Por Fernando Gueiros

O ubatubense de 16 anos não só enfrentou os novos talentos dos EUA, Hawaii e Australia, como derrotou todos eles frente à multidão que torcia no Nike US Open de surf. Filipe Toledo trouxe um título inédito ao Brasil, o de campeão da categoria Pro Junior de um dos eventos mais tradicionais dos EUA, em sua segunda competição em território ianque (o paulista ficou em terceiro no VQS de Newport Beach, em maio deste ano). Seu surf moderno repleto de aéreos altos e rebuscados – mesmo em competições – está pronto para ser aprimorado. A mais nova promessa brasileira agora pretende se classificar para o Mundial Pro Junior, em Bali, no começo do ano que vem.

Na semifinal do US Open você se posicionou um pouco para a esquerda, longe do píer e dos outros competidores, o que eu não sei se foi a escolha certa, porque você quase não passou a bateria. No início da decisão não encontrou as ondas e, no final, arriscou e acabou vindo um pouco mais pro inside, tirou 2 aéreos e foi campeão. Queria saber como você lida com o momento de tomar decisões na hora em que está na bateria.
É você olhar se está vindo ali onde todo mundo está ou se está vindo onde não tem ninguém… Compensa mais cair onde não tem ninguém e pegar as ondas sozinho do que ficar no meio do bolo e poder fazer uma interferência. Foi o que aconteceu na final. Na semi eu fi quei mais longe, pra lá do píer. Antes da bateria, fiquei olhando e vi que estava vindo bastante onda lá. Aí na minha bateria, de repente, parou de vir, foram bem poucas. O tempo estava terminando e eu acabei conseguindo achar umas ondas no final, mais para o meio da área de competição. Deu para manobrar forte, consegui fazer o que eu precisava e tirei as notas.

Você acha que essa leitura de onda, quando você está dentro do mar, dentro da bateria, de cabeça quente, é mais difícil? Como você faz para manter a calma?
Sempre entro tranquilo na bateria. Uma coisa que meu pai sempre me fala [Filipe é filho do bicampeão brasileiro de 1991 e 95 Ricardo Toledo] é para entrar tranquilo, me divertir e fazer o que eu sei fazer. Quando ele não está comigo, coloco isso na minha cabeça e sempre dá certo. Sem dizer que ele sempre me estimula a fazer um surf moderno. Quando estou vendo os vídeos que os caras radicais como Dane e Clay Marzo lançam, meu pai fala: “Pô, por que você não tenta essa manobra? Olha, essa aqui vai dar pontos…”. Ele sempre me deu muita força nisso. Só nas primeiras baterias desse evento é que foi mais difícil ficar calmo, fiquei meio nervoso, é um evento muito grande, eu estou com um novo patrocinador… Depois fui ganhando confiança e deu certo. 

Como é o lance de você ter acabado de ser contratado pela Nike, com um contrato global ainda moleque, e na sua primeira “apresentação”, no maior evento da própria marca, levar de cara o título?
A marca tem uma estrutura animal. É muito irado, fiquei muito feliz com a contratação desde o primeiro dia. Ficamos conversando durante um ano e meio até que assinamos o contrato pouco antes do US Open. Aí pude vir pra Califórnia, ganhei um monte de coisa e nada melhor do que me apresentar ganhando um campeonato, né? Foi muito irado! Na primeira bateria fiquei totalmente apavorado. Muito nervoso. Primeiro campeonato, patrocínio novo e tal. Mas depois fiquei tranquilo e no final eu me acalmei, botei a cabeça no lugar e deu certo. Na bateria final eu esperei, sabia que ia vir onda. Pedi pra Deus me mandar uma e ele mandou. Consegui pegar duas, eu estava em quarto faltando 4 minutos. Peguei duas ondas e virei.

Qual é a importância dos aéreos hoje em dia? Você acha que sempre vale a pena arriscar ou, às vezes, um aéreo errado é mais complicado, um desperdício para o surf de linha?
Na verdade, a gente treina bastante pra isso, pra chegar na bateria e acertar um aéreo. Porque é o aéreo que conta ponto. E no freesurf a gente está sempre treinando para colocar a manobra no pé e não errar na bateria…

E como você sentiu a pressão dos americanos? Você sente um apoio ou acha que é mais desafiador? A galera agora já sabe quem é você?
Acho que ganhei mais confiança. Quando você faz uma onda boa, escuta todo mundo gritando e pensa que a galera gostou, dá muita instigação, (…)


Leia a matéria completa na HARDCORE de setembro, já nas bancas.