Mudanças da WSL foram testadas na primeira etapa do ano no CT, e o resultado foi semelhante ao de 2018: vitória de um surfista brasileiro

Por Igor Gouveia

 E do jeito que 2018 terminou, começou 2019: Brasil no topo do pódio! A elite mundial, mais uma vez, está sob liderança verde amarela e a dominação de nossos atletas continua a todo vapor. A célebre frase “mude tudo para que tudo fique como está” nunca fez tanto sentido dentro do circuito. Mudaram todo o formato das baterias, eliminando o round 4 e com apenas 4 surfistas saindo da competição no round 2, e mesmo assim ainda é necessário 6 dias para terminar uma etapa.

Não à toa, o último dia de evento, o swell já estava se esvaindo e as séries demoravam bastante. Achava que o Pat O’Connell seria o diretor de prova para este ano, e mais uma vez o Kieren Perrow fez o que faz de melhor, tentou chamar a final do campeonato em um pico sem ondas enquanto rolava altas alguns quilômetros à frente.

O grande acerto desta etapa foi o sistema de dual heats em um beach break com picos definidos. Além do campeonato ter ficado muito mais dinâmico nos primeiros rounds, os 10 minutos extras de bateria foram determinantes para algumas viradas. Principalmente nas primeiras baterias do dia, quando o mar ainda estava acordando.

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Com a mudança da etapa para Duranbah, a vida dos goofies — tanto os que desejam o título mundial quanto dos que querem a classificação para 2020 — ficou muito mais fácil. Fazia tempo que o circuito mundial não começava com ondas também para a esquerda e quem aproveitou a oportunidade de somar o máximo de pontos nessa etapa com certeza terá a vida mais fácil no tour.

E seu adversário na grande final, Kolohe Andino, graças a Deus não competia no brasileiro amador na infância, como disse meu irmão, Ian Gouveia

Ítalo Ferreira não deixou margem para erros. Afiou o backside, definiu a manobra e abusou. O Backside Full Rotation estava no pé. Conseguia controlar as baterias do último dia com maestria. A estratégia de pegar uma onda atrás da onda funcionou perfeitamente. E seu adversário na grande final, Kolohe Andino, graças a Deus não competia no brasileiro amador na infância, como disse meu irmão. Kolohe cometeu um erro infantil, deixou passar uma ondinha no final da bateria. Ítalo fez o máximo que a onda deixou, e com mais um full rotation, os juízes deram a virada.

Partindo para a segunda etapa do ano, que abre sua janela hoje à noite, o jogo muda. Ítalo, atual líder do ranking, e defensor do título da etapa, terá a homérica tarefa de, mais uma vez, tocar o sino do troféu mais tradicional do circuito.

Jordy Smith, Wade Carmichael e Willian Cardoso são os nomes para desbancar os favoritos ao título mundial a partir das oitavas. Não será surpresa se o campeonato cair no colo de algum destes atletas.

Julian Wilson e Filipe Toledo começaram o ano muito abaixo das expectativas e virão com sangue nos olhos para recuperar o terreno perdido na corrida pelo título mundial. Medina, que começou bem na sua perna mais fraca do circuito, vem focado em manter o ritmo para beliscar outro excelente resultado e não deixar o pelotão se distanciar até a chegada de Teahupoo.

Jordy Smith, Wade Carmichael e Willian Cardoso são os nomes para desbancar os favoritos ao título mundial a partir das oitavas. Não será surpresa se o campeonato cair no colo de algum destes atletas.

Quanto ao fantasy, pela primeira vez (que eu me lembre), Filipinho estará no tier B e será pick obrigatório para qualquer fã ou torcedor. Kelly, que começou o ano sendo um dos quatro eliminados no round 2, será a grande incógnita neste campeonato. Se passar as primeiras baterias pegará algum grande nome no round 3. Será a bateria nos primeiros dias do evento. O real confronto entre a nova e a velha guarda. Será que o careca ainda aguenta o tranco? Espero que sim.

Igor Roichman Gouveia é colunista da HARDCORE.

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