Italo Ferreira e Caroline Marks são os campeões do Quiksilver & Boost Mobile Pro Gold Coast e lideram ranking da WSL

Por Fernando Guimarães

A dominação brasileira continua no Circuito Mundial masculino da WSL. Italo Ferreira acaba de sagrar-se campeão do Quiksilver Pro Gold Coast, neste domingo, 7 de abril (manhã de segunda, 8, na Austrália). É sua quarta vitória nos últimos 12 meses e a décima de um surfista brasileiro desde o início de 2018. No circuito feminino, por outro lado, a situação é bem diferente. No evento que marca o primeiro cheque máximo idêntico para homens e mulheres no CT, a recém-repatriada Tatiana Weston-Webb foi a melhor (e única) representante brasileira, eliminada nas quartas de final — o título ficou com Caroline Marks, de apenas 17 anos.

A torcida brasileira, como já é tradição nos campeonatos na Goldie, era a mais numerosa e barulhenta nas areias de Duranbah. A vibração verde e amarela pela vitória incrível de Italo contrastou com o clima de velório entre a equipe da transmissão em inglês da WSL pela derrota de Kolohe Andino.

veja também: Italo Ferreira vence o Red Bull Airborne, o campeonato de aéreos da WSL

Conforme os favoritos do seu lado da chave caíam, a possível primeira vitória de Kolohe na elite foi crescendo como a grande narrativa do evento. Mais que seu primeiro troféu, a vitória quebraria também um incômodo jejum de 10 anos de títulos para um surfista da Califórnia no CT masculino, uma seca que pautou toda a imprensa estrangeira neste começo de ano.

As ondas estavam ainda menores em D’bah, com uma mudança na direção do vento que não só privilegiava os aéreos para a direita como bagunçava totalmente as diminutas esquerdas.

Condições excelentes para um aerealista leve e de base regular, como Kolohe, que fez a lição de casa.

O californiano dominou a grande final e liderou a maior parte do duelo. Tinha a melhor nota, o tempo se esgotava, as ondas pioravam… Parecia que tudo ia se encaixar, e ele fazia tudo certo.

Fazia. Vai ter noites e mais noites em branco pensando na marola que deixou passar a um minuto do final, com a prioridade. A marola em que Italo deu um aéreo perfeito, virou e arrancou-lhe o título.

Não ajudou em nada nessa depressão dos anglo-saxões o fato de Kolohe quase desabar em lágrimas na entrevista depois da bateria.

Italo tem agora quatro vitórias seguidas em suas últimas quatro finais.

Kolohe tem agora seu quarto vice consecutivo, na quarta final que chegou na carreira. Sua primeira vitória vai esperar um pouco mais. E o jejum californiano prossegue.

Italo a caminho de seu quarto título na carreira (Cestari/WSL)

Medina cai nas quartas

“É difícil quando você não tem oportunidades”, lamentou-se Gabriel Medina após a derrota para Jordy Smith. Não tinha muita onda, é verdade. Piora um pouco se seu rival acha todas elas, como o fez Jordy.

O quinto lugar tem lá sua importância para a corrida ao título mundial — ano passado, Medina começou com um 13º e acabou campeão. Sua grande pulga atrás da orelha é John John Florence. O último surfista que conseguiu barrar um título mundial de Gabriel começa o ano na sua frente.

John John venceu Conner Coffin de virada e Kolohe estragou a festa da família Moniz ao eliminar o estreante Seth numa bateria meio controversa — “poderia ir para qualquer lado”, diria o outro. Italo não deu qualquer chance a Wade Carmichael.

Quem acompanhou o campeonato todo viu que os aéreos de John John, apesar do estilo bonito e de um grab invocado aqui e ali, não estavam lááá tão altos. Num dia em que as manobras na parede da onda condenariam seu autor ao fracasso, ele tomou uma virada quase previsível de Kolohe na semi.

Kolohe Andino, outra vez na trave (Cestari/WSL)

Campeonato de aéreos valendo vaga na final

Italo e Jordy fizeram uma bateria espetacular na semi final e demonstraram a redundância do tal campeonato de aéreos da WSL. No português brasileiro, redundante é algo repetitivo, mas em inglês tem ainda uma outra conotação: desnecessário.

Quem chamou o Airborne de redundante, ou desnecessário, foi a própria transmissão da WSL, na voz de seu melhor narrador, Ron Blakey, durante o round três do Quik Pro, quando Medina Yago e Italo fizeram mais e melhores aéreos do que praticamente tudo que tinha rolado no tal campeonato.

Jordy e Italo, na semi, foi isso outra vez.

Agora vamos à polêmica:

A torcida brasileira se acostumou a contestar múltiplas e memoráveis decisões controversas contra os surfistas daqui – Medina x Julian em Portugal, Medina x Pat Gudang em Trestles, a interferência de Filipe sobre Kanoa em Trestles… Etc etc.

Italo foi para a final e virou a bateria com um aéreo excelente em uma onda que Kolohe lhe deu de presente, e que ele mesmo, ou Medina, ou Filipe, ou Adriano, jamais dariam a outro surfista em uma final. Claro que tem gente reclamando da nota.

Daí podemos tirar duas conclusões.

Primeiro, juízes erram, isso não vai mudar.

Segundo, eles continuam sendo o único (e o melhor) jeito de definirmos um campeão de surf. E o campeão do Quiksilver Pro Gold Coast é o seu, o meu, o nosso Italo Ferreira.

 

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@italoferreira turns it on the last wave! Congratulations Italo, 2019 #QuikPro #GoldCoast Champion and the new @jeep leader! 🏆 @quiksilver

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Quem segura Caroline Marks?

Com a persistência do chá de sumiço de Tyler Wright, duas campeãs mundiais disputaram o primeiro evento do CT de 2019 entre as mulheres, Stephanie Gilmore e Carissa Moore.

Local da Gold Coast, Stephanie conquistou seu sétimo título mundial em 2018 e comentários de “maior da história” começaram a pular aqui e ali. Steph sabe que precisa do oitavo caneco para desempatar com Layne Beachley. Está focada e trabalhando duro desde a pré-temporada com sua equipe para isso.

A tricampeã Carissa Moore, por sua vez, vinha de uma sequência à la Gabriel Medina no segundo semestre do ano passado, com duas semifinais e dois títulos nos últimos quatro eventos da temporada — contando aí o histórico título de despedida de Honolua Bay, com direitas perfeitas de oito pés.

Caroline Marks esmagou as duas. E ganhou o primeiro cheque de 100 mil dólares da história do surf feminino.

Seu surf compacto, veloz, vertical, preciso, não deu chances nem ao estilo polido de Steph nem ao power de Carissa.

Para completar, ela ainda é a surfista favorita de Italo Ferreia! Quem segura Caroline Marks?

Resultados do Quiksilver & Boost Mobile Pro Gold Coast – último dia

Quik Pro – Final
Kolohe Andino x Italo Ferreira

Semi
1: Kolohe Andino x John John Florence
2: Italo Ferreira x Jordy Smith

Quartas
1: John John Florence 11,00 x 10,56 Conner Coffin
2: Kolohe Andino 12,33 x 11,47 Seth Moniz
3: Jordy Smith 13,17 x 9,23 Gabriel Medina
4: Italo Ferreira 11,07 x 9,77 Wade Carmichael

Boost Mobile Pro – Final
Caroline Marks 13,83 x 11,33 Carissa Moore

Semi
Caroline Marks 12,67 x 11,50 Malia Manuel
Carissa Moore  x 9,87 Sally Fitzgibbons