A tragédia ocorrida com a italiana Giulia Manfrini, de 28 anos, que faleceu após ser atingida no peito por um peixe-agulha enquanto surfava nas ilhas Mentawai, Indonésia, expôs os riscos que os surfistas enfrentam em locais remotos, onde ondas poderosas e recifes rasos aumentam o perigo, enquanto o socorro é escasso.
Ao ser levada ao hospital de Pei Pei, na ilha de Siberut, já chegou sem vida. Mesmo com uma resposta rápida e uma curta viagem de barco de sete minutos até a vila, a gravidade da lesão foi fatal. Além disso, o hospital não dispunha de suprimentos básicos para atendimento emergencial, conforme relatado por Alexandre Ribas, empresário brasileiro proprietário do Hidden Bay Resort, onde Manfrini estava hospedada.
Manfrini foi a mais recente vítima de uma série de tragédias nas ilhas Mentawai nos últimos anos, que também resultaram nas mortes dos surfistas Mikala Jones e Eric Foraker.
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Ribas tem feito duras críticas ao descaso do governo indonésio com a infraestrutura de saúde nas Mentawai, apesar da alta taxa de turismo no local. “Cada surfista paga 130 dólares em taxas para chegar às Mentawai, mas nada é feito pelo governo para dar suporte aos surfistas”, afirmou.
Segundo o empresário, o hospital carece de insumos essenciais, como injeções de adrenalina e medicamentos básicos, o que obriga a evacuações para casos mais graves. Essas evacuações podem custar até 2.000 dólares, com viagens de três a cinco horas até Padang, no continente. Em casos extremos, os pacientes são transferidos para instalações médicas avançadas em Singapura ou Malásia.
Para suprir a falta de estrutura local, o Hidden Bay Resort mantém um estoque próprio de medicamentos e itens de primeiros socorros. “Nós nos preocupamos com a segurança. Somos treinados para fazer pequenos pontos e primeiros socorros em emergências”, explicou Ribas, que atua na região há dez anos.
Ele também destacou o aumento de surfistas iniciantes e intermediários nas ilhas, fenômeno que atribui à inclusão do surfe nas Olimpíadas. Alguns resorts enviam esses praticantes para condições de risco. “Atenção aos níveis dos hóspedes é essencial. Não aceitamos iniciantes e levamos os intermediários apenas a locais seguros”, afirmou Ribas, que exige que os visitantes do Hidden Bay possuam seguro internacional para cobrir eventuais evacuações.
Medidas para o futuro e esperanças de melhorias no atendimento médico
Após a morte de Manfrini, Ribas planeja elaborar um protocolo de segurança ainda mais detalhado para compartilhar com hóspedes e funcionários. Ele está colaborando com médicos para definir procedimentos para diferentes emergências, desde picadas de águas-vivas até lesões provocadas por peixes-agulha.
Um projeto para introduzir um hidroavião na região, previsto para o próximo ano, pode possibilitar evacuações mais rápidas e eficazes. Além disso, Ribas espera que a repercussão do caso de Manfrini na mídia internacional exerça pressão sobre o governo para melhorar o atendimento médico nas Mentawai.
Fonte: The Inertia