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Arpoador Clássico 2022 – Legends confraternizam no berço do surf carioca

Com o período de espera para o “Cerveja Praya Arpoador Clássico 2022” aberto desde o início do mês, o Arpoador Surf Club – ASC, liderado por seu presidente e forecaster (Surfline) Guilherme Aguiar, colocou os atletas em alerta no começo da semana, e em seguida deu o sinal verde para o evento mais tradicional do berço do surf carioca.

Na quinta-feira (11), véspera do evento, quando o mar do Arpoador parecia uma verdadeira máquina de lavar, com forte vento maral (SW) e muita chuva no Rio de Janeiro, teve quem duvidasse se a edição deste ano faria jus ao seu nome.

Porém, as previsões se confirmaram e na sexta-feira o Arpex amanheceu com séries sólidas de 6-8 pés, esquerdas baforando, sol, e vento leste fraco. Condições épicas para um campeonato de surf!

No free-surf antes de o evento começar, o destaque foi um tubaço pego pelo surfista local de São Conrado, Popó, que acabou se credenciando a entrar direto no evento principal.

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Pontualmente às 08h30 tocou a buzina para início da primeira bateria do dia, e o mar bombou o dia inteiro, com a última bateria finalizando às 16h30.

De acordo com o formato especial criado há 16 anos pelo ASC, no primeiro dia nenhum atleta é eliminado. São baterias de 40 minutos, com seis atletas na água, somando as quatro melhores ondas. No dia seguinte, todos voltam para a água, em baterias mais curtas, para tentarem trocar as suas melhores notas. No fim, os quatro melhores da classificação geral fazem uma bateria final, carregando uma nota da fase classificatória.

É um formato de competição diferenciado, para que os atletas possam usufruir melhor das ondas e curtir mais o evento, sem a pressão da eliminação.

O grande destaque do primeiro dia, assim como do segundo dia, foi a Praia do Arpoador. Todo o resto ficou em segundo plano perante a esse verdadeiro anfiteatro natural, palco da primeira competição de surf do país, nos anos 60.

Todos que prestigiaram o “Arpoador Clássico 2022” saíram da praia com a certeza de que o Arpex é um lugar mágico, que merece todo o cuidado para que seja preservado para as próximas gerações.

Leandro Bastos dedica vitória ao amigo Léo Neves

Leandro Bastos. Foto: Claudio Franco e Ana Paula Vasconcelos

Vencedor de uma etapa do WQS 6 estrelas no Arpoador em 2010, Leandro Bastos confirmou o seu favoritismo na categoria Pro/Am com uma performance consistente, atacando as esquerdas do Arpex com uma abordagem diferente dos demais. Destaque para um tubo com duas sessões que arrancou nota 9,65 dos juízes (sendo um 10) na manhã de sábado, segundo dia do evento.

Na bateria final, a única no formato homem a homem de toda a competição, Leandrinho teve de encarar o herói local Anderson Pikachú, vencedor das últimas edições do Arpoador Clássico.

A vitória veio de virada na última onda (7,00), calando a torcida local. Após completar a manobra na junção, o local do Recreio olhou para cima e apontou para os céus. Já no pódio, Leandrinho disse que, naquele momento, estava agradecendo ao seu amigo e companheiro de profissão, o bicampeão brasileiro Leonardo Neves, morto em 2019 durante uma competição em Saquarema: “Eu sei que foi o Léo quem enviou essa onda pra mim… Desde 2019 eu queria ganhar um evento para dedicar a vitória a ele”, disse um emocionado Leandrinho.

Marcelo Bispo mantém o título da Open em casa

Arpoador Clássico 2022
Marcelo Bispo comemora o título em casa. Foto: Claudio Franco e Ana Paula Vasconcelos

Renomado professor de surf local e ex-competidor do circuito carioca profissional, Marcelo Bispo, o “Preto Loro”, venceu com autoridade a categoria Open, derrotando na final o talentoso surfista de São Conrado, Popó (2º), e outros dois locais, o consistente Bruno Coutinho (3º) e o destemido Rômulo Bula (4º), destaques do primeiro dia.

Bispo, que fez notas altas em todas as baterias que disputou, também se emocionou no pódio ao lembrar de uma grave lesão na coluna superada recentemente: “Eu achei que ia andar de cadeira de rodas… Então, poder surfar nesse mar, com os meus amigos, e ainda vencer…”. Bispo veio às lágrimas e a galera invadiu o pódio para celebrar junto com ele.

Guilherme Herdy também volta a vencer no Arpoador

Arpoador Clássico 2022
Guilherme Herdy Foto: Claudio Franco e Ana Paula Vasconcelos

O ex-top do WCT e local de Itacoatiara (Niterói), o “branquelo” também confirmou o seu favoritismo na categoria Grand-Master, virando no final sobre o salva-vidas e surfista do Leme, Marcelo Lacerda (2º). A final contou ainda com o outro ex-profissional, o Brizolinha (3º), e o experiente tuberider do Leblon, Eduardo Chalita (4º).

No pódio, Herdy agradeceu o convite e a receptividade da galera local do pico onde ele já havia conquistado títulos importantes.

Bruno Brocá fatura a Grand-Kahuna

Bruno Brocá. Foto: Claudio Franco e Ana Paula Vasconcelos

Depois de várias edições sem conseguir resultados condizentes com a sua capacidade, o surfista local de Ipanema, Bruno Brocá, conseguiu achar ondas que permitiram mostrar o melhor do seu surf e vencer os locais Alexandre Pretão (2º) e Raul Lins e Silva (3º), e o goofy Guilherme Ferreira (4º). No pódio Brocá estava amarradão com a vitória tão aguardada, e também agradeceu por ser sempre bem recebido nos treinos e nos eventos do Arpoador.

Monika Takaki vence o Clássico pela primeira vez

Mônica Takaki. Foto: Claudio Franco e Ana Paula Vasconcelos

Contando com uma barulhenta e animada torcida na areia, a instrutora da escolinha de surf Gaya venceu pela primeira vez a etapa prime do Arpoador Surf Club. Ela, que já havia vencido surf-treinos do ASC em ondas menores, recebeu dois high-scores (notas acima de 8) dos árbitros para superar na bateria final a campeã de 2021, Ariane Mateik (2ª), além da Letícia Moraes (3ª), Kim Battaglin (4ª), Fernanda Avelino (5ª) e Gabriela Pulcherio (6ª). No pódio, Monika reforçou a importância de se valorizar o surf feminino, e ressaltou que a outrora “maroleira       “ teve de se superar para vencer o “Clássico”, sempre realizado com ondas maiores.

Legends dominam o pico

Cauli Rodrigues. Foto: Claudio Franco e Ana Paula Vasconcelos

Para valorizar a história do surf local, o Arpoador Surf Club faz questão de sempre promover ao menos uma bateria de confraternização entre os veteranos do pico.

Neste ano foi um pouco mais difícil de juntar a turma das antigas, graças às dores de coluna, joelho, e outros fatores… Mas, os que participaram representaram muito bem as primeiras gerações de surfistas do Rio, com destaque para Cauli Rodrigues, Tico Cavalcanti, e Ronaldo Pupo Moreno. Mesmo não valendo notas, os três atacaram as ondas e mostraram que querem ganhar mesmo uma confraternização.

Alegria no pódio

A premiação foi feita no maior astral, com muitos prêmios oferecidos pelos patrocinadores Cerveja Praya e Hang Loose, e pelos demais apoiadores.

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