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Teahupo’o será fechada para treino seis dias antes da Olimpíada

A onda de Teahupo’o, palco das disputas de surf das Olimpíadas de 2024, será fechada para treino exclusivo dos atletas olímpicos durante seis dias antes do início da competição. Essa decisão inédita na história do surf profissional visa garantir que os competidores tenham a oportunidade de se familiarizar com a desafiadora onda em um ambiente menos concorrido. A informação foi revelada pelo havaiano ex-top do CT, Shane Dorian.

Dorian, que recentemente foi nomeado treinador principal da equipe de surf dos Estados Unidos, compartilhou detalhes dessa iniciativa em entrevista à revista Surfer. “Eles também terão uma janela de prática oficial seis dias antes do início das Olimpíadas. Isso é algo que nunca foi feito em uma competição de surf. Então, por seis dias, você não poderá surfar em Teahupo’o a menos que tenha as credenciais olímpicas. Acho que é das 6 da manhã às 4 ou 5 da tarde. Então, você só pode surfar lá se estiver nas Olimpíadas. Claro, há dois lados nessa história”, explicou Dorian.

A decisão de fechar Teahupo’o tem como objetivo principal proporcionar um ambiente de prática controlado e seguro para os atletas olímpicos. Normalmente, essa famosa onda está sempre lotada, com surfistas qualificados disputando intensamente por cada onda. Para aqueles que não têm muita experiência na onda, essa situação pode ser intimidadora e dificultar a prática. A janela de treino exclusiva, portanto, permitirá que os surfistas treinem sem a pressão adicional de um lineup cheio.

Com a oportunidade de treinar em condições ideais e acesso garantido às ondas de Teahupo’o, os atletas olímpicos podem garantir um melhor desempenho durante a competição. Isso é especialmente importante para surfistas menos experientes ou com menos facilidades em ondas de consequência.

No caso da equipe brasileira, a medida pode ser de grande utilidade para o bicampeão mundial Filipe Toledo, que muitas vezes não consegue se encaixar tão bem em ondas tubulares como Pipeline e Teahupo’o.

“O lado positivo é que você verá o nível aumentar muito para aqueles atletas que nunca estiveram lá antes ou têm experiência limitada naquela onda”, enfatizou Dorian sobre os benefícios para os atletas olímpicos.

No entanto, por outro lado, a exclusividade dos treinos pode gerar controvérsias. Surfistas locais e outros atletas que não estão competindo nas Olimpíadas serão impedidos de surfar em Teahupo’o durante esses seis dias. Isso pode ser visto como uma restrição injusta, considerando que essa é uma das ondas mais icônicas e desejadas do mundo. Além disso, a exclusividade pode criar um ambiente de segregação entre os surfistas olímpicos e a comunidade local, potencialmente gerando tensões.

+ Vahine Fierro e locais de Teahupo’o revezam tocha olímpica no Taiti

Berço tradicional do surf, no Havaí, por exemplo, existe uma lei que protege o acesso democrático às ondas: as competições de surf devem terminar antes do final do dia para que os freesurfers, aqueles que não competem, também possam surfar.

Enquanto a decisão de fechar Teahupo’o para treinos olímpicos pode ser uma medida de segurança que favorece a prática de atletas sem experiência, a medida também levanta questões sobre acesso e possíveis controvérsias, destacando a complexidade de organizar um evento de grande porte em um local tão disputado – e perigoso.

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