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Em Gauna, o novo filme de Loïc Wirth, o tempo deixa de ser

Algumas das cenas mais espetaculares de surf registradas em 2023 foram gravadas na viagem a Fiji em que Yago Dora, Jack Robinson, Ian Gentil e João Chianca surfaram Cloudbreak em toda sua glória

O que a maioria dos surfistas busca num filme de surf? Muita ação? Tubos de sonho? Ver seu ídolos extendendo o limite do que é possível fazer numa onda? E se tudo isso for servido num banquete de imagens, mas o prato for temperado com a atriz Fernanda Montenegro recitando um texto da intelectual feminista Simone de Beauvoir sobre o tempo, ao som dos Mutantes tocando Panis et Circenses, e finalizando com o filósofo existencialista João “Chumbinho” Chianca, propondo um diálogo com Deus? Em Gauna, o novo filme do mais cabeça dos atuais filmadores de surf brasileiro, Loïc Wirth, o tempo deixa de ser.

Parece coisa de maluco essa salada, e é, mas assistindo, tudo fica bem esclarecido. ”O tempo é irrealizável”, teria dito Simone de Beauvoir, o que o próprio Loïc confirma, na apresentação do filme em seu canal no Youtube: “Essa fala, de Simone de Beauvoir, é real. A realidade está quase obsoleta hoje em dia, na era dos telefones e dos likes, mas ainda nos atinge com força total quando nos toca, seja através de um lindo pôr do sol, de um pássaro voando sobre você ou apenas ao testemunhar um momento genuíno de felicidade ao seu lado”.

 

Felicidade foi o que não faltou nessa trip a Fiji, para surfar Cloudbreak, aquela que muitos consideram a melhor onda do planeta, em toda sua glória. Protagonizada por alguns dos melhores estudantes da arte, e ao mesmo tempo mais ferozes competidores do esporte, Yago Dora, Jack Robinson, Ian Gentil e João Chianca, o resultado dessa fuga para um outro mundo, onde tempo e espaço são relativos, é nada mais nada menos que mesmerizante. Aquele estado em que o espectador fica hipnotizado do começo ao fim.

Por falar em fim, é já bem perto dos últimos minutos, dos 22 e tanto de deleite generosamente oferecidos, que “Chumbinho” se dirige ao Criador buscando entender a razão de ter sido ele um dos escolhidos para viver tal benção: “Não tenho nem palavras, queria perguntar a Deus, por quê eu?”. Claro que naquele momento ele não tinha nem como imaginar que, no final do mesmo ano, em dezembro de 2023, iria ter outro tipo de encontro com Deus, que igualmente deve ter provocado um questionamento, e a oportunidade para outro depoimento de imensa gratidão.

+“Está tudo bem”, Chumbo tranquiliza amigos sobre estado de João Chianca

Caro leitor, se por acasso você terminou esse texto um pouco confuso, nada a estranhar. Simplificando, Gauna tem altas ondas, surf de primeira linha e retrata momentos de puro sonho numa locação paradisíaca. Assista que não tem como não gostar.

 

 

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