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Aguerre relativiza regra da “boa-fé” no ISA de Porto Rico

O presidente da ISA disse acreditar que todo os competidores presentes no ISA World Surfing Games de Porto Rico estão lá para vencer, e não apenas cumprir tabela

Toda nova regra introduzida num esporte precisa ser bem explicada, para que o entendimento seja geral, começando pelos afetados pelo regulamento, passando pelos que são responsáveis pela fiscalização da mesma, e incluindo os fãs que acompanham os eventos. Em recente entrevista, o presidente da ISA, Fernando Aguerre, relativizou a aplicação da regra da “boa-fé” no ISA de Porto de Rico.

Em ofício enviado às confederações nacionais em setembro passado, a ISA havia informado que os competidores do World Surfing Games – evento mandatório para todo atleta que queira participar de Paris 2024, mesmo os pré-classificados – que não demonstrassem comprometimento em busca da vitória poderiam ser punidos por conduta antidesportiva. Questionado sobre o assunto, agora que o evento está em andamento em Porto Rico, Aguerre surpreendeu ao revelar uma mudança de posição inesperada.

Primeiro esclareceu como seria feita a fiscalização da performance dos atletas, que estaria a cargo dos juízes: “a equipe técnica que fiscaliza as interferências, a prioridade, que define o que acontece na água, é que vai buscar o bom espírito esportivo e acreditamos que no surf isso é algo muito importante”, disse ele, acrescentando que “quando você está em uma competição você tem que tentar vencer, por isso você compete, senão fica em casa assistindo televisão. Como a boa-fé é avaliada? Acho que, como todas as coisas, as regras de boa-fé podem ser interpretadas rapidamente, você pode descobrir se uma pessoa está surfando para vencer ou não”.

Mas, na sequência, o argentino, que foi o maior responsável pela chegada do surf as Olimpíadas, deu uma desconversada sobre a aplicação da regra em Porto Rico: “É algo que não vamos ter que investigar ou aplicar porque acredito que todo mundo quer ganhar, todo mundo quer levar… Há prêmios para as equipes que vencem no masculino e no feminino”, afirmou, referindo-se à vaga extra que as seleções, masculina e feminina, vencedoras conquistam.

Fica claro, no entanto, uma mudança radical de tom em relação ao comunicado do ano passado, no qual Aguerre alertava: “Quero chamar a atenção para a inclusão do termo “boa-fé”, em referência à participação dos surfistas no World Surfing Games do próximo ano. Estaremos observando o desempenho dos atletas no WSG e nos reservamos o direito de aplicar a política disciplinar da ISA relacionada à conduta antidesportiva, de acordo os regulamentos da ISA, que se refere à perda intencional ou ao mau desempenho em uma bateria. Convidamos os membros e surfistas a se familiarizarem com estas regras”.

Aventou-se na época que a introdução da nova regra da “boa-fé” tinha sido motivada pela atitude de surfistas da elite da WSL que abandonaram o ISA games de El Salvador em junho passado. Gabriel Medina e João “Chumbinho” Chianca desistiram de ir até o final do evento,  segundo o que foi veiculado à época, em comum acordo com o diretor de competições da CBSurf, Paulo Moura. Medina estaria se recuperando de uma gripe, e os dois surfistas da elite da WSL pretendiam descansar e se preparar para o evento do Circuito Mundial programado no mesmo local para a semana seguinte.

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No mesmo ofício, a ISA lembrava que dispensas só serão aceitas mediante a apresentação de atestado médico comprovando lesão. Caso a norma não fosse obedecida, tantos os surfistas quanto os países poderiam ser punidos com a desclassificação das Olimpíadas de Paris. Chianca foi um dos que apresentou atestado, aceito pela ISA, para não comparecimento ao evento, devido a ainda estar se recuperando do grave acidente que quase tirou sua vida em Pipeline, em dezembro passado. Pela mesma razão, ele se absteve de participar das duas provas iniciais do Circuito Mundial que abriram, no Havaí, o ano de competições da elite da WSL.

Já o americano Griffin Colapinto, que participou das etapas do Circuito Mundial em Pipeline e Sunset, também pediu dispensa do evento em Porto Rico, alegando que segue se recuperando da cirurgia no quadril sofrida por ele em outubro passado. Ainda que possa parecer estranho ele ter competido nos dois eventos da WSL realizados recentemente, o pedido de dispensa foi acolhido pela ISA. Griffin, assim como Chianca, já tem vaga garantida nas Olimpíadas.

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No caso dos brasileiros competindo em Porto Rico, Filipe Toledo, Gabriel Medina e Yago Dora, tudo indica que os três surfistas defendendo a bandeira verde amarela estão totalmente comprometidos. O objetivo é obter a vitória por equipes, única maneira de conseguir uma vaga extra para o time que vai batalhar pela medalha de ouro em Teahupoo, no Taiti, pico no qual Paris 2024 terá suas provas de surf realizadas. Filipe Toledo, mesmo já classificado pelo ranking da WSL para as Olimpíadas, tem declarado que está em Porto Rico buscando a vitória. Medina e Dora querem muito ir as Olimpíadas, e caso o Brasil vença por equipes, a vaga extra será concedida ao que terminar o evento na melhor colocação.

Esse cenário de surfistas dando seu melhor para conseguirem a vaga extra por equipes é similar para os outros países que já tem dois atletas garantidos nas Olimpíadas, como os maiores rivais do Brasil, Austrália e Estados Unidos. Ao que tudo indica, Aguerre tem razão em relativizar a aplicação da regra, já que a expectativa é de que à medida que o campeonato avance, e os confrontos se tornem mais decisivos envolvendo os maiores nomes do surf da atualidade, ninguém sequer pense em abandonar o evento ou fazer corpo mole. Vai ser pra valer, e muito.

 

 

 

 

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