Na quinta-feira (2/6) um potente swell de sul encostou na região Sudeste do país e proporcionou condições históricas em praias do litoral norte paulista.

Em alguns picos, as condições eram extremamente desafiadoras e talvez acessíveis apenas para alguns seletos e corajosos.

Nessa quinta, uma laje casca grossa do litoral paulista mostrou seu esplendor. Foi um dia de muitas bombas: o baiano Lapo Coutinho surfou o que diz ter sido uma de suas maiores ondas na região no Brasil.

Teve também quase perrengue que poderia ter sido infortúnio desastroso.

Quem nos conta, via telefone, de sua casa de Maresias, é o baiano Lapo Coutinho.

Swell bomba na lua cheia

“Essa onda só quebra quando o mar está gigante e esses swells são raros no Brasil. Quando eu vi que a previsão estava enorme e que iria quebrar, bem na lua cheia, marquei com o fotógrafo Pedro Abreu e fiquei o dia na espera,” conta Lapo.

Na parceria com Lapo, o surfista Rafael Carvalho, que veio de Minas Gerais para Maresias em 1988. Rafael conta que esse foi um dos maiores mares que ele surfou no pico. “Nesse dia eu trabalhei até as 16h; saí correndo do trabalho e fui para essa sessão.”

Junto de Lapo e Rafael, o Marcio Grillo, de stand up paddle, e o Davi Carriel, chegaram nesse pico para a sessão da tarde.

“Peguei essa onda que talvez tenha sido minha maior surfada na remada no Brasil. Está pelo menos nas minhas top 3 de tamanho. Essa onda foi mais para o final da sessão, eu já estava me orientando no pico, tinha pego algumas mais no rabo e estava bem colocado quando ela veio, perto do final da tarde. Por estar ali há mais de uma hora, consegui me posicionar em um lugar bem crítico, dropei deep e ela ficou bem grande.”

Uma prancha quebrada e sufoco contra a corrente

Nessa mesma queda, houve um episódio que poderia ter custado caro a investida do grupo nesse dia histórico.

O Davi Carriel quebrou a prancha e não conseguiu sair do pico por conta da correnteza.

“Remamos contra a corrente um tempão, até que achei melhor ele pular na minha prancha, um 9’8 grossa, e a gente saiu junto. Caso eu tivesse com uma prancha menor, talvez essa história poderia ter sido mais triste, poderíamos ter ficado no mar,” conta Lapo.

Segundo Lapo, tinha de 3 a 4 metros de onda, inclusive, como ele conta, as maiores ondas vistas não foram nem surfadas.

“No geral, aqui no Brasil o surfista não tem esse tipo de equipamento. Essa prancha com a qual surfei, por exemplo, uso ela no Havaí, ela está aqui porque tenho ela e às vezes viajo pro Chile ou México.”

Rafael conta que essa é a segunda vez que isso acontece com ele. “Da primeira, a gente estava lá, quebrou uma prancha no meio e a gente deu sorte, porque nesse outro dia o mar estava e menor e a correnteza não estava tão forte.”

Preparo é fundamental

A história coloca em foco uma questão crucial a respeito do big surf: é preciso estar preparado para o que pode dar errado.

“Ele foi com uma prancha pequena, pegou boas ondas e depois quebrou a prancha. Mas isso poderia ter acontecido comigo também, mesmo com uma prancha grande. Eu poderia ter partido minha prancha ou meu leash, então, como um todo, acho que a gente poderia ter se preparado melhor, como ter chamado um jet ski para auxílio. No mundo do big surf, isso são coisas que se você não pensa a respeito, pode se colocar em uma bela enrascada.”

Estar com o colete e com a prancha apropriada ajudou, mas ter um barco ou um jet ski ali no momento teria poupado esse perrengue.

“No Brasil tem onda grande também e nesses dias é preciso entrar no mar preparado. Chama um amigo para observar de cima do cliff, ir sempre com alguém, e se possível, com um jet ski, ou um barco para auxílio, o que no nosso caso, teria salvado.”