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Dono do evento Gigantes de Nazaré é acusado de receber patrocínio irregular quando fazia parte do Governo Bolsonaro

“Improbidade Administrativa, conflito de interesses, vantagens financeiras através do cargo…Padrinho de casamento de Flávio Bolsonaro, o secretário de esporte Marcelo Reis Magalhães gabaritou todos os itens que ferem o Código de Conduta da Alta Administração Federal”. Assim começa a reportagem intitulada “Ministro de ondas grandes: os negócios do padrinho de Flávio Bolsonaro na pasta do esporte”, publicada pela agência de jornalismo investigativo Sportlight em seu site ontem, dia 19 de setembro.

A reportagem, assinada por Lúcio de Castro, revela uma intricada sequência de eventos envolvendo altos funcionários do governo brasileiro durante a gestão de Jair Bolsonaro e a empresa “Gigantes de Nazaré Ltda”, de propriedade de Marcelo Reis Magalhães. Tudo teria começado em 2019, quando o então presidente Jair Bolsonaro tomou posse e decidiu extinguir o Ministério do Esporte, substituindo-o pela Secretaria Especial de Esporte, que passou a fazer parte do Ministério da Cidadania. Em 28 de fevereiro de 2020, Marcelo Reis foi nomeado como titular da pasta e permaneceu no cargo até 20 de dezembro de 2022.

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Em 20 de agosto de 2021, enquanto ocupava o cargo público, Marcelo Reis abriu a empresa “Gigantes de Nazaré Ltda”, o que a reportagem aponta como indicativo de conflitos de interesses, pois um alto funcionário do governo estava envolvido em um empreendimento esportivo privado. Em 17 de dezembro de 2021, sob a presidência de Carlos Alberto Gomes de Brito, a Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo) concedeu um patrocínio de R$ 400 mil reais para a realização da 4ª etapa do evento “Gigantes de Nazaré”, um campeonato de ondas grandes realizado em Nazaré, Portugal.

Surpreendentemente, o pagamento da Embratur foi direcionado para a empresa “Orbe Serviços Integrados Ltda”, de propriedade de Daniel Ferreira Braga, que possui sociedade com Diogo Carneiro Silva Feliciano, por sua vez, sócio de Marcelo Reis na “Gigantes de Nazaré Ltda”. Outro ponto intrigante levantando pela reportagem da Sportlight é o fato da “Gigantes de Nazaré Ltda” compartilhar o mesmo endereço com a “Orbe Serviços Integrados Ltda” e a “Orbe Consultoria em Gestão Empresarial e Treinamento Ltda”, todas localizadas no centro do Rio de Janeiro. Diego Feliciano, por sua vez, é sócio da “Orbe Consultoria em Gestão Empresarial e Treinamento Ltda”, que faz parte do mesmo grupo empresarial que a “Orbe Serviços Integrados Ltda”. Curiosamente, foi a “Orbe Consultoria em Gestão Empresarial” que apresentou o pedido de registro de propriedade industrial da marca “Gigantes de Nazaré”.

Juristas consultados pela reportagem da Sportlight explicam que as ações de Marcelo Reis, que envolvem a abertura de uma empresa enquanto ocupava um alto cargo público e o benefício financeiro dela, violam o Código de Conduta da Alta Administração Federal. Além disso, a ação de receber verba pública para o evento “Gigantes de Nazaré” levanta sérias questões legais e podem se enquadrar em diversas modalidades de crime.

Outra parte preocupante é que o evento “Gigantes de Nazaré” recebeu financiamento público não apenas da Embratur, mas também da prefeitura e do estado do Rio de Janeiro, tudo isso enquanto Marcelo Reis ainda estava ocupando um cargo de alto escalão no governo federal. Em 3 de outubro de 2022, sob a liderança de Eduardo Paes, o município do Rio concedeu R$ 300 mil reais para a etapa carioca do evento.

Para ler a reportagem da Sportlight na íntegra clique AQUI.

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