Gabriel Medina comete interferência absurda em bateria que vencia com tranquilidade contra Caio Ibelli e é eliminado na 9ª posição. Filipe pode virar líder

Por Fernando Guimarães

Uma interferência inexplicável derrubou Gabriel Medina em sua bateria nas oitavas de final do Meo Rip Curl Pro Portugal, na manhã deste domingo, em Peniche, e deixou completamente aberta a corrida pelo título mundial de 2019. Seus quatro concorrentes, Filipe Toledo, Italo Ferreira, Jordy Smith e Kolohe Andino, venceram e estão nas quartas de final da etapa.

Medina vencia com tranquilidade a bateria contra Caio Ibelli — o atual campeã mundial tinha notas na casa dos oito e seis pontos, contra uma nota cinco e outra abaixo de um ponto para Ibelli.

Caio tinha a prioridade quando remou para um direita. Medina remou também, bloqueou Caio — fisicamente, inclusive, com uma trombada — e destruiu a onda. Os dois se mostraram confusos, mas como Ibelli afirmou na entrevista após o duelo, ele conferiu o palanque e viu que tinha prioridade antes de dropar. O painel não hesitou em aplicar uma interferência de prioridade sobre Gabriel, zerando completamente sua segunda onda. Ele ainda estava na frente, com um 8,17, e Caio precisava de 2,78. Ele conseguiu tirar 3,10 com uma manobra apenas em uma mini-junção e venceu o duelo.

Ainda que Medina tivesse certeza absoluta que tinha a prioridade, porque entrar numa situação dessas quando vencia a bateria com a mais absoluta tranquilidade? Inexplicável.

Segundo Strider Wasilewskei, Gabriel correu até a sala dos juízes após a bateria para rever a situação e entender onde tinha errado. Aparentemente, ele apenas não viu quando a placar virou apontando a prioridade para Caio. Um trecho da filmagem, segundo Strider, mostrava o exato momento antes da disputa de onda em que a placa mostra prioridade para o surfista de azul (Caio).

Chegar às quartas de final é um resultado e tanto para Caio, que busca a permanência na elite. Ele sabe que perdeu a bateria no surfe, mas ele tampouco forçou a atitude absurda de Gabriel, e as regras são as regras. Caio estava sem graça na entrevista após a bateria. Mas é a vida.

Peterson Crisanto deu mais um show em uma bateria de briga direta pela vaga na elite em 2020 contra Jessé Mendes. Peterson completou dois supermans, manobra que não era vista há um tempo, mais uma porção de outros aéreos, e se coloca, após uma atuação espetacular no round 3, como um dos melhores surfistas da etapa. Jesse surfou bem, mas não teve chance contra a atuação avassaladora do Urso.

O que se viu no domingo foi basicamente um campeonato de aéreos. Italo Ferreira, Jack Freestone e Kolohe Andino foram os melhores, ao lado de Peterson.

Mais cedo, no começo do dia, Filipe Toledo, claramente sentindo a lesão nas costas, passou com muita facilidade por Wade Carmichael. O australiano é um dos caras mais pesados do circuito e em ondas fracas e rápidas de meio metro na beira praia, perderia até para o Filipe de base trocada.

Numa virada absurda de acontecimentos, um Filipe Toledo que chegou lesionado à perna europeia pode ir para a última etapa, em Pipeline.

Meo Rip Curl Pro Portugal

Oitavas de final – masculino:

1 Jordy Smith 10,84 x 3,76 Griffin Colapinto
2 Kolohe Andino 14,84 x 11,57 Michael Rodrigues
3 Filipe Toledo 14,60 x 9,27 Wade Carmichael
4 Kanoa Igarashi 10,53  x 9,10 Kelly Slater
5 Caio Ibelli 8,50 x 8,17 Gabriel Medina
6 Peterson Crisanto 14,34 x 12,46 Jesse Mendes
7 Italo Ferreira 13,83 x 10,83 Conner Coffin
8 Jack Freestone 13,83 x 12,40 Soli Bailey

Quartas de final:

1 Jordy Smith x Kolohe Andino
2 Filipe Toledo x Kanoa Igarashi
3 Caio Ibelli x Peterson Crisanto
4 Italo Ferreira x Jack Freestone

Oitavas de final – feminino:

1 Caroline Marks 12,67 x 9,83 Bronte Macaulay
2 Stephanie Gilmore 13,07 x 12,13 Macy Callaghan
3 Sally Fitzgibbons 12,67 x 9,50 Keely Andrew
4 Tatiana Weston-Webb 14,67 x 10,60 Coco Ho
5 Carissa Moore 13,20 x 11,00 Paige Hareb
6 Johanne Defay 10,66 x 9,54 Brisa Hennessy
7 Lakey Peterson 13,43 x 8,54 Silvana Lima
8 Nikki Van Dijk 12,40 x 12,34 Courtney Conlogue