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segunda-feira, 15 julho, 2024
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Desafios e estratégias da WSL Brasil: Entre ondas e atrações

Por mais que a paixão do brasileiro pelo surf deseje o contrário, a verdade inconveniente é que o Brasil, em termos de qualidade de ondas, fica muito atrás de outras paradas do WSL Championship Tour, como Havaí, Teahupo’o e Fiji. Sim, Saquarema tem seus dias clássicos e é, sem dúvida, uma das melhores opões brasileiras para esse evento. Mas os fatos estão aí.

Em 2023, para contornar esse problema e tornar o evento atrativo, a WSL Brasil apostou em uma série de atrações que mantiveram o interesse do público e da mídia por 10 dias consecutivos na competição. Day ON, tinha surf. Day EN tinha diversão para o público incluindo shows musicais, ativações dos patrocinadores, piscina de ondas, interação com os atletas, engajamento com os fãs, tirolesa e até uma apresentação aérea da Esquadrilha da Fumaça.

Os números não mentem: da edição de 2022 para a edição de 2023 o Vivo Rio Pro conseguiu crescer em rentabilidade com +25% em valor de patrocínios e gerando +32.87% no impacto econômico na região. O aumento do turismo gerou mais histórias compartilhadas nas redes sociais, resultando em um aumento de 23% de novos visitantes, 100% de ocupação hoteleira e +50% de espectadores nos eventos. A cidade recebeu reconhecimento internacional como um dos melhores destinos para eventos esportivos ao vivo, e 99% dos visitantes do WSL afirmaram que voltariam a cidade.

Por conta disso, a World Surf League foi uma das empresas vencedoras do 33º Prêmio Marketing Best 2023 e para esta edição de 2024, que terá sua abertura oficial no próximo dia 21 de junho, a estratégia será semelhante, com um show de drones no lugar da Esquadrilha da Fumaça.

A tática da WSL Brasil de agregar atrações ao Vivo Rio Pro se mostrou premiada e bem-sucedida, mas sua sustentabilidade a longo prazo levanta algumas questões importantes. Embora as ativações tenham atraído um público diversificado e gerado um impacto econômico significativo, há um risco evidente de desviar o foco do principal “produto” da WSL: o surf e seus atletas.

Essas ativações, apesar de serem relevantes para o público local e capazes de impulsionar o turismo e a economia regional, não parecem ter o mesmo impacto na audiência global. Parece bastante razoável supor que os fãs de surf ao redor do mundo sintonizam a transmissão ao vivo para ver os melhores surfistas competindo nas melhores ondas, não para ver shows de drones.

Nesse sentido, permanecerão as críticas sobre a baixa qualidade das ondas e a falta de interesse internacional na etapa brasileira do CT tende a aumentar. É pouco provável que todas essas atrações resolvam esse problema. Injusta ou não, essa é uma questão que precisa ser encarada de frente.

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