Surfistas tiram leite de pedra no US Open, campeonato com a maior importância e as piores ondas do QS

Por Fernando Guimarães

O US Open avançou até suas fases finais nesta terça (30) em suas condições tipicamente muito ruins, uma marola pequena e sem força e, para piorar, com um vento ruim. Mas é um dos cinco eventos com pontuação máxima (10 mil pontos) no QS, e assim reúne grandes nomes da cena competitiva, como o japonês Kanoa Igarashi, por exemplo, além de todo e qualquer surfista que tenha planos de ingressar no CT em 2020 e de alguns que já fazem parte da elite mas temem terminar o ano na zona da degola.

Os brasileiros são ampla maioria entre os 24 surfistas que chegaram à quinta rodada: Krystian Kymerson, Caio Ibelli, Yago Dora, Alex Ribeiro (foto), Peterson Crisanto, Michael Rodrigues, Adriano de Souza, Weslley Dantas, Luel Felipe, Mateus Herdy e Tomas Hermes, onze ao todo. A Austrália tem cinco, Estados Unidos têm três, Havaí tem dois e a França, também dois. Kanoa é o japonês solitário.

“Sem oportunidades fica difícil mostrar todo seu potencial e converter o trabalho duro em resultados concretos”, reclamou Miguel Pupo após sua eliminação no round 4 e a verdade é que o ex-top do CT tem muita razão.

A cada ano que passa, fica mais escancarado o absurdo que é dar a pontuação máxima do QS (e uma de apenas cinco etapas do tipo!) em um campeonato em pleno verão californiano.

Não há dúvidas sobre a importância “mercadológica” do evento para o surfe competitivo: é a meca do consumo, todas as grandes marcas estão ali, grande público etc etc. Mas que encontrem um jeito de fazer isso sem que o ranking do QS e, consequentemente, as carreiras dos surfistas profissionais sejam decididos em um surfe inevitavelmente horroroso.

Nesse contexto, é necessário aplaudir os caras que conseguem explorar as condições e se destacar. Alex Ribeiro é um deles, o único até agora a ultrapassar os nove pontos em uma onda, em sua bateria de estreia. Mas o próprio Alex teve vida difícil na rodada seguinte, quando avançou em segundo lugar, atrás do francês Charly Martin, com 11,50 pontos somados apenas na última onda, suficiente para virar sobre o australiano Jack Robinson.

 

Ver essa foto no Instagram

 

Feliz em fazer uma boa estreia!! 🙏🏼👊🏼💥. 🎥 @dani_grubba

Uma publicação compartilhada por Alex Ribeiro (@alexribeiro89) em

Caio Ibelli, Griffin Colapinto e a dobradinha Kymerson & Crisanto também fizeram apresentações sólidas. Por fim, uma menção honrosa a Yago, que tomou uma interferência, mas fez a melhor nota de sua bateria e avançou mesmo assim.

O campeonato está paralisado pela falta de ondas (!), com a próxima chamada marca para sexta, 2 de agosto, às 11 horas.

US Open – Round 4

1. Charly Martin, Seth Moniz, Krystian Kymerson
2. Connor O’Leary, Alex Ribeiro, Peterson Crisanto
3. Michael Rodrigues, Kalani Ball, Evan Geiselman
4. Caio Ibelli, Jorgann Couzinet, Yago Dora
5. Weslley Dantas, Jack Freestone, Morgan Cibilic
6. Kanoa Igarashi, Liam O’Brien, Barron Mamiya
7. Adriano de Souza, Mateus Herdy, Griffin Colapinto
8. Conner Coffin, Luel Felipe, Tomas Hermes

Veja também:
Três minutos de Gabriel Medina destruindo no free-surf em Maresias
Surfista é mordido por tubarão, mas dispensa atendimento para ir ao bar
Circuito dos Sonhos: G-Land voltará ao CT em 2020