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Loïc Wirth sobre seu novo filme, Inaippu: ‘O mundo é um lugar só’

Texto Alexandra Iarussi

 

HARDCORE conversou com o filmmaker catarinense Loïc Wirth sobre Inaippu, seu segundo longa-metragem [Loïc produziu Intentio, em 2012]. Alex Chacon, Yago Dora, Ricardo dos Santos, Marco Giorgi, Jean da Silva, Fernando Fanta, Junior Faria, Bruno Santos, Gabriel Medina, Cristian e Gabriel Muller e Peter Devries compõem o elenco da produção, filmada em lugares paradisíacos pelo mundo.

Confira abaixo, nas palavras de Loïc, como surgiu a ideia da produção, algumas curiosidades, o que pensa o filmmaker a respeito dos surfistas participantes, e mais. O que falar sobre as fotos? Basta dizer que elas seguem o padrão “Loïc de ser” – tem poesia em cada frame. Confira:


INAIPPU E A INSPIRAÇÃO DE UMA ÁRVORE

Sempre sentava embaixo de uma árvore para anotar ideias ou respirar um pouco. Um dia lá com ela escrevi o roteiro de Inaippu. A energia que pensava em passar, os lugares que pensava ir, quais surfistas convidar. Algumas semanas depois eu estava em um avião sobrevoando a Groelândia, vendo as cenas mais lindas que já vi rumo à primeira viagem. Ali o mundo virou um pedaço de papel de anotações mais reais que eu poderia ter sonhado.”

Canadá.


“Foram alguns anos de trabalho debruçado nesse filme. Na verdade, quanto mais penso a respeito, mais vejo como o tempo é relativo. Posso ver como três anos, dois, quatro, alguns meses… Sinto que trabalho nele há 10 anos.”

 

PESSOAS-LUGARES 

Para ser sincero, as pessoas que fazem parte do filme, cada pessoa, seja o indonésio remando no barco talhado pelo avô dele; o islandês que nos disse para ir reto e virar à esquerda depois de uma montanha; a esposa de um senhor que nos acolheu na casa dele para dormimos a caminho de uma onda nova… Essas pessoas foram os lugares que mais me tocaram e fizeram o filme existir da forma que existe.”

“O mundo é um lugar só, acho que queria passar isso. Fronteiras são invenções de alguém e a gente acreditou.”

INAIPPU – SIGNIFICADO

“Inaippu vem da língua Tâmil (que existe na Índia e Sri Lanka), e significa a reunião…re-ligação. Acho que o surfe é capaz disso. De nos fazer perceber que as palavras ‘’humanos’’ e ‘’natureza’’ deveriam ser a mesma. O fato de elas existirem tenta nos separar. Mas somos.”


OS S
URFISTAS

“Alex Chacon (foto acima) é um irmão que me ensina sem perceber, ele é a essência do filme em forma de uma pessoa…amor puro.

Yago Dora tem o coração tão impressionante quanto o surfe dele. É uma pessoa especial e tudo que fizer vai transparecer isso. Ele decidiu surfar.

Yago Dora.

Ricardo dos Santos. Palavras ficam pequenas para o inexplicável…Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. O Ricardo é o maior abraço que todos que sentiram a energia dele já receberam. E ele é, pra sempre.

Jean da Silva é um elo de ligação muito grande. Foi o primeiro surfista profissional que eu conheci de verdade e não poderia ter sido mais bonito ver os tubos que ele surfou no Intentio rodando até hoje em Inaippu. O simbolismo ali é pra mim muito bonito.

Marco e Alex.

Marco Giorgi tem a essência do filme dentro dele e a curiosidade dele por achar ondas novas nos fez trilhar caminhos incertos pra descobrir muito mais do que ondas.

Bruninho é um ser humano que se conectou com o mar de um jeito que é difícil para qualquer pessoa entender. Existe uma amizade linda ali. Não é acaso.

Gabriel e Cristian Muller são duas pessoas que me ensinaram que muito acima de qualquer reconhecimento ou aceitação, é preciso fazer as coisas porque se acredita, não porque é melhor. Eles são dois dos melhores surfistas que já vi surfar…os resultados em patrocínio não mostram, mas as pessoas que são mostram.

Fanta (na foto abaixo) tem uma sincronia com as danças que o mar faz tão única e genuína…ele nos lembra que surfe é uma arte em cumplicidade com algo muito maior.”

Fanta.

SESSÃO MEMORÁVEL

“São tantas. Marco Giorgi encontrou algumas ondas no Google Earth. Fomos para muitas. Ele entrou na água um dia com o sol nascendo e saiu com o sorriso e o ‘melhor surf da minha vida’ no rosto. Voltei para lá com o Ale Chacon e ele teve o mesmo sorriso, a mesma frase. O Pete Devries no Canadá compartilhou ondas que não via desde 2007…cada viagem foi uma experiência do mesmo nível em formas diferentes.”

“Deixei de acreditar no ser humano por um tempo. Guerras, ódio, poluição, injustiças, egoísmo…Um amigo me mostrou uma árvore que tinha sido cortada. Eu olhei triste e ele me disse pra olhar melhor. Eu vi mudas nascendo da própria raiz. Sem rancor, sem raiva, sem vingança…apenas crescendo e sendo o que acredita que pode ser de melhor pro mundo. Hoje acredito que podemos ser mudas pra um dia ser árvores mais fortes que serrotes.”


RELAÇÃO COM O SURF

“Sou surfista. O surf é o maior motivo de eu ver a vida da forma que vejo e de ter começado a filmar. Pode soar clichê mas foi o jeito que eu percebi que somos parte disso tudo. Essa interação muito maior que um esporte que a gente chama de surfe.”

Inaippu estreia esse ano e a data está para ser divulgada.

Acompanhe as atualizações.


Assista ao trailer:

 

Para saber mais sobre Loïc, clique aqui.

 

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