Nunca é tarde para Mikey Wright ganhar um convite! A World Surf League (WSL) acaba de anunciar oficialmente que Kelly Slater se retirou do Tahiti Pro Teahupoo, sétima etapa do calendário masculino do Circuito Mundial. A vaga liberada por Slater foi concedida ao australiano, também conhecido como recordista de convites para etapas do tour em um mesmo ano.

Fora do chaveamento principal da etapa de Teahupoo, Mikey era esperado para competir, junto com outros 31 surfistas, pelas duas vagas disponíveis pelo campeonato das triagens. Para surpresa geral, seu nome não apareceu entre os dos demais trialistas, como o niteroiense Bruno Santos, que já participou três vezes do campeonato no Taiti e foi campeão uma vez, em 2008.

SLATER NA WSL: SÓCIO OU COMPETIDOR?

A WSL já se explicou sobre os convites a Mikey Wright. Na primeira etapa, um oferecimento de seu patrocinador, na segunda vez, por liderar o ranking do QS, na terceira por que ele foi bem na primeira chance e por aí vai. A justificativa resumida é: nós podemos escolher os convidados e assim o faremos.

O que fica cada vez mais difícil de explicar é o tempo desses convites, assim como a relação da entidade com Kelly Slater.

A WSL tem donos e esses donos são literalmente sócios de Slater em uma piscina de ondas artificiais (que vai sediar uma etapa do circuito em 2018).

Ao mesmo tempo sócio e competidor da WSL, Slater parece atuar sob regras diferentes de seus companheiros de circuito.

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Se Mikey Wright competisse e fosse derrotado nas triagens em Teahupoo, incluí-lo no evento principal seria um completo absurdo. A saída de Slater em cima da hora e logo após as triagens – das quais Mikey estranhamente não participou – parece um movimento orquestrado para seguir dando chances ao australiano no circuito.

Mikey nada tem a ver com isso, e inclusive tem correspondido às expectativas depositadas sobre ele por quem organiza sua participação nessas etapas, superando importantes nomes do circuito ao longo do ano. A história dos convites, afinal, também pode ser engolida. A WSL vai escolher os nomes. Ok.

Mas o fato de Slater entrar e sair de eventos quando e como quer e contabilizar como lesões suas faltas em etapas enquanto surfa ondulações que poderiam levar a óbito um surfista mediano, tudo isso enquanto sócio da entidade que organiza o circuito – isso ultrapassa alguns limites do que é compreensível.

No final do ano, a WSL deverá distribuir duas vagas da elite de 2019 para atletas que se lesionaram em 2018. O bicampeão mundial John John Florence, o brasileiro estreante do ano de 2016 Caio Ibelli e o onze vezes campeão mundial e sócio da entidade Kelly Slater disputarão os dois lugares. O arranjo para essa situação é desde já um dos momentos mais esperados do ano – e não por um bom motivo.

Texto: Fernando Maluf
Imagens: Divulgação