainda mais complexa. O Big Wave Awards, evento anual da WSL considerado o Oscar das ondas XXXL, depende de um componente ideal além da preparação, vontade e talento dos atletas: a calculadora.

Mas ainda sim, muitas polêmicas já giraram em torno desse tema. Em 2020 a francesa Justine Dupont perdeu o prêmio de maior onda surfada por uma mulher por questão de centímetros. O assunto gerou discussão e a WSL divulgou um documento para informar o processo de medição, que conta com diversos tipos de cálculos e diferentes ângulos das ondas. Mas Justine não se convenceu e alegou erros de interpretação em pontos de referência, como altura das duas surfistas e posicionamento dos fotógrafos.

De fato, a decisão foi motivo de dúvidas para muitos da comunidade científica. Isso porque, se existe erro de onde está a crista e onde está a base de uma onda, o método se torna impreciso. A respeito da polêmica, a própria WSL admitiu no documento as dificuldades nessa medição. “Os conjuntos de dados de vídeo e foto são limitados e incompletos, o que torna o processo de estimativa da altura das ondas bastante desafiador”, informou a entidade.

Com o desenvolvimento do surf de ondas gigantes, a busca por precisão nas medições tem sido pauta recorrente. O caso de Justine e Maya comprova, no entanto, que saber exatamente o tamanho de uma onda gigante não é nada simples e fácil e qualquer método ainda é refém de possíveis equívocos.

 

 

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