Publicidade:

J-Bay, 4º dia: Filipe Toledo é a referência na melhor direita do mundo

Filipe Toledo faz melhor média do dia, novamente, no Corona Open J-Bay. Gabriel Medina e Italo Ferreira também vencem e estão nas quartas

Por Fernando Guimarães

Outro esporte. É essa a diferença, atualmente, entre Filipe Toledo e o restante dos surfistas do CT no Corona Open J-Bay, sexta parada do Circuito Mundial da WSL em 2019. Atual bicampeão da etapa, Filipe fez a melhor apresentação desta quarta (17), surfando nas direitas longas e perfeitas de até cinco pés com pressão e velocidade incomparáveis entre os homens. Entre as mulheres, Carissa Moore é quem puxa o bonde, também com uma apresentação excelente.

Entre os brasileiros, Gabriel Medina e Italo Ferreira também garantiram suas vagas nas quartas de final, além de Toledo. Os rookies Deivid Silva e Peterson Crisanto foram eliminados, assim como Willian Cardoso, que perdeu um confronto direto para Filipinho.

Veja também:
Como locais retomaram o controle de Teahupoo
Bruno Santos em “A Melhor Onda Que Já Surfei Na Indonésia” (vídeo)

O único surfista que tem alcançado notas próximas das de Filipe — e com alguma consistência nesta etapa, vale dizer — é o japonês Kanoa Igarashi. Os juízes tem recompensado com notas generosas a velocidade e agressão d Kanoa, ainda que seu surfe, como bem observado por Marcelo Bôscoli, no canal De Olho no Tour, ainda consista numa maioria de manobras com o fundo da prancha, e não com a borda, como faz o brasileiro.

Tirando os dois fora-da-curva, foi mais um dia de vitórias de goofies sobre regular-footers. Depois de 4 a 0 no round três, foi apenas uma derrota, e por muito pouco, contra três vitórias de quem surfa de costas para a onda.

A primeira e mais surpreendente de todas foi logo na primeira bateria, Owen Wright contra Jordy Smith.

Jordy é o surfista da casa, o único além de Filipe e Kelly Slater que já venceu ali e encaixa seu surfe de linha como quase ninguém em J-Bay. Owen, por outro lado, já foi um candidato ao título mundial, mas seu ano era marcado mais por atuações fora da água, como por exemplo: deixar a prancha reserva sem parafina em um mar de 20 pés em Bells Beach, vestir a camiseta de competição da cor errada antes de sua bateria aqui em J-Bay mesmo e por aí vai.

Era um dia de séries demoradas. Assim, escolha de onda e bom uso da prioridade foram decisivos na maior parte dos duelos.

Jordy perdia a bateria nos minutos finais e inexplicavelmente deixou para Owen uma onda perfeita. O australiano surfou a onda com perfeição, conectando sem esforço as sessões e achando os pontos críticos para suas pauladas de backside. Conseguiu a primeira nota excelente, 8,30, venceu Jordy e fez um favorzaço aos demais concorrentes ao título mundial.

Um deles, recém-promovido novamente à corrida após a lesão de John John Florence, é Gabriel Medina, que entrou na água logo na sequência.

A verdade é que Gabriel fez uma péssima bateria. Errou a primeira manobra de seu primeira onda, demorou quase vinte minutos para fazer uma segunda tentativa, segurou a prioridade por um tempo exagerado, deixou diversas ondas perfeitas passarem e, assim, chegou aos cinco minutos finais de bateria sem nenhuma nota decente somada. Ryan Callinan, outro goofy, não havia surfado tão bem quanto Owen na bateria anterior mas tinha duas notas sólidas e total domínio do duelo, ainda mais quando Gabriel gastou a prioridade em uma onda equivocada, sem potencial.

Medina precisou de um vacilo de Callinan para voltar. O australiano remou em uma onda e não foi, perdendo a prioridade. Gabriel fez sua primeira onda boa a três minutos do fim. E então Callinan cometeu outro erro fatal: sozinho no outside, resolveu entrar em uma onda em vez de segurar a prioridade e marcar o brasileiro. Vida dura a de um surfista que não pode pegar uma onda quando está sozinho no line-up em J-Bay, mas deve ser isso que diferencia excelentes atletas de verdadeiros campeões.

O bicampeão mundial Gabriel Medina fez uma bateria péssima, praticamente tudo errado. Mas precisou de três minutos para superar o melhor australiano do circuito — isso deve ser assustador para os demais surfistas.

Falando em assustar, Deivid Silva assustou muita gente com seu backside em J-Bay. Sólido, vertical, muito potente. Deivid esteve a uma manobra de eliminar Kolohe, a finalização na sua melhor onda. Teria entrado, provavelmente, na casa dos oito pontos. Fora isso, Deivid ainda pode aprender a bater na sessão mais crítica dessa onda sem terminar a manobra tão atrasado para a próxima sessão. Como tem bons resultados tanto no CT quanto no QS, é quase certo que ele terá mais um ano para tentar.

Kolohe por sua vez é candidatíssimo ao título mundial. Tem bom histórico em todas as próximas etapas, é o virtual líder do circuito e vem se preparando para esse momento há quase uma década.

Ace Buchan venceu Zeke Lau com o surfe mais bonito do dia. Segunda vitória de backside.

Então Filipe fez sua mágica. 9,43 na primeira onda e já não havia muito mais o que o Panda pudesse fazer. Willian surfou bem e suas notas foram achatadas, mas ele não chegaria próximo a Filipe (nenhum surfista chegaria). Em fóruns gringos, o comentário é que Toledo é o melhor a surfar lá desde Mick Fanning. Se não melhor que Mick. Para o restante do evento, a expectativa é toda com o brasileiro.

Sebastian Zietz venceu Michel Bourez e é o próximo adversário de Filipe. O havaiano teve uma das melhores ondas do campeonato nas primeiras fases, mas se pensarmos que Toledo sequer tentou dar um aéreo, ainda, parece improvável que Seabass vença.

Kanoa fez sua blitz contra Peterson Crisanto, que também ainda briga com a velocidade da onda — tudo na normalidade para a primeira vez em um CT em J-Bay.

E então a terceira vitória de um goofy sobre um regular no dia, Italo Ferreira contra Kelly Slater.

Italo tem algumas estatísticas impressionantes. É o cara que mais venceu Gabriel Medina, cinco vitórias e uma derrota, e um dos poucos que jamais perdeu para Slater – 3 a 0 para o potiguar. Italo tinha mais de 14 pontos quando Slater ainda tinha um vírgula alguma coisa e essa foi a bateria.

O backside de Italo, compacto e certeiro, foi perfeito em J-Bay. Verticalidade, pressão e fluidez para acompanhar as sessões: estava tudo ali.

A expectativa é que sexta-feira (19) seja um dia de ondas perfeitas — segundo Strider Wasilewski, a previsão é muito parecida com a do dia que deu algumas ondas incríveis dias antes do evento começar. Que assim seja.

Corona Open J-Bay – resultados

Oitavas de final – masculino
1. Owen Wright 16,23 x 14,70 Jordy Smith
2. Gabriel Medina 12,94 x 11,67 Ryan Callinan
3. Kolohe Andino 12,73 x 12,14 Deivid Silva
4. Adrian Buchan 13,43 x 13,00 Ezekiel Lau
5. Filipe Toledo 18,26 x 11,33 Willian Cardoso
6. Sebastian Zietz 13,83 x 11,44 Michael Bourez
7. Kanoa Igarashi 17,24 x 11,73 Peterson Crisanto
8. Italo Ferreira 14,06 x 12,20 Kelly Slater

Quartas de final – feminino
1. Caroline Marks 14,44 x 13,10 Stephanie Gilmore
2. Carissa Moore 17,67 x 12,50 Johanne Defay
3. Malia Manuel 14,03 x 13,50 Sally Fitzgibbons
4. Lakey Peterson 14,40 x 11,00 Coutrney Conlogue

Próximas baterias

Quartas de final – masculino
1. Owen Wright x Gabriel Medina
2. Kolohe Andino x Adrian Buchan
3. Filipe Toledo x Sebastian Zietz
4. Kanoa Igarashi x Italo Ferreira

Semifinal – feminino
1. Caroline Marks x Carissa Moore
2. Sally Fitzgibbons x Lakey Peterson

Receba nossas Notícias no seu Email

+Notícias