A comunidade do skate amanheceu triste na terça-feira, 5/5, após a confirmação do falecimento do carioca João Maurício, skatista conhecido como João Cabeção, vítima do covid-19, aos 47 anos.

De acordo com relato de amigos, João reclamou de dores na garganta e apresentava os sintomas de Covid-19. Ele vivia em Búzios e era professor de jiu-jitsu.

Nas redes sociais, a Confederação Brasileira de skate emitiu nota de pesar:

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A Confederação Brasileira de Skate (CBSk) recebe com pesar a notícia da morte de mais um skatista que é vítima da Covid-19. João Maurício Kabeção foi um dos principais skatistas cariocas do final da década de 1980 e início dos anos 1990. Sempre muito querido por todos. 🙌🏻🛹 #skatebrasileiro #FiqueEmCasa #Repost @gutojimenez • • • • • • João Maurício "Kabeção" foi um dos melhores skatistas que surgiram no Rio de Janeiro em todos os tempos. Seu estilo era extremo, já que ele andava como se fosse o último dia na Terra. Nas sessões, deixava a todos de queixo caído com a sua incrível facilidade de executar manobras e pelas linhas que executava, tanto no street quanto em transições. . . . Nos campeonatos, a rivalidade sadia entre ele e Bruno Passos inspiraram a todos no cenário carioca e elevaram o nível do skate local e regional. Esse vídeo é da última etapa do circuito brasileiro da UBS em 1989, disputado no Ginásio do Pacaembu. Kabeção não conseguiu se inscrever entre os 150 amadores que participariam da disputa; por causa disso, foi encaixado numa das duas vagas que haviam restado aos profissionais. Apesar da descrença e até escárnio de alguns nomes de destaque na época, ele não deixou barato, demolindo os obstáculos desde a primeira volta de aquecimento. A vitória o consagrou como o primeiro skatista no Brasil a vencer um campeonato pro em sua estreia na categoria. . . . Foram muitas sessões, vários eventos, inúmeras viagens. A última vez que nos falamos foi através do Alexandre Calmon, que estava em Búzios e mandou um áudio dele me zoando – uma constante no relacionamento dele com os amigos. Ficamos de nos ver quando eu fosse até a cidade… Infelizmente, não deu tempo: João se foi hoje, mais uma vítima do covid 19. Nesse momento, ele deve estar naquela Grande Pista, dando o seu role de qualidade e dando muitas risadas. Quem o conheceu e o viu andar, jamais vai se esquecer. Vai na PAZ, Kabeção!

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Cabeção ficou conhecido na década de 80 ao vencer uma etapa do campeonato brasileiro profissional como skatista amador.

Em 1989, o carioca viajou até São Paulo para participar do campeonato amador durante uma etapa do campeonato brasileiro de Street, no Ginásio do Pacaembu (assista acima).

Como chegou atrasado para inscrição na categoria amadora, terminou inscrito na disputa profissional e venceu.

Essa foi a introdução para a meteórica história do skate do João Cabeção no Brasil.

No Rio de Janeiro ele já era bastante respeitado, principalmente pelas sessões na minirrampa da Urquinha, na zona sul, berço de uma geração de skatistas.

A vitória no evento lhe rendeu a capa da SKT News – que era uma das principais mídias brasileiras da época; a oportunidade de lançar um pro-model e também o convite para participar da Copa Itaú no ano seguinte, um evento épico na praia de Ipanema que teve Mark Gonzales entre os destaques.

Pouco tempo depois ele parou de andar e sumiu de cena.

Mas João Cabeção deixa um legado gigante para o skate brasileiro.

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