Por Julio Adler Na mesma hora seu olhar mudou, ele me encarou como alguém que queria muito contar algo secreto, algo que eu deveria saber, mas talvez não… Estamos tão acostumados a perder no último minuto, suado e injusto, que quando finalmente vencemos a sensação de alívio é gigantesca. Cara, foi por pouco… lá em cima o negócio ficou esquisito… confessou o camarada juiz enquanto se afastava. Fui ver as notas e constatei que dois juízes queriam muito que o sonho australiano se concretizasse. Um deles chegou a dar 7.3, nota de precisão cirúrgica, dado que Julian precisava de 7.2. Não atrapalhou o fato do Raoni ser patrocinado pela mesma marca que oferecia o evento, O’neill, caso contrário superar o peso do nome do Julian Wilson seria tarefa ingrata. Raoni passou um ano e meio sem patrocínio, bancando o circuito do seu próprio bolso e foi fisgado pelo ex-editor da Fluir e atual diretor da O’neill no Brasil, Adrian Kojin, para ser o principal surfista da equipe no país e não decepcionou seus novos patrões. No seu primeiro ano, ganhou o evento mais importante da temporada e de quebra meteu o pé na porta da classificação (esta em 29 no one ranking) e ainda pulou para terceiro lugar no ranking do Triple Crown, tudo num dia só. E não só isso, no caminho até a final Raoni ganhou duas vezes do Mick Fanning e uma do líder do Triple Crown Joel Parkinson. Lógico que vão dizer que Sunset tava marola entre outras coisas, pouco importa, Raoni não precisa provar que é capaz de surfar ondas grandes com o mesmo entusiasmo. Encerrada a final, fatura resolvida, o mais empolgado dos brasileiros na areia era Neco Padaratz. Mesmo depois de ter perdido e ficar devastado pela desclassificação, Neco encontrou energia pra assistir de pé a final e nem esperou Raoni sair d’água para dar um forte abraço no campeão. Nesses momentos podemos ver a dignidade de determinados homens, na genuína alegria de ver um amigo triunfar na mais importante arena do WQS. Neco ainda era um moleque em 1991 quando Gouveia ganhou esse mesmo evento em Sunset. Quase vinte anos depois um brasileiro vence no Havaí – estamos aqui e viemos pra ficar. Eddie, eu e Dudu Enquanto Raoni celebrava seu título, muito próximo dali acontecia a cerimônia mais importante da temporada havaiana, a abertura do Eddie Aikau. Deixamos Sunset em direção a Waimea de carona com um amigo residente há 10 anos no North Shore. Rodrigo se confunde fácil com os locais, pele morena, cabelo escuro, fala mansa. Chegamos tarde pra assistir os maiores surfistas do mundo de ondas grandes enfileirados com suas gunzeiras, mas a tempo de filar uma bóia com cerveja Primo. Kalua Pig, Poi, Pupus, Poke, Pork Lau lau, Lomi lomi Salmon faziam o banquete da rapaziada e parecia que toda ilha estava la no congraçamento. Depois de me servir, sentei-me numa das grandes mesas debaixo da tenda e percebi uma simpática careca alguns metros da gente, era um sorridente Kelly Slater, recém chegado na ilha e de pança cheia. Tom Carroll, Buttons, Sunny e qualquer surfista com alguma importância para o surfe em ondas grandes nos últimos 40 anos estavam lá. Na quarta cerveja, a ficha caiu. Essa é a primeira vez que assisto um campeonato no Havaí, um brasileiro ganhou depois de quase 20 anos, minutos depois, lá estou eu em plena cerimônia do Eddie, dividindo a mesa com os malandros que acostumei e admirar de longe e a banda havaiana de Reggae toca Roots Natty roots. Nós não merecemos isso. Ou melhor, merecemos sim – e mais! Que venha Pipe. Carta de Al Hunt sobre as possibilidades de ingresso do World tour 2011 O tour manager da ASP, Al Hunt, explicou as possibilidades existentes do sobe e desce até o término do Billabong Pipeline Masters. Até o momento, o 28º colocado no World Tour da ASP, o australiano Adam Melling, está à salvo do corte por não correr mais o risco de escorregar para a 32º posição. Os surfistas que estão cavando um lugar na elite do ASP World Tour 2011 são os seguintes: 19 – Heitor Alves (BRA) – dentro 29 – Raoni Monteiro (BRA) 30 – Josh Kerr (AUS) 31 – Alejo Muniz (BRA) 32 – Julian Wilson (AUS) Com a partida trágica de Andy Irons (HAW), todos os surfistas sobem uma colocação. Entretanto, como atual 32º Gabe Kling (USA) ainda tem chances para subir diversas posições se fizer um mínimo esforço no Billabong Pipeline Masters. Julian Wilson é o alvo daqueles surfistas que procuram entrar no Tour. E essencialmente são seis surfistas que caçam uma das quatro vagas a partir dos resultados do Pipe Master: – Travis Logie (ZAF), Dusty Payne (HAW) e Tom Whitaker (AUS) necessitam de um 9º ou melhor colocação em Pipeline para derrubar Julian Wilson, e um 5º ou melhor para pegarem a vaga que hoje é de Raoni Monteiro. – Roy Powers (HAW) e Kai Otton (AUS) precisam de um 5º ou melhor lugar nesta última etapa para passar Julian Wilson, e ao menos um 3º para superarem Raoni. – Luke Stedman (AUS) caso consiga no mínimo a quinta colocação em Pipe, manterá seu lugar na elite ao tirar a vaga de Wilson. Assim como, com um segundo ou primeiro lugar no campeonato, garante para ele a permanência no circuito e tira Raoni do World Tour. Highlights Final Day Sunset Resultados O’Neill World Cup of Surfing FINAL 1st. $20,000 – Raoni Monteiro (BRA) 14.37 2nd. $10,000 – Julian Wilson (AUS) 14.20 3rd. $5,100 – Granger Larsen (HAW) 12.47 4th. 4,900 – Josh Kerr (AUS) 11.66 SEMIFINAIS H1 Julian Wilson (AUS) 13.43; Josh Kerr (AUS) 13.07; Adrian Buchan (AUS)13.00; Ben Dunn (AUS) 9.57 H2 Granger Larsen (HAW) 15.90; Raoni Monteiro (BRA) 15.20; Mick Fanning (AUS) 13.50; John John Florence (HAW) 5.53 QUARTAS-DE-FINAL QF1: Josh Kerr (AUS) 16.87; Adrian Buchan (AUS) 15.50; Tanner Gudauskas (USA) 11.74; Luke Munro (AUS) 10.50 QF2: Julian Wilson (AUS) 14.93; Ben Dunn (AUS) 12.33; Daniel Ross (AUS) 11.23; Jordy Smith (ZAF) 8.29 H3 John John Florence (HI) 15.8; Raoni Monteiro (BRZ) 15.37; Joel Parkinson (AUS) 13.06; Taylor Knox (USA) 5.74 H4 Mick Fanning (AUS) 14.33; Granger Larsen (HAW) 13.53; Alejo Muniz (BRA) 11.80; CJ Hobgood (USA) 9.27 ROUND 32 H1: Josh Kerr (AUS) 14.83; Benn Dunn (AUS) 12.13; Kieren Perrow (AUS) 11.10; Blake Thornton (AUS) 9.93 H2: Adrian Buchan (AUS) 13.30; Julian Wilson (AUS) 12.64; Nathaniel Curren (USA) 9.27; Nathan Hedge (AUS) 6.10 H3: Daniel Ross (AUS) 14.86; Luke Munro (AUS) 11.57; Travis Logie (ZAF) 10.50; Wiggolly Dantas (BRA) 6.10 H4: Jordy Smith (ZAF) 13.67; Tanner Gudauskas (USA) 10.80; Joel Centeio (HAW) 10.20; Adam Melling (AUS) 9.66 H5: John John Florence (HAW) 14.37; CJ Hobgood (USA) 12.57; Matt Wilkinson (AUS) 10.23; Nat Young (USA) 6.90 H6: Raoni Monteiro (BRA) 14.44; Mick Fanning (AUS) 13.00; Brett Simpson (USA) 9.33; Jadson Andre (BRA) 8.00 H7: Alejo Muniz (BRA) 11.80; Joel Parkinson (AUS) 11.17; Shaun Cansdell (AUS) 9.83; Kekoa Bacalso (HAW) 8.63 H8: Granger Larsen (HAW) 13.97; Taylor Knox (USA) 13.00; Yadin Nicol (AUS) 9.17; Patrick Gudauskas (USA) 5.46