Para o ex-top brasileiro, jornalista e comentarista Alex Guaraná, mudança anunciada pela WSL não promove as melhorias necessárias no circuito: “protecionismo e falta de inovação”

Por Fernando Guimarães

A WSL confirmou na semana passada que as etapas da elite do surf mundial, tanto entre os homens quanto entre as mulheres, serão disputadas em um novo formato. A ideia era privilegiar os confrontos mano-a-mano e criar a opção de agilizar o andamento dos campeonatos com as baterias simultâneas dentro da água.

A fim de ilustrar um pouco melhor a situação, entramos em contato com o jornalista, comentarista, ex-colunista da HC e ex-top brasileiro Alex Guaraná. Suas relações profissionais com o surf podem ter diminuído, mas a paixão pelo esporte e pelas competições segue a mesma. E Guaraná não ficou em cima do muro.

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Não achei relevante a mudança no formato. Acho que falta muita coisa para realmente tornar estas etapas mais atraente, afirma.

No novo formato, o segundo colocado de uma bateria da primeira rodada avança direto, junto com o primeiro. Na repescagem, disputada pelos últimos colocados de cada baterias da rodada anterior, um surfista ainda pode ficar na segunda colocação — os dois primeiros de cada duelo avançam ao round seguinte. Ao todo, após as 16 primeiras baterias, apenas quatro surfistas são eliminados. O excesso de chances é um dos pontos criticados por Alex:

Sou contra esse negocio de repescagem. Já viu o Federer ou Nadal voltarem pela repescagem em algum evento do tênis? Perdeu, perdeu. O legal do esporte são as surpresas e no surf, por acaso, a natureza dá mais condições do pior vencer, por sorte ou tática.

“O surf mundial não tem 30 caras do nível do Medina, Toledo e JJF para ter tanta gente assim no Tour”. Foto: WSL

E qual seria a saída para melhorar? Menos surfistas e campeonatos mais curtos.

Deveriam diminuir o número de dias de evento para no máximo dois. Para isso tem que ter menos atletas e menos baterias. Existe uma enorme diferença entre os top 10 e o resto. Não vejo sentido em ter 34 surfistas mais dois wild cards. Por mim teriam apenas 24 caras no circuito. Oito baterias de três atletas no Round 1, com o último eliminado. A partir daí homem a homem até a final. Seriam 23 baterias facilmente divididas em 2 dias. Ainda não acho o ideal mas pelo menos daria mais competitividade e dinâmica. O surf mundial não tem 30 caras do nível do Medina, Toledo e JJF para ter tanta gente assim no tour.

E porque a WSL não promove mudanças nessa direção? Objetivamente, ninguém sabe. Mas há pistas.

— Vejo muito protecionismo e falta de inovação por parte dos envolvidos.

O Circuito Mundial de 2019 começa oficialmente no dia 3 de abril (na noite da terça, dia 2, para quem estiver no Brasil) com o Quiksilver Pro e Boost Mobile Pro, na Gold Coast, Austrália.