Por Matias Lovro  Aquela latinha de cerveja jogada na calçada – que passa despercebida hoje em dia – também é poluição, não? Agora, se você respondeu que sua praia está, de fato, suja, a situação está pior ainda. Mas poluição não é formada apenas por sacos plásticos e latas espalhados por aí. O esgoto, além de carregar toda essa sujeira para o oceano, leva matéria orgânica, que serve de fertilizante, desequilibrando a vida marinha local, do fitoplâncton aos peixes, tartarugas e outros animais. O despejo de metais pesados, que se acumulam na cadeia alimentar, e, principalmente, o derramamento de petróleo após acidentes, podem ser catastróficos para todo o meio ambiente, tanto na água quanto em terras costeiras. Além disso, a ocupação desordenada – construção de casas, hotéis e estradas – também colabora com a crescente poluição do litoral. Essa ocupação excessiva, combinada à falta de saneamento, é a principal causa de poluição nas águas do litoral sul de São Sebastião, em São Paulo, por exemplo. Praias como Maresias, Baleia e Camburi costumavam ocupar os postos mais altos no ranking feito anualmente pela Folha de S.Paulo, com dados da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), das praias mais limpas do estado. Mas, por conta da elevada taxa de construção de grandes condomínios e mansões, o nível de saneamento delas piorou, rebaixando-as na mais recente versão do ranking. Dos dez postos mais altos, sete são em Ubatuba e os outros três em Caraguatatuba – incluindo as duas praias mais bem colocadas. De acordo com a prefeitura da cidade, isso ocorreu por conta das obras de saneamento que vêm sendo realizadas desde 2007 pelo programa Onda Limpa. O programa da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) é o maior projeto de recuperação ambiental do litoral brasileiro. No total, serão investidos R$ 1,9 bilhão, sendo R$ 500 milhões no Litoral Norte Paulista e R$ 1,4 bilhão na Baixada Santista, onde a poluição é mais recorrente, por conta da maior concentração urbana. As praias mais sujas de todo o estado estão no Litoral Sul – Milionários e Gonzaguinha, em São Vicente, e Perequê, no Guarujá. Mas não é só em São Paulo que a poluição está deteriorando a qualidade da água do mar. Em outubro, por exemplo, aproximadamente 1,5 mil litros de petróleo foram derramados no abastecimento de uma embarcação no canal do Porto de Rio Grande, RS. Apenas quatro meses antes, um vazamento de quantidade parecida fora detectado pela Petrobras na Bacia de Campos, em Macaé, RJ. Eventos como esses são extremamente nocivos para todo o ambiente, e chamam a atenção da mídia e da população. Agora, todo o lixo sendo constantemente jogado na rua, esgoto derramado no mar e construções realizadas indevida e excessivamente também merecem a atenção do público. Resta a cada um fazer sua parte para, daqui a mais dez anos, não ter que olhar para praias cheias de lixo e surfar em águas impróprias – sem nem perceber que há algo errado nisso.