HC #347 – CONEXÃO RJ-SP

Duas Capas! Dois personagens distintos do surf brasileiro! Jeronimo Vargas e Victor Bernardo estampam as páginas número 1 da revista HARDCORE #347, ambos em tubos pesados, na Barrinha de Saquarema (RJ) e na Maresias de São Sebastião (SP). Os fotógrafos que retratam essas ondas também são instituições do surf nacional, Keale Lemos e Rafaski, respectivamente, artistas que eternizam histórias de água salgada.

Essa HARDCORE é uma edição repleta de surfistas e fotógrafos raiz, para alento dos revisteiros. São parte integrante nomes como Binho Nunes, que emplaca entrevista reflexiva em tempos rudes e de transformações nas mais intrigantes esferas. Hizunomê Bettero, com sua biografia e desejos no Alma HARDCORE, retratado por quem tem 25 anos de fotografia surf, Alexandre Gennari, e que transcendeu as mais conceituais produções.

Junto de surfistas do mais alto calibre e dos colunistas Igor Gouveia, Chloe Calmon, Ricardo Alves, Heverton Ribeiro e Casami. E mais: Surf gelado no Canadá com Marcus Paladino; A temporada na Indonésia por Junior Enomoto; E os grandes swells na Conexão Rio-São Paulo, repleto de atores da cena, ganham versão impressa. E tem produtos premium, uma entrevista com Ashton Goggans da Stab, as Pranchas Mágicas de Gabriel Medina, e a arte sensata de Marcelo Eco, que como o próprio sobrenome do grafiteiro ecoa, está muito mais do que somente em voga.

Foram bombas pra tudo que é lado em um raio costeiro que cortou os estados do Rio de janeiro e São Paulo, tendo como foco principal as praias de Maresias, Saquarema e Arraial do Cabo. Os protagonistas: Matheus Faria, Gabriel Adisaka, Thiago Camarão, Kelly Slater, Raoni Monteiro, Marcio Grilo, Daniel Rangel. Os fotógrafos: Keale, Rafaski, Pedro Abreu, Mateus Werneck, Jorge Porto, Ricardo Borghi e Kaique Silva.

Binho Nunes foi apontando como um surfista à frente do seu tempo na passagem dos anos 1990 para os 2000, tanto no que diz respeito a comportamento como a performance. Percorreu caminhos para chegar ao Tour, mas a dureza da competição ficou pequena para ele. Rebelde contra o establishment, buscou no freesurf um caminho mais saudável. Influenciado, procurou maneiras de demonstrar sua personalidade através da arte, seja dentro ou fora d’água. Usou pranchas como suporte para expressar seu gosto musical e admiração pelas cores, formas geométricas e psicodelismo. Indecifrável para pessoas céticas, suas obras migraram para a interpretação de cachorros. Misturar o real com o imaginário faz parte de suas crenças, assim como faz sobre madeira e outros materiais dentro de seu shaperoom.

O Frio Selvagem e cortante do Canadá esconde altas ondas em um país pouco explorado pelo surf – mas diga-se de passagem, com altas ondas, e que Lucas Silveira já esteve por lá. O fotojornalista Marcus Paladino, um seguidor aficcionado na HARDCORE, conecta o inverno brasileiro com o verão – estupidamente gelado – no extremo da América do Norte  e outono/inverno do pico onde o cenário ganha tons mais brancos de cultura ascendente. O canadense traça um sensato roteiro e dicas para o surfista que quer sair da caixinha.

por Adriano Vasconcellos, diretor de redação Hardcore

Toth, deus da escrita do antigo Egito, deu aos homens o código para registrar tudo em papiros, e junto lançou uma advertência: “Tudo o que vocês escreverem, esquecerão”.